
* Trilha sonora: ainda bem [vanessa da mata]


Foram encontros e desencontros, idas e vindas, voltas e revoltas. Durante anos buscamos a nós mesmos, um ao outro, um no outro e nos outros. Entre beijos, olhares, peles, tentávamos nos encontrar. O tempo urrava, a pressa cobrava e o desejo gritava. A vontade de nos encontrarmos falava mais alto sempre, que chegávamos a não respeitar o que nos estava reservado. Não tivemos a paciência necessária. A sabedoria da espera. E o discernimento do que era certo prá nós. Foram tantas bocas, tantas palavras, tantos sonhos criados e desperdiçados com outros mas que na verdade, existiam só prá nós. Foram criados prá nós. E serão vividos por nós. Certamente não foi em vão, pois cada experiência nos fez sermos o que somos e o que amamos hoje. Dentro de nós e entre nós. Aprendemos, crescemos e evoluímos para hoje nos encontrarmos. Tanto tempo, tanto sonho, tanto desejo cultivados e hoje entregues em nossas mãos. Tantas histórias, tantas vivências, tantas experiências para nesse momento voltarmos ao reencontro. Durante o caminho, nos encontramos, nos esbarramos, nos falamos, nos desejamos mas não nos estávamos. Hoje, estamos perto, certos, dentro, um do outro, mesmo quando estamos distantes. Hoje, somos nós como queremos ser, somos quem desejamos ser e temos ao nosso lado quem sonhamos ter. Temos um ao outro, um amor puro, genuíno, real e ideal. Um amor certo, uma certeza plena, uma completude sem fim. E agora basta. A busca cessou. O encontro final aconteceu. E só nos resta continuar. Eis que aqui estamos! Agora, juntos. E aquilo que parecia sonho, ilusão ou idealização vem se tornando a mais linda história de amor...

Prá falar de amor, é preciso estar com o peito aberto. Respeitar os sentimentos. Os próprios e do outro. Prá falar de amor é preciso se permitir. Deixar que os olhos brilhem, que o coração acelere, que a boca sorria. Prá falar de amor é preciso sonhar. Projetar a ilusão de uma doce realidade futura. Prá falar de amor é preciso confiar. No que está aí dentro, em quem está ao seu lado e naquilo que está por vir. Prá falar de amor, é preciso ter pureza. Não pensar com a cabeça dos homens, simplesmente raciocinar como os anjos. Prá falar de amor é necessário ingenuidade. A crença de que tudo é certo e até o feio é lindo. Prá falar de amor é preciso pensar inteiro. Saber que o desejado não é de um tudo bom. Mas mesmo com a sua parte ruim, continuará sendo desejado. Prá falar de amor é preciso lutar. Superar obstáculos, enfrentar dificuldades e ser cúmplice. Prá falar de amor é preciso ignorar. Esquecer o tempo deste mundo material e viver o tempo do coração. Prá falar de amor, é preciso se libertar. Dos medos, das dúvidas, das fraquezas. Prá falar de amor, é preciso falar. Eu te amo é bom dia, é boa tarde e é boa noite quando de fato é sentido. Prá falar de amor, é preciso expressar. Nem sempre com um sonoro "eu te amo". Basta um olhar, um gesto, um carinho, uma atitude. Prá falar de amor é preciso ser. Ser humano, ser romântico, ser amor. Prá falar de amor, é preciso amar. Amar a vida, amar o próximo, amar a si próprio. Prá falar de amor, é preciso sentir. Pois o amor não se explica, simplesmente o coração sente...
Lembro-me do amor desde quando de pequena. Aquele que sentimos pelo pai, pela mãe. Lembro de viveciar plenamente meu Complexo de Édipo. Lembro-me de sentir amor pelos meus primeiros amiguinhos, como sinto até hoje. Lembro-me dos primeiros namoradinhos de infância, quando eu já dizia que amava. Lembro da adolescência, dos amores platônicos, dos amores neuróticos. Dos amores doentes e dos amores saudáveis. Dos amores possíveis. Dos amores vividos. Já na vida adulta, experimento os amores maduros, os amores projetados, os amores idealizados. Há uma busca pelo amor ideal, pelo amor verdadeiro, pelo amor da vida, pela história de amor. E eu que achei que já havia vivido tantas, descubro agora que não sei amar. Descubro que o que sinto é um prazer egocentrista em ser desejada pelo outro. Descubro que o outro só me importa se está sob meu controle. Descubro que o que quero é posse. E que quando percebo que essa pessoa não é mais minha, puf (!), acaba o falso amor. Frustro-me ao pensar que meus sofrimentos em minhas histórias amorosas foram meros frutos de sentimentos mesquinhos. Decepciono-me comigo mesma ao perceber que eu só queria que o mundo, os outros e meus namorados girassem em torno de mim para meu bel prazer. Odeio-me ao projetar a idéia de nunca conseguir aprender a amar. Porque o que eu achava que era amor verdadeiro nunca passou de capricho. Porque toda minha dedicação sempre foi interesseira. E hoje, nos meus quase 30 anos, percebi que não sei o que é amar. Hoje, descobri que nunca amei. E hoje padeço na incerteza de não saber se um dia o saberei. Já que até hoje ainda não sei se aprendi a amar a mim mesma.

Estava tudo tão seguro por aqui... Nada, de longe, parecia ameaçador. Eu era dona de meus atos, meus fatos, minhas paisagens. O vento tinha a direção que eu ordenasse. Quando de repente você apareceu. Tal qual um vendaval, na mesma velocidade e com a mesma agressividade da natureza revirou meu mundo! Em tão pouco tempo, causou tantas mudanças. Em minutos, fez-me acreditar, desacreditar, sorrir, chorar, sonhar, lamentar. Trouxe um sentimento avassalador, devastador, ilimitado. Fez-me varar noites, sangrar-me de beijos, arder de tesão. Virou-me de cabeça prá baixo, deu uma surra em meu coração, mostrou-lhe que ainda é possível sentir paixão. Eu, por minha vez, deixe-me levar pelos teus ventos. Não me segurei em nada, as árvores estendiam seus galhos para que eu os agarrasse, mas eu não quis. Não queria. Meu desejo era voar, sentir-me livre e feliz por estar nos teus ares. E assim eu fui. Porém, nessa mesma rapidez, você se foi. Deixando apenas os estragos. Nem sempre aparentes, nenhuma casa destelhada, nenhuma árvore caída, nem ruas esburacadas. Apenas um coração que se encheu de ilusão e achou que esse vento o levaria para a felicidade que tanto sonhara. E agora ele, batendo ainda mais forte, retoma a sua vida, após a tempestade, apenas esperando o que a natureza irá lhe trazer...Parabéns a todas as mães pelo seu dia, embora todos o sejam! Especialmente prá minha...


Madrugada - quatro da manhã. Acabo de chegar. Suor. Maquiagem borrada. Cheiro de cigarro. Saio da balada muito puta por ser mal atendida. Enfrento fila de uma hora prá pagar míseros água, suco e couvert artístico. Deparo-me com um bando de gente que quer levar vantagem e não respeita a ordem. Discuto com um péssimo gerente que não organiza e falta com o respeito. Fui por motivos bons. Comemoração, amigos, música. Saí por péssimos motivos. Por mais que seja interessante observar as pessoas. Eu já não pertenço mais a esse mundo. As músicas são do meu passado. As conversas, sobre relacionamentos. As trocas de olhares de sempre, que não mudam, de pessoas desesperadas por encontrar algo ou alguém. Ou por encontrar a si mesmas. A beleza cheia de vazio. A fala quase sem conteúdo. Enfim, saio da balada. Pego a avenida a oitenta por hora e a essa hora percebo que ainda há vida. Luzes na cidade acesas, pessoas saindo para o trabalho, pessoas chegando de outros lugares e em outros lugares. Ainda há movimento. Mas minha cabeça permanece na lentidão da percepção de não me adaptar. Ouvindo Pearl Jam, canto alto acompanhando Jeremy com Eddie Vedder: "Try to forget this, try to erase this, from the blackboard!".
Psicólogos são como anjos. Freud é Deus e tem seus seguidores - os santos. Mas quem faz as informações chegarem aqui na Terra são os anjos - os psicólogos. Anjos, costumeiramente, têm como missão levar-nos para o bom caminho. Assim fazem os psicólogos. Da mesma forma que não entendemos muitos caminhos que às vezes os anjos nos levam, acontece com os psicólogos. Saímos arrasados de algumas sessões. E hoje doeu. Foi na ferida. Lá dentro do íntimo. Bem no Id. Onde moram as pulsões, os instintos, o arcaico. Fez remexer, fez remoer, fez relembrar, fez chorar. Foi um tiro certeiro que Freud, com toda sua sabedoria, através de seus seguidores santos e meu anjo psicóloga me deu. Fez-me trair a mim mesma. E pior: negar essa traição. Assim como Deus coloca as tentações na Terra, Freud coloca os mecanismos de defesa. E eu neguei, com toda veemência. Uma verdade dura, cruel, feia que se esconde dentro de mim. Mas que, em atos falhos, acaba escapando. E assim os anjos pegam em nossas mãos e nos guiam. E, como os encontros de Freud, em seus grupos de estudo, aconteciam às quartas-feiras, acontece meus encontros com o anjo. Nem sempre suaves e mágicos como nas lendas. Mas certamente me guiando ao caminho melhor.




Às vezes sinto isso. Vontade de calar. Apertar o mute para todos os sons, para todos os ruídos, para todos os cantos, para todos os ritmos. Quero calar as vozes. Dos outros. Minhas. Dos meus pensamentos. Vontade de calar o mundo. De parar o movimento da terra. De calar meu coração, calar meus poros, calar minha respiração. Vontade de calar tudo que atrapalhe minha linha de raciocínio. Na verdade, vontade de parar minha linha de raciocínio. Quem sabe, torná-la uma curva. Vontade de calar as buzinas, os latidos, as ambulâncias, a novela. Calar a boca, a língua, os dedos, a mente. Calar para funcionar. Para retomar. Para refazer. Calar para falar depois. Mas, por um momento, apenas calar. Ouvir o som do silêncio. Pensar no nada dos pensamentos. Sentir a paralisia dos movimentos. Respirar a falta de ar. Só por alguns instantes. Tempo suficiente prá limpar, neutralizar, purificar esse eu que já está tão cheio de marcas, de pensamentos e de vozes. Pouco tempo. Pouquíssimo. Tão pequeno que nem desse tempo de sentir. Apenas calar para des-sentir o tudo que já foi sentido. Apenas calar para re-sentir quem eu sou. Às vezes me dá essa vontade de calar...

Garçon, por favor! Traga-me um whisky on the rocks. Melhor, dois. Não, três doses. Porque eu preciso dormir. Misture com alguns comprimidos de Rivotril. Se possível, doses de Lexotan também. O que? Vocês comercializam injeções letais? Uma, após os whiskies e os comprimidos. Porque eu preciso dormir. O tempo que for. O necessário para esquecer. Esquecer a dor que eu sinto, esquecer as lágrimas que escorrem, esquecer as palavras que leio. Esquecer os absurdos que ainda se passam na minha mente. Preciso deixar de lado essa busca por algo que não está mais no meu caminho. Parar de sofrer por alguém que não faz mais parte da minha história. Ignorar acusações injustas. Dar as costas para calúnias. Superar injustiças. Quero dormir o tempo que for para apagar as lembranças. Tirar da memória o que de bom que me fez feliz e o que de ruim que me faz chorar. Preciso dormir para paralisar a minha vida enquanto a dele segue. Mas eu não quero acompanhar. Preciso dormir para desligar, desvincular, desconectar, de uma vez por todas. Preciso deletar da minha vida os rastros que ainda restam. Preciso parar de procurar pelas pistas. Deixar de seguir um rumo. Preciso dormir prá desaprender. E depois, acordar prá reaprender. Garçom, quando vir que tudo isso já passou, me acorde por favor?!
Não me assusto com os brilhos das estrelas. Nem me protejo das rajadas de vento. O mar, quando bravo, não me dá broncas. A chuva, quando forte, não me faz sentir mais fraca. Alimento-me das tempestades. Mato minha sede com as gotas que caem do céu. Revigoro minhas energias com os raios que atingem a terra. O sol não me queima. Nem o mormaço me danifica. A areia não me faz sentir menor ao seu lado, posto que é dela que sou feita. Como uma escultura na praia, sujeita à brisa do mar, que não se desfaz. Nas raízes das árvores renovo minhas forças. Na sombra de seus galhos, refresco meus pensamentos. Perfumo-me com o cheiro das flores. Banho-me com a garoa da cidade. Embarco na correnteza do rio. E enfrento suas quedas sem medo. Porque a natureza corre em minhas veias. E à ela eu me misturo. Forte, grandiosa, DONA, de tudo aqui.


mento, mude a certidão se for preciso. Mude de humor renove as energias, reabasteça as esperanças. Mude seus hábitos, mude suas crenças, e se preciso sua essência. Mude sua natureza. Mude os planos, refaça as metas, mude os meios. Pegue as rédeas. Assuma o controle. Não tenha medo. Porque uma hora ela chega. Te aperta. Te sufoca. Te prensa contra a parede. E você precisa mudar. Porque quando a mudança vem, não dá prá esperar. E não há mais o que esperar. Simplesmente, mude!






O dia quase sem tempo dá lugar a uma imensidão sem fim. A terra firme passa a ser um buraco debaixo dos pés. O azul do céu é trocado por nuvens negras. A alegria que enchia o coração se deixa desaparecer pela tristeza que se forma no peito. As horas de sono tranquilo passam a ser minutos de uma insônia angustiante. O riso se desmonta em lágrimas. As verdades cedem passagem à razão. O eterno é terminado pelo fim. O amor que se transforma em força. A felicidade que sem explicação se torna tristeza. O olhar que se abaixa. A boca que silencia. Os beijos que se calam. As lágrimas que rolam. A dor. O ardor. O temor. Porque já não há mais palavras suficientes. O sentimento já não basta. A luta foi vencida. A emoção se surpreende. E o fim, enfim, vence.

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Anos e anos. Milhas e milhas. Andando sozinha. Questionando a mim mesma. Sem respostas. Ouvindo meus próprios ecos. Uma busca incessante. Incansável. Inesgotável. À toa. De repente, prá perceber, que o que eu desejava era o mais simples. Que o que me fazia feliz era o mais normal. Que minha complexidade estava na naturalidade de ser. Queria resgatar valores. Reviver sentimentos. Retomar a inocência. Idealizava enquanto o que eu mais queria era encontrar meu cantinho. Mas não conseguia identificar as necessidades. Ia de encontro ao macro. Encontro tal que jamais acontecia. Porque não era a raíz da minha insaciedade. Percorri caminhos difíceis. Enfrentei ventos fortes. Dias áridos. Sol escaldante. Chuvas torrenciais. Destruí castelos de areia para poder reconstruí-los. Driblei bloqueios que apareceram em minha trilha. Dentro de mim. Mas, em nenhum momento, desisti de continuar. Simplesmente, mudei meu rumo. Estava por caminhos errados e tortuosos que me deixaram cicatrizes. Mas hoje, olho dentro de mim e, quando as vejo, lembro que cada uma tem seu significado. E que sem elas jamais atingiria tal nível de amadurecimento e preparo. Quando decidi parar de buscar, encontrei. Agora, mais leve, menos angustiada, percebo a importância da serenidade. Que me traz a confiança necessária para prosseguir. Jamais me contentar. Porém, saber buscar exatamente o que quero. Deixar de lado a insegurança disfarçada em grandes desejos. Edificar-me pelas substâncias das minhas solicitudes genuínas. Visar o precioso significado. E aí sim tornar a felicidade um momento constante e eterno.


É dia. Verão. Sol. Calor. Brisa morna. Céu azul. De repente, a escuridão. Surgem nuvens negras. Estrondos altos. Raios cortam o céu. Ventos fortes. Tempestade de areia. Furacão. Maremoto. Chuva fina. Pingos grossos. Granizo. Os grãos me embaçam os olhos. As nuvens me escurecem a visão. Não há caminhos. Não há mais luz. Há apenas os destroços atingindo quem passa. Há apenas destroços dentro de mim. Luto contra o tempo, contra o vento, contra a tempestade. Prá saber que, no dia seguinte, tudo ainda continua lá. O sol parece brilhar mais forte depois de superar as nuvens negras. As flores estão mais vivas depois da água que alimentou suas raízes. Os pássaros cantam felizes depois de alguns momentos no ninho tentando se protegerem. O chão mais brilhante refletindo os raios solares que voltam. Porque eles nunca desaparecem. Jamais se vão de vez. Sempre estão lá, mesmo que por trás de nuvens carregadas. Prá garantir que na vida nada é definitivo. Nada é por acaso. E tudo acontece prá nos fortalecer. Prá enxergarmos o que vem depois do que parece ruim. Prá percebermos o que continua lá depois que a tempestade passa. E prá nos fazermo notar que somos mais fortes que uma mera tempestade.
Ela: sábado à noite, encontro com as amigas, barzinho badalado. Faz unha, cabelo, maquiagem, escolhe uma roupinha descolada e sai. Desencanada. A única preocupação era se divertir!
“A paixão é a paixão por si próprio. O encontro eufórico e alvoroçado da paixão é efeito do encontro consigo mesmo em dupla via. Os amantes são iguais.”
Não me obrigue a nada.
* Melhor do que dizer "Eu te amo" é dizer:
Eu me amo...
Amo quem sou, amo minha essência, amo meus valores.
Amo minhas raízes, amo minha educação, amo meus modos.
Amo o sentido que dou prá vida.
Amo a fidelidade com que trato meus relacionamentos.
Amo o jeito que ajo profissionalmente.
Amo o respeito que tenho pelas pessoas.
Amo a paixão que tenho por cachorros.
Amo minha boca, quando ela dá aquele sorriso escancarado de felicidade, quando ela dá aquele sorriso metálico sem jeito e quando ela faz aquele biquinho de manha.
Amo meus olhos.
Amo a sinceridade que eles passam.
Amo a transparência como eles refletem minha alma.
Amo meus olhos com maquiagem preta.
Amo o conjunto harmonioso que faz meu rosto, quando estou alegre, triste, brava, chateada.
Amo o jeito que meu nariz fica vermelho quando choro.
Amo quando as lágrimas deixam meus olhos iluminados quando me emociono.
Amo meus peitos pequenos e minha bunda grande.
Amo a barriguinha que alguns meses de deprêzinha me proporcionaram.
Amo minhas coxas grossas, meu tornozelo espesso e meus pés número 36.
Amo a minha sombra na calçada, que revela meu rebolado ao andar e o comprimento dos meus cabelos.
Amo a delicadeza com que falo com as pessoas quando preciso dar algum conselho ou dizer algo que sei que elas não gostarão de ouvir.
Amo o jeito rude com que falo com as pessoas quando quero que elas saibam que estou magoada com elas.
Amo minha maneira de acreditar na vida.
Amo minha leveza ao andar sobre salto agulha.
Amo minha firmeza ao andar sobre os mesmos saltos.
Amo meu jeito independente de ser, de trabalhar, de conversar, de fazer amizades, de me virar.
Amo minha dependência emocional, de carinho, de cafuné, de palavras otimistas e de elogios.
Amo a maneira que me visto bem quando quero arrasar.
Amo o jeito que fico desleixada quando meu único objetivo é ficar o dia todo em casa comendo e vendo Sex and The City.
Amo minha generosidade.
Amo meu egoísmo.
Amo meu ciúminho.
Amo o charminho que faço quando quero.
Amo a sensação que tenho quando olho prá tráz e vejo que alcancei quase tudo exatamente do jeitinho que eu queria.
Amo notar que falta apenas 5%.
Amo ter feito cursos.
Amo quando me confundo ainda ao falar Espanhol.
Amo minha fluência e sotaque no idioma Inglês, sem mesmo nunca ter viajado para fora do Brasil.
Amo ter feito faculdade sem poder e ter superado esta luta ano a ano.
Amo ter feito MBA subsidiado pela empresa que trabalhava.
Amo meu jeito batalhador, meu jeito sonhador, meu jeito de achar que tudo sempre vai dar certo e que o mundo é cheia de boas intenções.
Amo também meus delírios persecutórios, quando acho que todo o mundo está contra mim.
Amo a fé que tenho em algo maior que eu que certamente me guia e me leva para o melhor caminho, por mais que ele seja o mais doloroso.
Amo o jeito que tenho de me entregar intensamente à uma paixão.
Amo o medo que tenho ao ver que estou me entregando intensamente à uma paixão.
Amo tudo que sinto.
Amo a maneira que consigo escrever expressando o que sinto.
Amo o caminho que trilhei até então.
"Às vezes me odeio por quase um segundo, depois me amo mais..."
Enfim, eu me amo!

Terminando domingo. Musiquinha do Fantástico. Dia embaixo do edredon. TV, DVD, TV, DVD. Cozinha, banheiro, cozinha, banheiro. Tudo tão quentinho, tão quietinho, tão seguro. Não, por favor, não me tirem daqui! Não permitam que chegue a segunda-feira novamente. E que eu tenha que enfrentar todos aqueles monstros novamente. Os monstros que existem dentro de mim.





