terça-feira, 23 de junho de 2009

E sempre que te venho aqui...

Eu fui, mas voltei e dessa vez não saio mais. Porque sempre que te venho aqui me entorpeço com teu cheiro, me entonteço com o brilho dos teus olhos, me afogo nos teus lábios. Sempre que te venho aqui, sou abduzida pelos teus poros, me perco nos teus pêlos, me desatino no teu olhar. Sempre que te venho aqui, sou sufocada pelas batidas do meu coração que se aceleram ao estar-me próxima. Sempre que te venho aqui me embebedo com o suor da perfeição do encaixe do teu corpo sobre o meu. Sempre que te venho aqui, extravazo minha sede no teu gosto que tanto gosto. Sempre que te venho aqui sou estonteada pela certeza de querer-te ao meu lado para todo o restante, assim como estamos desde o sempre. Sempre que te venho aqui, tomo-me pela projeção de todos os sonhos que me perseguem tornando-se realidade ao teu lado. Sempre que te venho aqui, sinto-me devorada pelo sentimento mais tenro, sublime e nobre que sentira. Sempre que te venho aqui, consumo-me pela força desse amor que existe dentro de mim por ti. Sempre que te venho aqui, perto ou longe, sinto-me ligada através de algo inexplicável, indescritível e imensurável. Sempre que te venho aqui, desejo-te no concreto e no abstrato. Sempre que te venho aqui projeto-me a anos luz ao teu lado. Sempre que te venho aqui, consagro-me com o que o destino reservou prá nós dois. Sempre que te venho aqui, descubro, redescubro e reafirmo o verdadeiro sentido do amor. Sempre que te venho aqui, sinto maior a vontade de ficar. Desde sempre e prá sempre. Para nunca mais sair...


* Trilha sonora: ainda bem [vanessa da mata]

domingo, 21 de junho de 2009

E eu que tenho medo de cometer os mesmos erros...


Minha cabeça não pára. repete cenas, ouve vozes, traz de volta o passado em flashes. Toma-me o medo, a angústia, o desespero. De tentar e sofrer outra vez. De cometer os mesmos erros. De padecer das mesmas perdas. Mas agora é diferente. A dor seria devastadora. A queda seria mortal. O veneno seria letal. Certas coisas em minha vida tomaram uma proporção de importância, de segurança, de essência maiores do que a mim mesma. E dessas coisas eu não posso me desfazer, posto que não saberia traçar o caminho de volta. E de nada adiantaria eu deixar pãezinhos no caminho para demarcar a volta pois os pombos comeriam. De nada adiantariam as pedrinhas traçando um norte pois os caminhões passariam por cima e desfariam a trilha. De qualquer forma, eu me perderia. Como muitas vezes me perdi e reconstruí. Mas agora, nesse momento, não sei se conseguiria. Não me sinto capaz de conseguir. Sinto-me fraca, e já perdida mesmo sem me perder. Os caminhos que parecem seguros se desviam confundindo meu senso de direção. E eu me perco na fantasia dos medos, dos fracassos, das desilusões. E eu me paraliso na morfina do medo. E me paraliso perante o temor. O medo de cometer os mesmos erros...

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Eis que aqui estamos!

Foram encontros e desencontros, idas e vindas, voltas e revoltas. Durante anos buscamos a nós mesmos, um ao outro, um no outro e nos outros. Entre beijos, olhares, peles, tentávamos nos encontrar. O tempo urrava, a pressa cobrava e o desejo gritava. A vontade de nos encontrarmos falava mais alto sempre, que chegávamos a não respeitar o que nos estava reservado. Não tivemos a paciência necessária. A sabedoria da espera. E o discernimento do que era certo prá nós. Foram tantas bocas, tantas palavras, tantos sonhos criados e desperdiçados com outros mas que na verdade, existiam só prá nós. Foram criados prá nós. E serão vividos por nós. Certamente não foi em vão, pois cada experiência nos fez sermos o que somos e o que amamos hoje. Dentro de nós e entre nós. Aprendemos, crescemos e evoluímos para hoje nos encontrarmos. Tanto tempo, tanto sonho, tanto desejo cultivados e hoje entregues em nossas mãos. Tantas histórias, tantas vivências, tantas experiências para nesse momento voltarmos ao reencontro. Durante o caminho, nos encontramos, nos esbarramos, nos falamos, nos desejamos mas não nos estávamos. Hoje, estamos perto, certos, dentro, um do outro, mesmo quando estamos distantes. Hoje, somos nós como queremos ser, somos quem desejamos ser e temos ao nosso lado quem sonhamos ter. Temos um ao outro, um amor puro, genuíno, real e ideal. Um amor certo, uma certeza plena, uma completude sem fim. E agora basta. A busca cessou. O encontro final aconteceu. E só nos resta continuar. Eis que aqui estamos! Agora, juntos. E aquilo que parecia sonho, ilusão ou idealização vem se tornando a mais linda história de amor...

quinta-feira, 11 de junho de 2009


Não precisa procurar. Essa sua busca é desnecessária. Meu presente não está no shopping. Nem nas estantes de alguma loja de grife. Nem no mostruário das mais valiosas jóias. Nem no aroma do mais doce perfume. Nem na vitrine de alguma floricultura. Ele não está embrulhado no mais belo laço vermelho. Ele vem assim, como num passe de mágica. Meu presente está exatamente aí. Meu presente são tuas mãos quentes que me tocam e me fazem sentir um arrepio desde a base da coluna até a minha alma. Meu presente são as batidas do coração que se inensificam quando estou ao teu lado. Meu presente é o teu olhar límpido e transparente ao me admirar. Meu presente é a boca que me beija beijos jamais antes sentidos. Meu presente é o abraço que me envolve e me faz sentir segura e protegida. Meu presente é a tua voz que me acalma. Meu presente é o teu carinho que me faz sentir amada. Meu presente é a tua alegria que transforma meus dias em paixão. Meu presente é a tua presença em minha vida. Meu presente é ter a oportunidade de estar mais uma vida ao teu lado. Meu presente é a certeza que eu tenho de ser eterno. Meu presente é você passado, presente e futuro. Meu presente é te amar desde sempre e prá sempre. Meu presente é você!

FELIZ DIA DOS NAMORADOS!

terça-feira, 9 de junho de 2009

Prá falar de amor...

Prá falar de amor, é preciso estar com o peito aberto. Respeitar os sentimentos. Os próprios e do outro. Prá falar de amor é preciso se permitir. Deixar que os olhos brilhem, que o coração acelere, que a boca sorria. Prá falar de amor é preciso sonhar. Projetar a ilusão de uma doce realidade futura. Prá falar de amor é preciso confiar. No que está aí dentro, em quem está ao seu lado e naquilo que está por vir. Prá falar de amor, é preciso ter pureza. Não pensar com a cabeça dos homens, simplesmente raciocinar como os anjos. Prá falar de amor é necessário ingenuidade. A crença de que tudo é certo e até o feio é lindo. Prá falar de amor é preciso pensar inteiro. Saber que o desejado não é de um tudo bom. Mas mesmo com a sua parte ruim, continuará sendo desejado. Prá falar de amor é preciso lutar. Superar obstáculos, enfrentar dificuldades e ser cúmplice. Prá falar de amor é preciso ignorar. Esquecer o tempo deste mundo material e viver o tempo do coração. Prá falar de amor, é preciso se libertar. Dos medos, das dúvidas, das fraquezas. Prá falar de amor, é preciso falar. Eu te amo é bom dia, é boa tarde e é boa noite quando de fato é sentido. Prá falar de amor, é preciso expressar. Nem sempre com um sonoro "eu te amo". Basta um olhar, um gesto, um carinho, uma atitude. Prá falar de amor é preciso ser. Ser humano, ser romântico, ser amor. Prá falar de amor, é preciso amar. Amar a vida, amar o próximo, amar a si próprio. Prá falar de amor, é preciso sentir. Pois o amor não se explica, simplesmente o coração sente...

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Desculpas...

Peço desculpas aos amigos pela falta de tempo. Peço desculpas aos meus seguidores pela ausência. Peço desculpas à minha família pelo excesso de trabalho. Peço desculpas à vida pela minha velocidade. Porque prá mim, tudo acontece em milésimos de segundos. Minha vida muda, dá uma guinada, é uma montanha-russa. Vivo na velocidade da luz. E na intensidade de quem se vê no último dia de vida. O destino me pega de surpresa e me traz acontecimentos maravilhosos. O universo conspira e enche meu coração de alegria. E minha pulsação segue nesse ritmo. Minha respiração ofega. Meu olhar brilha. Meu coração dispara. Meu sorriso se abre. Meu brilho volta. Tudo isso pela emoção da certeza de estar vivenciando a minha melhor fase. E nessa correria não consigo (ainda) dar a atenção necessária aqueles que me admiram e aos que amo. Mas eu estou me adaptando pois não estou acostumada a ser plenamente feliz. Creio que vou conseguir e logo, estarei de volta. Mesmo no meu ritmo alucinante, mas fazendo cada um que está no meu caminho se sentir especial. Por isso (por enquanto) peço desculpas simplesmente por viver intensamente. Mesmo tendo (e querendo dar) a certeza que essa intensidade envolve todos vocês!

"Peraí, só mais um pouquinho!
Vou ali ser feliz e já volto..."

sábado, 16 de maio de 2009

Eis que descubro-me dentro de uma concha...

Tornei-me uma pérola nos mares da vida. Hoje, descubro-me dentro de uma concha. Assim como uma pérola. Sou fruto da dor. Resulto da invasão de algum corpo estranho, possível acúmulo de grãos de areia da minha história. Sou cura de feridas, porém, pura e preciosa, posto que retirada de uma água lodosa. Escondo-me em uma concha grosseira. Carrego em mim o conhecimento velado, a sabedoria esotérica e cicatrizes de eventuais invasões. Tenho propriedades mágicas, as quais escondo dentro desse casco. Embora dura e consistente, sou sensível e portanto, protejo-me. Guardo-me da fúria oceânica, da voracidade dos peixes e das substâncias do mar. Permaneço no silêncio profundo das águas que me cercam. Estou lá dentro, lá no fundo. Deixo-me aqui, enquanto aí fora está perigoso. Embora saiba que um dia serei descoberta. Espero assim, refletir meu brilho nos olhos de quem tiver o privilégio de usar-me como sua jóia. Pois assim serei. Rara, como a verdadeira.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

E eu que não sei amar...

Lembro-me do amor desde quando de pequena. Aquele que sentimos pelo pai, pela mãe. Lembro de viveciar plenamente meu Complexo de Édipo. Lembro-me de sentir amor pelos meus primeiros amiguinhos, como sinto até hoje. Lembro-me dos primeiros namoradinhos de infância, quando eu já dizia que amava. Lembro da adolescência, dos amores platônicos, dos amores neuróticos. Dos amores doentes e dos amores saudáveis. Dos amores possíveis. Dos amores vividos. Já na vida adulta, experimento os amores maduros, os amores projetados, os amores idealizados. Há uma busca pelo amor ideal, pelo amor verdadeiro, pelo amor da vida, pela história de amor. E eu que achei que já havia vivido tantas, descubro agora que não sei amar. Descubro que o que sinto é um prazer egocentrista em ser desejada pelo outro. Descubro que o outro só me importa se está sob meu controle. Descubro que o que quero é posse. E que quando percebo que essa pessoa não é mais minha, puf (!), acaba o falso amor. Frustro-me ao pensar que meus sofrimentos em minhas histórias amorosas foram meros frutos de sentimentos mesquinhos. Decepciono-me comigo mesma ao perceber que eu só queria que o mundo, os outros e meus namorados girassem em torno de mim para meu bel prazer. Odeio-me ao projetar a idéia de nunca conseguir aprender a amar. Porque o que eu achava que era amor verdadeiro nunca passou de capricho. Porque toda minha dedicação sempre foi interesseira. E hoje, nos meus quase 30 anos, percebi que não sei o que é amar. Hoje, descobri que nunca amei. E hoje padeço na incerteza de não saber se um dia o saberei. Já que até hoje ainda não sei se aprendi a amar a mim mesma.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Quando é hora de mudar...


Ouço vozes internas dizendo prá eu seguir em frente, me jogar de cabeça, saltar de bungee-jump, pegar altas ondas. Ouço vozes externas dizendo prá eu ir com calma, colocar a cabeça no lugar, permanecer em terra firme, em águas calmas. Soa o gongo do 147º round na luta do meu conflito interior. E eu que sou de riso fácil, de relacionamento fácil, de confiança fácil. Eu que sou de olhos nos olhos, aperto de mão, beijo no rosto, abraço apertado. Eu que quero intimidade, que quero aproximação, que quero ser necessária. Eu que quero me doar, quero ajudar, quero colaborar. Eu que sou da maneira que não se pode ser. Eu que tinha que ser mais fria, mais calculista, mais cautelosa, mais realista. Eu que tinha que ser mais eu prá não ser os outros. Porque afinal, dentro de mim, eu já nem sei mais quem sou. A hora de mudar chega quando a vida te mostra as consequências que você sofre simplesmente por ser quem você é. A hora de mudar é quando todos os holofotes estão sobre você iluminando seus erros, suas falhas, suas faltas. A hora de mudar acontece quando você percebe que ser para o outro acaba te impedindo de simplesmente ser. A vida pede simplicidade. Eu, ofereço intensidade. E essas realidades, inevitavelmente, se chocam. A hora de mudar chega quando, ao deitar a cabeça no travesseiro, você sente o escorrer de uma lágrima de arrependimento de algo que te aconteceu simplesmente porque você acreditou. A hora de mudar chega junto com a conclusão de que é necessário mudar. Mas como mudar sua essência? Como modificar a natureza? Como fechar o sorriso? Como arrancar o brilho dos olhos? Como conter o coração? A hora de mudar assusta, revolta, encana. A hora de mudar é traiçoeira. Porque acontece justamente quando você pensa que está fazendo tudo certo. Ela chega quando você se vê vivendo em um mundo paralelo onde todas as pessoas são confiáveis, onde todos os seus amigos fariam tudo por você, onde todos os homens são loucos para tê-la, onde todos os olhos estão virados para sua atuação. A hora de mudar remete você ao momento que descobriu a inexistência de Papai Noel, coelhinho da Páscoa e Fada do Dente. A hora de mudar é doída. Mas ela te coloca numa encruzilhada. As escolhas são poucas, apenas uma bifurcação. Quando não, apenas uma: ou você muda ou você muda. De repente, chega a hora de mudar...

terça-feira, 12 de maio de 2009

Uma pequena e linda história de... paixão!

No meio de decisões e indecisões, sem saber ao certo o que sentia e o que deveria esquecer, você surgiu no meu caminho e mudou tudo. Sabe, todos dizem que sou uma apaixonada pela vida. E de fato sou. É muito fácil me encantar, me seduzir, me iludir. Mesmo complexa, sou simples e me contento com pouco. Mas foi teu muito que me pegou de jeito. Foi teu olhar, teu sorriso, tua pegada. Teu brilho, teus planos, teus sonhos. Tua vida se envolveu na minha vida de uma forma tão intensa num espaço tão curto de tempo que se tornava difícil acreditar. Mas como eu quis acreditar... E como eu acreditei! E quem é o tempo nessas horas? O que são os minutos nesse tempo? Parecem vidas, momentos, histórias. Que se estendiam madrugada adentro. Uma pequena e linda história de paixão. Por mais que eu explique o que foi dito, o que foi sonhado e o que foi planejado, ninguém entenderia. Por mais que eu descreva o que foi sentido, tornar-se-ia inexplicável. Porque esse mundo de sentimentos e sensações fáceis e verdadeiras e intensas era só meu. E você, perfeitamente, como ninguém, conseguiu adentrá-lo, decifrálo e envolvê-lo num piscar de olhos, sem que nem eu percebesse. Fez parte dele por dias e até por anos, mesmo sem que tivéssemos vivido-os. Foram horas de conversas, dias de carinhos e minutos e minutos de longos e demorados beijos. Os encaixes eram perfeitos: das palavras, dos pensamentos e das idéias. Sem contar o encaixe do corpo! Ao teu lado me sentia protegida, guardada, cuidada. Na medida, no tamanho e na proporção exatas, você era tudo que eu sempre sonhei e que me deixou assim, apaixonada! Tuas palavras ainda ecoam na minha mente, tua imagem sempre volta à minha visão, minha pele ainda sente teu toque e teu cheiro ainda paira no ar. Ah, escrever sobre você é bom, porque me faz sorrir, me faz lembrar, me faz suspirar... Ah, mas como eu queria que tivesse durado mais! Como eu desejo que você estivesse aqui ao meu lado prá que pudesse compartilhar com você tudo o que penso, sinto e sonho. E hoje ainda busco um significado prá paixão. Sei que ela é curta, não tão consistente quanto o amor e certamente muito mais devastadora. Mas é um sentimento que faz bem, e que em mim fez sentir vida novamente. Porém, também te encontrei no meio de decisões e indecisões, sem saber ao certo o que fazer, sem saber o que sentia e o que deveria esquecer. E tive, com a mesma coragem que encarei essa paixão, que digerir a tua escolha. Porque é disso que a vida é feita, minha criança grande. E você fez a tua. Claro que sabemos que a vida nos prega peças, brinca com a gente e nos mostra caminhos que aparentemente são errados, incertos e que não queremos seguir por não saber onde vão dar. É quando descobrimos que a verdadeira rota da vida nada mais é que uma estrada de barro, que entre raízes de árvores frondozas nos faz tropeçar e cair. Um só dia de chuva, torna essa estrada escorregadia e traiçoeira. E nesses dias, tudo que desejamos é um raio de sol que seca, cura e revigora, fazendo de tais caminhos tortuosos, os mais planos. E que assim seja prá você. Que tuas escolhas tenham sido bem feitas. E que um dia, em algum momento, você possa voltar a sentir tudo que me fez sentir e que sentiu também. Porque sei que foi recíproco, foi intenso e foi real. Porque eu via verdade em teu olhar e eu ouvia verdade em tuas palavras e eu sentia verdade em tuas atitudes e eu acompanhava a verdade dos compassos do teu coração perto do meu peito. Que as escolhas tenham sido as mais certas rumo a felicidade. À nossa felicidade. E que essa deliciosa paixão fique sempre guardada como um sinal de vida dentro de nós.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Como um vendaval!

Estava tudo tão seguro por aqui... Nada, de longe, parecia ameaçador. Eu era dona de meus atos, meus fatos, minhas paisagens. O vento tinha a direção que eu ordenasse. Quando de repente você apareceu. Tal qual um vendaval, na mesma velocidade e com a mesma agressividade da natureza revirou meu mundo! Em tão pouco tempo, causou tantas mudanças. Em minutos, fez-me acreditar, desacreditar, sorrir, chorar, sonhar, lamentar. Trouxe um sentimento avassalador, devastador, ilimitado. Fez-me varar noites, sangrar-me de beijos, arder de tesão. Virou-me de cabeça prá baixo, deu uma surra em meu coração, mostrou-lhe que ainda é possível sentir paixão. Eu, por minha vez, deixe-me levar pelos teus ventos. Não me segurei em nada, as árvores estendiam seus galhos para que eu os agarrasse, mas eu não quis. Não queria. Meu desejo era voar, sentir-me livre e feliz por estar nos teus ares. E assim eu fui. Porém, nessa mesma rapidez, você se foi. Deixando apenas os estragos. Nem sempre aparentes, nenhuma casa destelhada, nenhuma árvore caída, nem ruas esburacadas. Apenas um coração que se encheu de ilusão e achou que esse vento o levaria para a felicidade que tanto sonhara. E agora ele, batendo ainda mais forte, retoma a sua vida, após a tempestade, apenas esperando o que a natureza irá lhe trazer...

* Trilha sonora: o vento [jota quest]

domingo, 10 de maio de 2009

À minha mãe (fato real)

Era uma quinta-feira, véspera de feriado. Passei o fim de tarde no salão fazendo coisas de menina e pensando em que roupa usaria práquela baladinha de mais tarde. Lembrei de uma larguinha, cor de uva, frente-única que cai super bem em mim, que não estou assim na minha melhor forma. Até comprei uma sombra prá combinar com ela. Essa blusinha era da minha mãe. Sim, como fazem as irmãs entre si (que eu não tenho), troco roupas de vez em quando com a minha mãe. Coisas de menina também...

Cheguei em casa em cima da hora, às pressas para tomar um banho e me arrumar. Seria comemoração de aniversário de uma amiga. Porém, para minha surpresa... Ao chegar em casa, minha mãe estava de saída e... Que blusa ela vestia??? A frente-única cor de uva! Apenas comentei do meu desejo de usá-la e da sombra que eu havia comprado prá combinar e fui correndo pro banho.

Ao sair, minha mãe já havia ido para seu compromisso e a blusinha frente única cor de uva estava lá, prá que eu usasse, em cima da minha cama... Devo confessar que essa atitude me emocionou e resultou em alguns minutos de lágrimas de felicidade e uma cartinha à ela, que dizia mais ou menos assim:


"Mãe, é incrível os gestos que você tem e sempre teve durante toda sua vida para priorizar seus filhos. De quantas coisas abriu mão, de tantas que enfrentou e saiu vitoriosa por nós. Sabe, mãe, às vezes as coisas não estão sempre do jeito que gostaríamos que elas estivessem. Mas você sempre foi guerreira, batalhadora, e certamente vai superar o que de pior vir pela frente. Hoje, somos essa família graças a você e a todo o amor que você nos deu. Confesso que fiquei emocionada com seu gesto de tirar do seu corpo uma blusinha prá que eu pudesse usar. Esse gesto é só um exemplo do que você fez prá mim por toda sua vida. Assim como você é um exemplo prá cada gesto e atitude que tenho na minha vida. Obrigada, por todas as lições, por todo o carinho, por todos os momentos - sendo bons ou ruins, mas que nos serviram de aprendizado. Perdoe-me por nem sempre ser a filha que você sonhou. E saiba que eu gostaria de ser muito mais você do que ainda sou. Mas hoje te tenho como exemplo e sonho um dia, poder ter uma filha para ter prá quem deixar uma blusinha prá vestir."

Parabéns a todas as mães pelo seu dia, embora todos o sejam! Especialmente prá minha...


* Imagem real. Abraço durante minha colação de grau em Psicologia - homenagem aos pais.

sábado, 9 de maio de 2009


Já que a vida é uma peça, chega a hora de sair de cena. Deixar o palco. Refugiar na coxia. Fugir dos risos e lágrimas. Mas apenas a tempo de trocar de figurino. Pois eu ainda volto para receber os aplausos, sentir o apagar das luzes e ver a cortina se fechar.


Agradeço sempre meu público fiel...

terça-feira, 5 de maio de 2009

No teatro da minha vida não preciso de protagonista

Esse é meu palco, minha peça.
Não me dê roteiros que me meça.
Deixe-me aqui aos meus prantos.
Pois nas lágrimas estão meus encantos.
E atrás dos meus sorrisos, meus cantos.
Desça já do meu palco, figurante malquisto
Pois desse sentimento misto
Eu quero me livrar.
O muito prá mim é pouco,
E é com a alegria de um louco
Que eu quero me esbaldar.
No meu palco, minha vida é a arte.
Sei que sonhar faz parte
E é apossada do meu roteiro que eu vou interpretar.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Quando a paixão vem...

Chega assim, sem avisar! Chega como um furacão. Arrebata. Domina. Toma teu ser, tua atenção, teus pensamentos. Não dá sinais. Olhares, gestos, sorrisos não são suficientes quando você pensa estar imune. Ela te pega, te estraga, te desvia. Vem com força, com fúria, com intensidade. Testa todos os teus sentidos. Testa principalmente a tua razão. Paixão acaba com a tua vida e com a tua morte. Mas desperta tua pulsão Eros. Deixa Tânatos de lado. Faz-te ser irracional. Paixão une mentes e corpos. Une olhares, mesmo que distantes. Faz-te viver, sonhar, idealizar, sentir. Apura os sentidos. Paixão mexe e remexe, cobre e descobre. Brinca de esconde-esconde com a emoção. Faz suar, faz tremer, faz ofegar, faz acelerar. Paixão provoca tuas glândulas, gera adrenalina, serotonina, sem mesmo um toque. A paixão despreza qualquer prova viva de convivência, de conhecimento, de consciência. Paixão é animal, instintiva. Paixão é puro Id, é puro desejo. Paixão te aprisiona. Paixão é isso. Sentimento que faz a gente viver, pensar e escrever sem muitos nexos.

domingo, 3 de maio de 2009

Tempos mudados...


Conversa de mãe e filha em pleno século XXI:
Mãe: Filha, e então como você anda, como estão seus relacionamentos, namoro. Afinal, perto dos 30, já á hora de pensar em casar!
Filha: Existe hora prá casar, mãe?
Mãe: Sim, filha. com a sua idade, eu já tinha meus três filhos.
Filha: Mas garanto que você não tinha uma profissão, ou melhor, duas! Nem uma pós graduação e nem dois idiomas fluentes.
Mãe: Não, filha, as prioridades eram outras.
Filha: Pois bem, mãe, hoje as prioridades também são outras.
Mãe: Mas filha, você tem que pensar no amor, no príncipe encantado, encontrar o homem da sua vida.
Filha: Sem essa de príncipe encantado, eu já passei dessa idade!
Mãe: Mas filha, você não se imagina num lar, dona de casa, cuidando de seu marido e dos seus filhos?
Filha: Mãe, eu me imagino em casa. Sozinha. Com a minha empregada. E no máximo um cachorro. Não posso negar que ter filhos é um sonho. Mas abro mão disso se for prá ter um marido e ainda ter que sustentar a casa e fazer os serviços domésticos para ele.
Mãe: Mas minha filha, e o casamento?
Filha: Mãe, não acredito mais em um amor e uma cabana. Não creio mais no amor como sustento de um casamento. E infelizmente vejo hoje o casamento como uma instituição falida.
Mãe: ...
Filha: Você se importaria de não ver a sua única filha entrando de branco vestida de noiva em uma igreja???

* Desculpem pela falta de poesia no post do dia. A frieza que me arrebatou hoje me impede de qualquer rima. Espero que ela passe...

** Essa mesma frieza também me faz desistir dos meus maiores sonhos como casar, ter filhos, um marido apaixonado e uma família feliz!

sábado, 2 de maio de 2009

Chegando da balada (?!)

Madrugada - quatro da manhã. Acabo de chegar. Suor. Maquiagem borrada. Cheiro de cigarro. Saio da balada muito puta por ser mal atendida. Enfrento fila de uma hora prá pagar míseros água, suco e couvert artístico. Deparo-me com um bando de gente que quer levar vantagem e não respeita a ordem. Discuto com um péssimo gerente que não organiza e falta com o respeito. Fui por motivos bons. Comemoração, amigos, música. Saí por péssimos motivos. Por mais que seja interessante observar as pessoas. Eu já não pertenço mais a esse mundo. As músicas são do meu passado. As conversas, sobre relacionamentos. As trocas de olhares de sempre, que não mudam, de pessoas desesperadas por encontrar algo ou alguém. Ou por encontrar a si mesmas. A beleza cheia de vazio. A fala quase sem conteúdo. Enfim, saio da balada. Pego a avenida a oitenta por hora e a essa hora percebo que ainda há vida. Luzes na cidade acesas, pessoas saindo para o trabalho, pessoas chegando de outros lugares e em outros lugares. Ainda há movimento. Mas minha cabeça permanece na lentidão da percepção de não me adaptar. Ouvindo Pearl Jam, canto alto acompanhando Jeremy com Eddie Vedder: "Try to forget this, try to erase this, from the blackboard!".

Madrugada - quatro da manhã. Eu, aos vinte e nove chegando da balada e percebendo que não pertenço mais a esse mundo. Preciso encontrar o meu.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Às quartas de Freud!

Psicólogos são como anjos. Freud é Deus e tem seus seguidores - os santos. Mas quem faz as informações chegarem aqui na Terra são os anjos - os psicólogos. Anjos, costumeiramente, têm como missão levar-nos para o bom caminho. Assim fazem os psicólogos. Da mesma forma que não entendemos muitos caminhos que às vezes os anjos nos levam, acontece com os psicólogos. Saímos arrasados de algumas sessões. E hoje doeu. Foi na ferida. Lá dentro do íntimo. Bem no Id. Onde moram as pulsões, os instintos, o arcaico. Fez remexer, fez remoer, fez relembrar, fez chorar. Foi um tiro certeiro que Freud, com toda sua sabedoria, através de seus seguidores santos e meu anjo psicóloga me deu. Fez-me trair a mim mesma. E pior: negar essa traição. Assim como Deus coloca as tentações na Terra, Freud coloca os mecanismos de defesa. E eu neguei, com toda veemência. Uma verdade dura, cruel, feia que se esconde dentro de mim. Mas que, em atos falhos, acaba escapando. E assim os anjos pegam em nossas mãos e nos guiam. E, como os encontros de Freud, em seus grupos de estudo, aconteciam às quartas-feiras, acontece meus encontros com o anjo. Nem sempre suaves e mágicos como nas lendas. Mas certamente me guiando ao caminho melhor.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

30 de Abril de 2009

Hoje faz um mês que tudo aconteceu. Tomamos a decisão final, depois de dias e dias seguidos de brigas e brigas. Não aguentávamos mais. Não nos aguentávamos mais. As diferenças gritavam entre nós. Talvez diferenças essas que queríamos ter prá si próprios, mas não conseguimos. Não soubemos nos adaptar. Não usamos os obstáculos a nosso favor. Não fomos inteligentes. Fomos apenas diferentes. E hoje, 30 dias depois, ainda há uma ligação. Não sei ao certo explicar como, não sei ao certo dizer qual. Mas a ligação está aí. Talvez por ao teu lado eu ter vivido momentos tão especiais. E também, ao teu lado, eu ter aprendido tanta coisa. Sobre mim e sobre o mundo. Menos sobre você. Por isso, não demos certo. E hoje, 30 dias depois, ainda penso nas diferenças.

Hoje faz um ano que tudo acabou... Saí de casa sem ao menos dar "tchau". Abandonei um amor genuíno e outra possibilidade de amar. Em contrapartida, abandonei angústias, apelos, sentimentos egoístas. Abandonei a hipótese de ter uma vida infeliz. Engraçado o quanto éramos parecidos! Eu era você mulher e você me era, um grande homem. Mas, mesmo assim, não soubemos nos fazer felizes. Não usamos as semelhanças ao nosso favor. Não fomos inteligentes. Um marco, certamente. Um divisor de águas. Nossas vidas mudaram depois que se cruzaram. Nós mudamos depois que convivemos. E como o convívio era bom quando tudo estava bom. As melhores lembranças vêm de você e de cada momento feliz que vivemos juntos. Mas principalmente de todo o amor que depositamos nessa relação. Sei que não foi unilateral. Mas não deu certo. Porque éramos muito iguais. E hoje, 365 dias depois, ainda penso nas semelhanças.

Hoje, 30 de abril de 2009. Eu resolvo deixar prá trás tudo que já fez parte de mim. E partir. Prá outra, prá outras, prá outro. Prá sempre. Viver minha vida sem resquícios. Sem recorrer ao que já passou e não deu certo. Sem deixar pistas. E sem buscar por elas.


quarta-feira, 29 de abril de 2009

Just like Carrie Bradshaw!

For the third time I'm starting to watch Sex and The City - the complete season - over and over again. With no subtitles this time! I don't know why, maybe because I identify myself with those characters. Not only Carrie, who is always looking for an explanation of those failed relationships. But mainly with her, because she is who writes in the novel. And every night I see myself on the bed with my notebook in front of me, just listening to my lamentations. But also with Miranda, who sometimes tries to see happenings by the rational view. I realize some Charlotte things in me too. I dream with a romantic love. But it would be a great idea if he was handsome and rich and gentleman. And there is a lot of Samantha Jones here inside. I like sex. Very much! I just don't practice that so many times I would like to. But the novel really inspires me. Those are the twenty something minutes I just turn off from the rest of the world. And watch any scene from S&TC simply make me forget about all my problems, my doubts and my fears. Although, which is the woman who wouldn't like to have a Mr. Big as your partnership and, on the blanks, enjoy the company of Aidan? With meetings and failures in meetings, they are living their lives. Happy or not, they are simply living. Maybe on an intense way. Maybe that's the reason why I identify myself with those four beautiful women... I can see each of them in only one: ME!



* This is my first post in English. I'm sorry for those who don't know the language. But this is just a need to practice it. And for my international readers also! Why not?

terça-feira, 28 de abril de 2009

Eu ainda te sei...

Ei! Você aí!!! Que tá aí sentando, em frente ao seu computador, agora, brincando de escrever... É, você mesmo! Tá simples olhando desse ângulo, né?! Tá fácil!!! Falar é fácil. Exigir é fácil. Julgar é fácil. Mas quando eu quis te trazer pro meu mundo, você não aceitou. Quando eu quis te mostrar aqui dentro, você preferiu não ter que enxergar. Porque, segundo suas concepções e valores, prá que conhecer de verdade alguém? Você corre o risco de não gostar do que está lá. Pois é, pois eu sempre fui a corajosa. Eu sempre dei a cara a tapa nas minhas sessões de terapia. Freud sempre tentou explicar meus erros, mas não justificá-los. Ele sim quis me mostrar que eu não era culpada pelas minhas fraquezas, mas sim responsável por fortalecê-las. E você? Covarde, não teve a mesma coragem de se encarar. De se olhar de frente. Sabe por que? Porque talvez você conhecesse algo aí dentro que pudesse não gostar. E eu não, mesmo com o que não gostava continuei tentando. Quis te mostrar que o que fazia, não era por mal. Queria, de qualquer forma, te fazer entender que esse meu jeito não tinha justificativa mesmo, e que poderia ser mudado. Aprimorado. E sabe a única coisa que eu quis de você? Paciência! Não, acho que eu quis um pouquinho mais... Esforço!!! Dedicação, completaria todos os meus desejos de você. E sabe o que eu tive? Bem, você sabe o que eu tive... Enquanto eu estou aqui hoje, lutando para ser uma mulher melhor, você está aí, com demagogias a respeito do meu ser. Meu ser torto, mas sempre verdadeiro que você tanto critica. Porque você não aceita que as pessoas têm os dois lados. Que todos têm os dois lados. Inclusive você! E a simplicidade que você tanto sustenta não é tão simples assim. Ao menos a sua. Não é o que vejo! Porque você não me mostra, não se mostra. Não confia. Talvez, não seja confiável. E hoje se coloca nessa postura de superior apenas prá que? Prá não se sentir inferior. OK, senhor razão! Se isso te faz bem, sinta-se livre para fazê-lo. O que eu quero é te ver bem, mesmo enlameada com injúrias e injustiças. Nunca quis te possuir, apenas te quis ao meu lado nessa viagem. Mas, infelizmente, eu não pude lhe proporcionar a perfeição que o senhor desejava. E que nem aos seus pés ela existe. Portanto, continue assim, feliz, em sua superioridade, julgando a fraqueza dos outros e sem coragem para olhar para as próprias.
* Acredito que você não me saiba mais. Mas, infelizmente, eu ainda te sei...
** Pois é, prá que serviram os gozos e os movimentos e os encaixes perfeitos se foi só isso que restou?

Sobre a verdade de cada um...


Encontro casual:
- Olá!
- Quem é você?
- Eu posso ser o que você quiser!
- Não acredito em gênio da lâmpada...
- Não falo disso. Digo da tua verdade que você põe sobre mim.
- E como você sabe qual é?
- Eu não sei. Só você sabe. Mas vou senti-la certamente.
- Se você me dissesse, ficaria mais fácil.
- De nada adiantaria. Eu falaria o que penso que sou ou o que gostaria que você pensasse que fosse. Mas só você me verá com teus olhos. E eu acabarei sendo quem você deseja que eu seja.
- E se você não for?
- É a maior possibilidade.
- E quais as consequências?
- Diretas? Nenhuma. Indiretas? Frustração, decepção, ilusão.
- Aí então a culpa é sua?
- Não.
- Como não?
- A culpa é única e exclusivamente sua. Ninguém mandou não me ver simplesmente do jeito que sou.
* Essa é minha 100ª postagem. Em menos de um ano, 100 posts entre desabafos, poemas, alegrias, tristezas. Tudinho dividido com vocês. Às vezes muitos. Outras, poucos. Em alguns momentos, ninguém. Mas todos aqui, registrados na tela dos computadores. Do meu coração direto para a web. Aqui me encontrei, cresci e me desenvolvi e esse blog já faz parte da minha história. Aqui, eu fui a minha verdade. Mas também a verdade de vocês. Porque ela nunca é uma só. E por aqui estarei construindo e destruindo verdades... Minhas e suas!

Os avisos


Eu te avisei. Naquela primeira conversa, quando nos vimos pela primeira vez, quando pessoalmente nos encontramos. Eu disse da minha intensidade. Falei que minha vida era uma montanha-russa, embora eu quisesse transformá-la numa roda-gigante. Falei do meu ciúme. Disse que era possessiva. Assumi, nua e cruamente meus defeitos. Eu te avisei. Disse que gostava de sair, que gostava de música eletrônica, que gostava de baladas, que gostava de shopping. Avisei. Você soube do meu contexto, das minhas aventuras anteriores, do meu passado. Eu te avisei. A todo momento dizia que tudo na vida comigo quando bom, era muito bom. Mas quando ruim, era pior ainda! Mesmo assim você quis. Insistiu em não querer ser mais um looping na minha vida e eu aceitei. Eu aceitei porque eu acreditei que você gostou do que eu te apresentei. Aceitei porque cri que você quis o que eu te avisei. Nos teus olhos estavam a certeza de que eu era exatamente o que você queria. Nos teus braços senti a proteção de quem protege um tesouro encontrado. Mesmo com tantos avisos, você me envolveu e me cativou. Fez-se de anjo, de alma, de metade. Fez-me disso tudo também. Nos completamos enquanto nos idealizamos. Mesmo eu te avisando, você me idealizou. Bastou o tempo chegar que tudo veio à tona. Os avisos se tornaram desnecessários. Os corações se repeliram. As verdades se contradisseram. E hoje, estou eu aqui e você aí. Cada um no seu mundo. Provavelmente se perguntando o que tivera acontecido. Possivelmente lamentando ter sido tanto em tão pouco tempo. Certamente sofrendo pelo que acabou e mal tinha começado. Mesmo assim, eu te avisei. Mas não soubemos conduzir as diferenças. Apesar delas já sabidas antes de todo esse muito pouco ter começado. Eu te avisei que eu não era pouco. E que prá estar comigo precisava muito. E mesmo assim você quis. E mesmo assim eu acreditei. Agora está cada um no seu canto remoendo tais avisos. Lamentando tais erros. Talvez até mesmo esquecendo do que aconteceu de bom. Porque agora só ficou a dor, a saudade e os avisos, ecoando em nossas cabeças e corações.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Vontade de calar

Às vezes sinto isso. Vontade de calar. Apertar o mute para todos os sons, para todos os ruídos, para todos os cantos, para todos os ritmos. Quero calar as vozes. Dos outros. Minhas. Dos meus pensamentos. Vontade de calar o mundo. De parar o movimento da terra. De calar meu coração, calar meus poros, calar minha respiração. Vontade de calar tudo que atrapalhe minha linha de raciocínio. Na verdade, vontade de parar minha linha de raciocínio. Quem sabe, torná-la uma curva. Vontade de calar as buzinas, os latidos, as ambulâncias, a novela. Calar a boca, a língua, os dedos, a mente. Calar para funcionar. Para retomar. Para refazer. Calar para falar depois. Mas, por um momento, apenas calar. Ouvir o som do silêncio. Pensar no nada dos pensamentos. Sentir a paralisia dos movimentos. Respirar a falta de ar. Só por alguns instantes. Tempo suficiente prá limpar, neutralizar, purificar esse eu que já está tão cheio de marcas, de pensamentos e de vozes. Pouco tempo. Pouquíssimo. Tão pequeno que nem desse tempo de sentir. Apenas calar para des-sentir o tudo que já foi sentido. Apenas calar para re-sentir quem eu sou. Às vezes me dá essa vontade de calar...

Um dia comum...



Acordando


Espreguiçando


Trabalhando



Encarando



Arriscando


Resistindo



Caindo


Machucando


Lamentando




Levantando




Celebrando



Admirando



Viajando




Refletindo


Ensinando




Escondendo




Desejando




Beijando




Transpirando




Respirando




Purificando





Sorrindo




Agradecendo




Sonhando




Dormindo
Eu viro a cara prá parede e dou as costas pro mundo.

domingo, 26 de abril de 2009

De flor em flor


Eu sou um beija-flor. Famoso por possuir as batidas de asas mais rápidas entre os voadores. Colorido, atraio olhares por onde passo. Diariamente, vou de flor em flor tentanto encontrar o pólem ideal. Aquele com gosto mais doce. Já provei de todas: girassóis, margaridas, copos-de-leite, flores do campo. Mas ainda continuo na busca. Os humanos sentem por mim uma mistura de amor e ódio. Porque, ao mesmo tempo que embelezo seus caminhos, faço com que as flores morram. Todas que passam por mim secam depois que eu sugo todo seu interior. Mas eu não tenho culpa. A natureza me fez assim. E esse é o ciclo. Eu preciso das flores prá me alimentar. Os humanos precisam de mim prá me admirar. E o círculo assim se fecha. Eu, porém, continuo infeliz. Porque a cada flor que beijo, morre a esperança de ter encontrado o pólem mais doce. Mas morre também a vida daquela flor. E eu continuo na busca. Espero um dia ainda encontrar esse pólem. Aquele, que me dê o gostinho certo, que caia de jeito nas minhas papilas gustativas. Nem que seja o último. Porque quando eu encontrar, morrerei ao lado da flor seca enquanto eu sugo. E que for a flor certa prá mim.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Preciso dormir...

Garçon, por favor! Traga-me um whisky on the rocks. Melhor, dois. Não, três doses. Porque eu preciso dormir. Misture com alguns comprimidos de Rivotril. Se possível, doses de Lexotan também. O que? Vocês comercializam injeções letais? Uma, após os whiskies e os comprimidos. Porque eu preciso dormir. O tempo que for. O necessário para esquecer. Esquecer a dor que eu sinto, esquecer as lágrimas que escorrem, esquecer as palavras que leio. Esquecer os absurdos que ainda se passam na minha mente. Preciso deixar de lado essa busca por algo que não está mais no meu caminho. Parar de sofrer por alguém que não faz mais parte da minha história. Ignorar acusações injustas. Dar as costas para calúnias. Superar injustiças. Quero dormir o tempo que for para apagar as lembranças. Tirar da memória o que de bom que me fez feliz e o que de ruim que me faz chorar. Preciso dormir para paralisar a minha vida enquanto a dele segue. Mas eu não quero acompanhar. Preciso dormir para desligar, desvincular, desconectar, de uma vez por todas. Preciso deletar da minha vida os rastros que ainda restam. Preciso parar de procurar pelas pistas. Deixar de seguir um rumo. Preciso dormir prá desaprender. E depois, acordar prá reaprender. Garçom, quando vir que tudo isso já passou, me acorde por favor?!

quinta-feira, 23 de abril de 2009

(Mais um) Plagiando... - III


Por mais que as palavras sejam belas,
escrever é fácil!
A convivência exige muito mais...

A natureza fugaz em mim...

Não me assusto com os brilhos das estrelas. Nem me protejo das rajadas de vento. O mar, quando bravo, não me dá broncas. A chuva, quando forte, não me faz sentir mais fraca. Alimento-me das tempestades. Mato minha sede com as gotas que caem do céu. Revigoro minhas energias com os raios que atingem a terra. O sol não me queima. Nem o mormaço me danifica. A areia não me faz sentir menor ao seu lado, posto que é dela que sou feita. Como uma escultura na praia, sujeita à brisa do mar, que não se desfaz. Nas raízes das árvores renovo minhas forças. Na sombra de seus galhos, refresco meus pensamentos. Perfumo-me com o cheiro das flores. Banho-me com a garoa da cidade. Embarco na correnteza do rio. E enfrento suas quedas sem medo. Porque a natureza corre em minhas veias. E à ela eu me misturo. Forte, grandiosa, DONA, de tudo aqui.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

E a dor?


E a dor dói. Continua a doer. Ainda forte, dói. Mas é uma outra dor. Uma dor diferente. Não mais a da tristeza. Não mais a da saudade. Não mais a dos lamentos. Não mais a dor da impotência. Muito menos a dor perda. Nem do arrependimento. Dói a dor do descaso. A dor do pouco caso. Dói a dor da mágoa. Dói a dor da inverdade. Dói a decepção. Mais ainda dói a frustração. Dói o fim da idealização. Dói o fim da ingenuidade. Dói o fim da serenidade. Dói as falsas lembranças. Dói os falsos personagens. Dói as máscaras. Dói as quedas. Dói a raiva - por que não? Dói a abnegação. A dor permanece. Ela não vai embora. Assim como o amor. Apenas se transforma. Mas seria isso transformar o amor em dor? Ou simplesmente transforma-se a dor?!

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Eu tô te descobrindo... É, eu tô te descobrindo!!! Por que que, ainda, depois de dias, semanas, quase mês, ainda tô atrás de ti??? E pior: EU TÔ TE DESCOBRINDO!!! Porque enquanto eu não te sabia, eu te amava. Enquanto eu te idealizava, eu me apaixonava... Agora, eu só sei quem você é. Eu sei quem vocè é e só! Um igual, um qualquer, mais um. Assim como eu fui prá você. Nada especial. Uma igual. Uma qualquer. Apenas mais uma. Uma que quis, na marra, pegar uma carona no teu guarda-chuva! Mas não deu... Porque provavelmente ele era pequenininho demais prá nós dois. Ou eu era grande demais prá ele e prá você. Não sei. Só sei que estou te descobrindo e descobrindo que você é uma mentira! Estou descobrindo que era tudo encenação. Descobrindo que existia um papel em que eu acreditei. Que por que não era transparente comigo? E por que fala prá mim coisas que eu queria ouvir enquanto para os outros fala o que quer dizer? E por que ainda sofro com isso? E por que ainda choro por isso? Por que ainda, mesmo te descobrindo e não gostando do que descubro, ainda sinto isso? Fica tranquilo, agora estamos longe. Eu não quero mais te descobrir. Eu não vou mais procurar por ti. Nem nos meus pensamentos. Nem nos encontros noturnos. Porque eu tenho medo de descobrir e esquecer o que um dia encontrei.

E eu encontrei...


Encontrei a alegria onde menos esperava. No banho demorado, no sabonete cheiroso, no cabelo bem cuidado. No guarda-roupa, na vestimenta, na maquiagem, no perfume. No meu carro, no CD player do meu carro, na música que cantava em alto e bom tom. Encontrei a alegria na casa da amiga, na companhia das amigas. A alegria estava ao meu lado na poltrona do cinema, na tela do cinema, nas risadas conhecidas e desconhecidas. Também estava lá no restaurante comendo de hashi, dividindo-se entre mim e o resto do mundo. A alegria estava na praia, no mar calmo, no azul do céu. Estava no brilho do sol, nos raios, nas raras nuvens. Estava na areia, no reflexo da luz do sol nas ondas, nas ondas do mar. A alegria estava no pastel de pizza com suco de abacaxi. A alegria voltou comigo prá casa. Estava em meus pensamentos, no meu sorriso, no meu olhar. Tomou banho comigo, deitou ao meu lado de cabelos molhados e dormiu um sono relaxante. A alegria estava em meus sonhos. E nesses sonhos eu sonhava que a alegria estava bem perto. Na verdade, eu realizava que a alegria estava aqui, dentro de mim.

sábado, 18 de abril de 2009


Ontem eu dormi com a alegria e hoje acordei com a tristeza. O que terá acontecido??? Elas trocaram de lugar durante algum sonho ou pesadelo? Não sei. Só sei que vou levantar, expulsar a tristeza daqui e correr atrás da alegria. Porque é ao meu lado que ela deve estar!


sexta-feira, 17 de abril de 2009

Quando a mudança vem!

É uma onda que te assola. Você precisa esquecer, ouve gritos em sua mente. O mundo não vai parar prá te esperar mudar. E nada de fato espera. Você perde sua memória, perde seus registros, perde seus acessos. Perde celular, perde agenda, perde fotos, perde pen drive. Perde o rumo, perde o caminho, perde a hora, perde a noção. Você simplesmente tem que mudar. Deixar de lado o que não meis lhe serve. Deixar prá trás o que um dia foi presente, mas hoje é passado. Mudar atalhos, alterar senhas, reorganizar ícones. Reconfigurar. Arrume o guarda-roupas, troque os lençóis, lave o carro. Faça outro caminho, veja outras pessoas, mude de lugar. Mude sua visão, sua ótica, sua perspectiva. Mude a roupa, mude o cabelo, mude os brincos, renove a pele. Use outro perfume. Deixe uma nova marca. Mude de site, mude de orkut, mude de e-mail. Mude de telefone, mude de endereço, mude de trabalho. Mude o nome, mude o documento, mude a certidão se for preciso. Mude de humor renove as energias, reabasteça as esperanças. Mude seus hábitos, mude suas crenças, e se preciso sua essência. Mude sua natureza. Mude os planos, refaça as metas, mude os meios. Pegue as rédeas. Assuma o controle. Não tenha medo. Porque uma hora ela chega. Te aperta. Te sufoca. Te prensa contra a parede. E você precisa mudar. Porque quando a mudança vem, não dá prá esperar. E não há mais o que esperar. Simplesmente, mude!

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Plagiando... - II

"Quero
minha risada mais gostosa
esse meu jeito de achar
que a vida pode ser maravilhosa..."
VITORIOSA!

Chega!


Chega de lamentar pelo que não foi vivido. E de sentir falta dos acontecimentos. Chega de dor. Chega de tristeza. Chega de lágrimas. Chega de dúvidas. Chega de arrependimentos. Chega de contar os minutos de vazios. Quero voltar a encher meus dias de tudo. Quero tudo novo. Só não quero vida nova porque ela continua a mesma. O que muda é o olhar que temos sobre ela. Aliás, quero meu olhar de volta. Quero de volta o brilho dos meus olhos. Quero a luz do meu sorriso. Quero meus suspiros de sonhos. Quero, meus ais de desejos. Quero alegria. Quero felicidade. Quero intensidade. Quero conflitos. Quero crescimento. Quero evolução. Quero discussão. Quero conclusão. Quero admiração. Quero o raio do sol. O pingo da chuva. A cor do arco-íris. Quero de volta o sentido. Quero de volta a rotina. Quero mais surpresa. Quero mais suspiro. Quero mais vida de volta à minha vida!

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Relembrando. Remexendo. Remoendo. Resgatando.
Repreendendo. Reprimindo. Resguardando. Repondo.
Reparando. Recriando. Resignificando. Refletindo.
Reanimando. Respirando. Reaprendendo. Reconsiderando.
Reerguendo. Recomeçando. Restabelecendo. Reconstruindo.



Resumindo. Revivendo.

Prá cuidar


[fica bonzinho, coração]

The show must go on!


E a vida continua... Mas agora diferente. Um pouquinho sem graça, um "cadinho" triste. Sem você. Sem a sua alegria. Sem as suas besteiras. Sem as suas irritações. Ela apenas segue. O cinema segue. A praia segue. O teatro segue. A sonequinha de domingo à tarde segue. Tudo voltando ao normal. Mas continuando anormal sem ter você. Porque por mais que eu apague fotos, guarde bilhetinhos, e exclua todos os seus sinais concretos da minha vida, você ainda está aqui dentro de mim. Ainda, mil acasos me levam à você, não sei se você percebeu. Mas não sei ao certo o que esses acasos querem me dizer. Só sei que te carrego aqui, com todo carinho, com toda posse, mas talvez com todo amor que alguém possa sentir. Retomo meu brilho, retomo minha alegria, retomo meu rebolado. Novos planos, novos desafios, novas perspectivas. Sem muitas expectativas porque elas só servem prá nos trazer frustração. Mas com muita esperança de ainda ser feliz. Mesmo com você guardadinho aqui dentro de mim.

terça-feira, 31 de março de 2009

Plagiando...


"São as águas de março fechando o verão
Transformadas em lágrimas no meu coração"


Dói... Ô, dói...


Ontem à noite

Olho as estrelas para não ter que ouvir tua voz.
Mas quando ouço, não enxergo as estrelas por causa das minhas lágrimas.
E quando volto a ver as estrelas, você não está mais lá.
Eu não quero trocar você pelo brilho das estrelas.
Volta prá eu poder te ouvir?

Meu mundo


E de repente eu quero fazer um cercadinho. Só quero ficar quietinha porque aqui dentro já é tudo muito confuso. E eu não quero misturar minha confusão de dentro com a amarga leveza de fora. Porque ela é hipócrita. Porque o mundo é todo complexo. Mas nem sempre essa complexidade é aceita. Por isso eu quero ficar aqui, no meu mundinho. Como se brincasse de playmobil.


quinta-feira, 26 de março de 2009

Não querer


Não faço mais parte desse mundo. Olho fotos, vejo sorisos, leio frases. Não, eu não estou mais lá. Sozinha no meu canto tento ouvir a voz interior. E o que ouço apenas são ecos sobrepostos que me impedem de entender claramente as respostas de perguntas que não sei quais são. Estou no meio de um labirinto de portas trancadas. Mesmo assim, não sei prá onde correr. Tudo perdeu o sentido. Corri atrás de sonhos e sonhos agora correm de mim. Já não sei o que sonhar. Queria tudo e tudo consegui precocemente. Mas o tudo que quis não era bom prá mim. Não me fez feliz. E agora eu tenho o nada. E não tenho mais o que querer. Ou não sei o que querer. Ou tenho medo do que querer. Deparo-me com um defunto vivo de mim mesma. Um corpo que parece já ter experimentado todos os prazeres e as dores e agora perdeu seus sentidos. Já não me surpreendo mais. Já não me comovo mais. Já não me decepciono mais. Já não me alegro mais. Todos os meus objetivos, meus cursos, meus diplomas não me acrescentam nada, absolutamente nada. A teoria virou uma formiguinha perante o monstro que é a prática. E agora a ação se esvaiu.

Querer

É, a coisa tá ficando difícil, tá ficando pesada. As palavras estão dramáticas. A dor está escancarada. E de nada adianta eu querer mudar. Mais um dia sem você. Porque cada dia sem você tem sido como uma reunião no AA. E não adianta eu dizer meu nome, minha idade e quantos dias eu estou sem meu vício que é você. Não adianta mais querer. O querer passou a não fazer mais sentido. Por mais que eu chore, esperneie, e faça aqueles dramas que eu apendi quando tinha 3 anos, não vai adiantar. Eu queria muito, a leveza que senti quando tinha você. E que perdi porque não aprendi a ser leve. Eu queria tentar, mas sei que não adianta nem querer e nem tentar. Porque a gente vai dar voltas e voltas e vai parar no mesmo lugar. Já sabemos o que é o certo. E não podemos insistir. O problema é a tal da vida sem você. Como é mais dura. Como é mais sem graça. Parece que eu perdi meu brilho. Parece que eu perdi meu rebolado. Parece que me perdi. Eu sei que não passa de ilusão, do luto de sua perda. Eu sei que vai passar. Porque passa. Só sei que não estou aguentando mais. Meus amigos não aguentam mais. Meu corpo não aguenta mais. Meus leitores não aguentam mais. Eu quero a vida de volta, a minha vida. Peculiar. Particular. Vida que tem desejo, que tem força, que tem intensidade. Porque eu não quero mais sofrer. Eu queria você. Mas já que não posso querer, Ao menos me quero de volta. Porque eu sinto saudade de você. E saudade de quem eu era quando estava com você. Agora, sinto saudade de mim.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Tá foda! - II

É, e eu continuo falando palavrão mesmo sabendo que você não gosta. Acho que sempre fiz coisas que você não gostava justamente prá te mostrar que eu era uma boa pessoa, apesar disso. Mas, mesmo depois disso, acabou me restando a vida. Será que por isso também te perdi?
E ontem acabou o dia... Sabe como? Comigo percorrendo o trânsito com os olhos por todos os vãos prá ver se te encontrava, assim, sem querer. Virando na esquina de casa e avistando o meu portão antes de tudo, prá ver se você estava lá me esperando. Encontrando você no msn e tendo um papo de amigo, quando no fundo eu queria dizer que te amava e pedir prá voltar. Sabendo que você teve um dia péssimo e estava mal pelas ciscunstâncias e eu nem podia fazer carinho na sua franjinha. Entristecendo ao ver que você também tirou todas as nossas fotos do seu orkut e também deve ter lembrado de cada pedacinho da nossa história e ter ficado indignado por tudo acabar assim. Desejando pegar o telefone e te ligar prá acabar com todo esse pesadelo que estamos vivendo. Emocionando com mais um paredão no Big Brother e sem ter você prá me criticar. Chorando, mais uma vez, por ter um vazio, um buraco e uma dor ao invés de ter você. Dormindo, prá tentar esquecer de sentir o vazio, o buraco e a dor. Acordando, prá continuar vivendo a vida que me restou. Fugindo, prá tentar sobreviver nela sem você.
E hoje é outro dia. Mesmo assim, continua foda ter só a vida!

terça-feira, 24 de março de 2009

Tá foda!

É, eu sei que você não gosta que eu fale palavrão. Mas não tem expressão melhor prá definir o que eu tô sentindo. Tudo bem, são só alguns dias. Alguns minutos, talvez. Fora aqueles minutos que tentamos estar bem e, em fração de segundos, destruímos tudo por diversas vezes. E sempre tentamos voltar achando que vamos superar. Então, tá foda perceber que dessa vez não haverá mais tentativas. É, tá foda não ter você prá validar minha existência. Porque além de você, eu tenho só a vida. E o que é a vida sem você??? A vida é ir prá São Paulo, estar de TPM, comprar um notebook, ter dívidas prá pagar, chorar pela morte de um bebêzinho. Ter você é poder dividir tudo isso. Mesmo que eu te fale que só quero te ver aos fins de semana e só vou dividir meus problemas com as minhas amigas. Mentira! Esses são gritos desesperados prá te pedir prá vir me ver todos os dias e desvendar todos os meus segredos. É dessa maneira intensa-louca-psicótica que eu digo que tá foda! Foi difícil chorar até soluçar pela morte de um bebêzinho de 4 dias e não ter você me dando colo e me consolando. Foi mais difícil ainda perceber que não temos poder nenhum sobre essa bosta dessa vida e não ter com quem compartilhar meus momentos de reflexão. Sabe, doeu tirar todas as nossas fotos do orkut e lembrar de cada pedacinho da nossa história. Queria que você soubesse. Pior foi ficar até tarde fazendo isso e ter que acordar cedo prá encarar a serra na segunda-feira. Você tem idéia de como eu odeio isso, né?! Pior: estar de TPM, inchada, com olheiras e mau-humorada. Nossa, aquele seu carinho na minha cabeça era essencial prá mim nessa fase! Me fazia sentir que, além de uma bruxa pavio-curto de TPM, eu era uma pessoa legal. Ontem comi no japa e nem pude te contar. Tava frio no fim do dia, não fui prá academia e você nem brigou comigo. Tentei preparar minha aula de hoje mas fiquei três horas e meia em frente ao computador e não saiu nada. E agora eu preparo as aulas no meu notebook com 3G de memória e processador Intel dual core e você nem sabe da existência dele. Eu curtindo uma felicidade amarga porque tenho meu notebook e não tenho você. Mais uma vez dormi tarde e nem recebi sua ligação prá dar boa noite. Mais uma vez acordei cedo e nem recebi sua mensagem de bom dia porque sei que você acordou mais cedo do que eu e nesses dias eu quase sempre recebia. Assim eu vou vivendo a vida porque antes eu colecionava os momentos prá te contar. Hoje eu apenas os coleciono. Porque sempre que eu te contava, sentia uma plenitude de completude dentro do meu pulmão. Era uma sensação boa de falta de ar gostosinha. E então tudo que eu pensava e vivia fazia mais sentido porque o seu olhar atento me dava o gostinho de existir. Era a hora que eu representava o mundo para a única platéia que me interessa. A hora que eu me irritava um pouco, porque fazia parte. Sem contar o que ainda está por vir: shows que queríamos tanto curtir juntos, filmes em cartaz, peças de teatro, viagem ao Sul do país, a praia aos finais de semana, o café no final de tarde. E ainda têm as músicas. As músicas que me fazem lembrar você. A tortura do rádio, do CD, do mp3. Não posso mais ouvir Nando Reis. Quem vai dar tchau? E agora é cedo, hoje ainda tem muito dia pela frente. Mas não importa, porque por mais dia que eu viva, não terei você prá compartilhar. Porque o final do dia é foda. Aquele horariozinho perto do fim da sua aula na faculdade que eu sempre ficava te esperando como criança que aguarda o Papai Noel - por mais que eu conscientemente odiasse sentir isso. A essa hora agora eu já estou de pijama na cama vendo o finzinho do Big Brother sem ter quem criticar o programa idiota. Daí, quando termina, me resta apagar a luz, recostar a cabeça no travesseiro e sentir o aperto no coração. Sim, percebo algumas lágrimas rolando e não tenho você aqui nem prá enxugá-las. Choro com gemidinho e você não ouve prá ficar angustiado. Penso na vida e adormeço prá fugir da dor que pensar nela sem você me dá. É, agora eu só tenho vida. E ela parece tão pequenininha sem ter você. Entendeu por que tá foda???

Recolha-me


E agora estou aqui. Em pedaços. Em picados. Em cacos. Por favor, recolha-me. Junte-me para eu voltar a saber quem sou. Eu estou meio porque só era nteiro ao teu lado. Porque estou perdida. No mundo e dentro de mim. Estou aqui aos prantos, em poças, em lágrimas. Por favor, seque-as. Recobre meu caminho, minha meta, meu espaço. Porque me sinto esparramada. Sem forma, sem cor, sem sabor. Porque não sei mais onde eu termino e onde começa o mundo. Perdi meus limites, meu rumo, meu horizonte. Estava tudo aí dentro. Por favor, abra seu coração, recolha-me e devolva-me. Porque eu preciso urgentemente do eu que está em você.

domingo, 22 de março de 2009

Transformações

O dia quase sem tempo dá lugar a uma imensidão sem fim. A terra firme passa a ser um buraco debaixo dos pés. O azul do céu é trocado por nuvens negras. A alegria que enchia o coração se deixa desaparecer pela tristeza que se forma no peito. As horas de sono tranquilo passam a ser minutos de uma insônia angustiante. O riso se desmonta em lágrimas. As verdades cedem passagem à razão. O eterno é terminado pelo fim. O amor que se transforma em força. A felicidade que sem explicação se torna tristeza. O olhar que se abaixa. A boca que silencia. Os beijos que se calam. As lágrimas que rolam. A dor. O ardor. O temor. Porque já não há mais palavras suficientes. O sentimento já não basta. A luta foi vencida. A emoção se surpreende. E o fim, enfim, vence.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Perdas e ganhos


E eu achei que fosse doer e não doeu. Quer dizer. Um incômodozinho, algo como uma dorzinha de barriga, uma pontinha de cólica menstrual. Mas nada grave para o que eu esperava de uma separação. Ver você fazendo as malas me pareceu estar assistindo um filme daqueles de amor mal sucedido. Assisti-lo sair porta afora pareceu um dos últimos capítulos da novela. Mas não, nada grave. Voltei prá cama que antes era nossa e agora é só minha. Liguei a TV em qualquer canal de coisinhas de menina e fiquei zapeando com o controle que agora é só meu. Devolvi as cartas com seu nome ao porteiro porque você não mora mais lá. Descobri cada canto da minha casa porque você os ocupava. Redescobri cada canto de mim porque você os roubou. Devolvi eu mesma a mim mesma porque você me roubou. Mas agora eu me estou de volta. Todinha prá mim. Com meu controle, com minhas cartas, com meus cantos. E cadê você? Perdi você? Não, fui eu que me ganhei!

Segredo

Ei, vem cá. Chega mais. Bem pertinho. Quero te contar um segredo. Baixinho, no seu ouvido, mas que todo o mundo já deve saber. Eu sei, faz tempo. Tempo que não nos vemos, que não nos falamos, que não nos tocamos. Faz tempo que nos olhamos, mas não nos enxergamos. Alguns dias, talvez, mas muito tempo. Esse mesmo tempo que passou e que nos fez sentir o diferente. Diferente do que o próprio tempo se encarregou de criar. Faz tempo que eu não te agradeço, ultimamente só te peço desculpas. Mas eu quero que você saiba. Pegue essas palavras e escreva-as dentro do teu coração para nunca mais esquecê-las. Por mais que outras palavras que eu fale te induzam a isso. Quero que você tatue OBRIGADA do lado esquerdo do teu peito. E lembre-se sempre que eu sou a autora dessa palavra prá você. Porque eu só quero te agradecer... Pela paciência com as minhas palavras amargas. Pela indulgência com meus sentimentos rudes. Pela humildade em reconhecer seus erros que eu aponto. Pela generosidade em partilhar comigo o amor que há dentro de você. Pela hombridade em me fazer sentir mulher. Pelos sonhos que você colocou nas minhas mãos. Pela sua didática que me faz aprender quem eu sou. Pelo respeito que te faz me esperar. Obrigada por ainda fazer minhas pernas tremerem, meu coração disparar e as bolhinhas azuis brilharem por você. Obrigada por ainda fazer parte da minha história.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Reflexões acerca do dia do aniversário...

Inevitável. Essa data me leva a refletir. Penso no que um dia fui, no que atualmente sou e no que ainda serei. Sim, porque ainda tenho muita vida prá viver. Assim espero. 29, com cara de 19 e idade mental de 9. Esses cálculos me aliviam. Mas me fazem pensar nas experiências que já tive, nas pessoas que já passaram na minha vida, na vida das pessoas que já passei. E na diferença que fiz. Ou não. Essa data me leva a pensar em todas as primeiras vezes que já vivi. E todas as vezes que disse que seria a última vez e não foram. Penso nos erros, nos acertos, nos altos, nos baixos, nas derrotas e nas superações. Mas calculo tudo como vitórias. Penso em como achava que a vida seria fácil. Hoje sei que ela é mais prezeirosa do que fácil. Penso em quando idealizava como seria meus 30 quando tinha 15. Hoje percebo que não era tão fácil como pensei... Os sonhos de casamento, filhos, apartamento antes dos 30 terão que ser adiados para antes dos 40. porque não dá mais tempo. Aliás, essa é a única certeza que tenho hoje, aos 29. A vida é curta, temos que aproveitá-la. O clichê de que o tempo voa e totalmente real. Por isso, sonho, faço e aconteço. E sigo, vivendo intensamente... Agora, rumo aos 30!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Quanto riso, ó! Quanta alegria...

Todo mundo vai prá todo lugar no Carnaval. E eu fico aqui. Uns vão à praia, outros ao campo e eu vou bem pertinho. Vou prá dentro de mim. Enquanto uns rasgam as fantasias, eu escondo as minhas. Entre viagens, escolho a minha viagem. Minha cachaça é água. Meu arlequim não chora pela colombina. Sou muito mais bonita que a camélia que morreu mesmo. Deixem as alas fechadas que eu vou ficar aqui. Eu sou sincera, Aurora. Tô quietinha no meu balancê. Eu só quero uma casca de banana nanica. Prá esconder o brilho da lua que brilha mais que o meu olhar. Mamãe, eu quero... Só não quero que me dê bandeira branca porque eu posso mais, muito mais! Por isso, vou deixar-te agora. Por favor, não me leve a mal. Hoje é Carnaval!

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Minha droga


Não. Ela não precisa quebrar fronteiras escondida em lotes de tráfico. Muito menos ser comercializada no mercado negro. Não se encontra em esquinas, em gangues, em favelas, em bailes funks nem em raves. Não é em pó, em pílula, em erva, em cigarro, em pedra. Ela é uma droga. Um substantivo. Abstrato. Que está dentro de mim. É produzida por mim. Faz pulsar meu coração, corre em minhas veias e me provoca alucinações na mente. Taquicardia, respiração ofegante, vertigem, visão turva. E por mais que use outra droga prá combatê-la, não consigo. Porque eu sou a única droga que pode derrotar essa droga. Porque estou aprendendo a conviver sem ela. Sou uma viciada anônima asumida. Sou a única que consegue fazer valer à pena a crise de abstinência. Sou meu único vício que vai me trazer prazer.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

O re(des)encontro

E finalmente eu me encontro. Após uma vida de lutas, de questionamentos, de conflitos, de inconformidades, eis que ela está aqui. A paz. A serenidade. O sentido. Os sentidos. Muita complexidade que se transforma em um conceito tão simples. O que imaginava ser difícil, tornou-se meramente fácil. Tolo. Mas que me traz uma felicidade imensa. Ou não. Apenas a calmaria. O normal. Parei de exigir da vida. Parei de exigir dos outros. Parei de exigir de mim. Deixei de ser a bruxa. Deixei de ser a princesa. Abandonei todas as personagens para simplesmente ser eu. Antes, na intensidade das minhas dificuldades. Hoje, na intensidade dessa simplicidade que me toma. O riso simples, o discurso simples, o pensamento simples, o gozo simples. Mas que me dá prazer. Da mesma forma. Ou talvez com mais segurança. Mas feliz aqui estou. Encontrada, reencontrada ou desencontrada comigo mesma. Porque agora eu quero recomeçar. Por isso me desencotrei. Para poder me encontrar novamente...

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Meu lado


O sono me entorpece mas as palpitações em meu peito não me deixam dormir. A dor da briga segue que me prende a respiração. Viro-me de lado, vejo-me de lado, do outro lado, do lado avesso. Um lado que não te completa. Um lado B. A contra-mão. O yin. A coroa. O bagaço. O que ninguém quer. Nem você. Porque o lado que vou te dar é o meu melhor, por pior que seja. E, por favor, não me vire, não me revire, não me remexa, não me desnude, não me mude. Apenas me deixe. Não só. Somente ser quem sou. Talvez assim eu consiga dormir.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Ano Novo...

Inspirações novas. Idéias novas. Projetos novos. Estarei de volta em breve... Inteira. Intensa. Como tem que ser!

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

É Natal!

Não foi à toa que Ele nasceu há alguns anos atrás.
Nem em vão que Ele lutou por nós.
E graças a Ele hoje estamos aqui.
Ganhamos a vida de presente!
Por isso, hoje comemoramos o Seu aniversário.
E por Ele, VIVA!
Festeje cada momento da sua existência.
Encare cada desafio como aprendizado.
Entenda cada obstáculo como oportunidade para vencer.
Repare seus erros.
Aprenda a perdoar.
Olhe para seu próximo como seu irmão.
Encha seus dias de amor.
E, acima de tudo, transforme, sonhos em realizações.
Acredite.
Tenha fé.
Por Ele, hoje, cabe a nós sermos felizes!

domingo, 14 de dezembro de 2008

Você me amaria mesmo que...

Tem um monstrinho aqui dentro de mim que eu às vezes tento domar. Já usei diversas técnicas cognitivo-comportamentais, li manuais dos domadores mais reconhecidos no universo circense, tentei injeções de morfina para acalmá-lo. Mas nem sempre consigo. É ele que me faz ficar muda e com cara de bunda após um comentário sem graça seu sobre sua ex-namorada. É ele que me faz cócegas quando vejo qualquer resquício de seus ex-relacionamentos em sua casa, em sua roupa ou em sua feição. É ele que me faz perder os sentidos nas pernas quando percebo que você atrasa, que você dá desculpa, que você faz pouco caso, que não faz questão. É ele que faz cair minha pressão quando imagino sua boca em outra boca, suas mãos em outros corpos e você dentro de outros alguéns. É ele quem me faz sentir louca e uma louca vontade de invadir o armário de tarjas pretas e fazer um coquetel só prá me tirar desse mundo psicótico. É ele que me faz dar showzinho, que me deixa com biquinho e que me faz prestar os maiores papelões na frente dos seus amigos. Não sei se vou conseguir domá-lo, mas por você eu faria. Queria poder controlar esse ímpeto que ele me desperta na ânsia de remexer tua carteira, revirar teus bolsos, fuçar teu celular, descobrir a senha do teu e-mail. Sim, é ele que me tira do patamar de mulher segura e de moça inabalável e indestrutível. É ele que me faz sentir fraca, menor, pior. E que me faz te ameaçar com a minha doença que só nós dois (eu e ele) entendemos. E ele quer que eu te traga prá esse mundo quando eu não consigo. Enquanto sou eu que quero sair desse mundo que ele me botou. Enquanto eu que quero tirá-lo de mim. Porque ele que me deixa com vontade de me rasgar toda. Mas quero me rasgar para que ele me desabite. Prá que eu possa, às vezes louca, me mostrar. Mas só. Na minha essência. E te faça me aceitar assim como sou, mesmo depois de tudo que eu pudesse ter feito por causa desse monstro que arrancara de mim...

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Quem sabe eu ainda sou uma garotinha...


Sim. Ainda estou ali. Escondida atrás das pernas da minha mãe. Por mais que não soubesse que ela seria a responsável por me criar. E por me mal-criar. Porque não fui preparada para as frustrações da vida. Porque sempre que queria, eu tinha, o que quer que fosse, a hora que me desse vontade. Porque eu cresci por fora e ela esqueceu de me falar que isso refletiria nas minhas relações com os outros. Porque ela não me avisou que aquela minha inocência, minha ingenuidade, minha pureza, seriam roubadas pela vida. Ou sugadas pelas pessoas que por nela passassem. Porque ninguém me disse que eu não podia mais chorar e pedir colo. Porque ninguém me avisou que, quando eu caísse, eu tinha que levantar disfarçadamente, fingindo que não havia machucado. Porque ninguém me avisou que eu precisaria ser forte e tentar entender. Porque quando eu era pequena, eu não entendia. E não fazia questão de entender. Por mais que perguntasse por que o céu era azul, ou por que os pássaros voavam, ou por que as pessoas se casavam. Eu me contentava com a não-explicação. E hoje eu tô aqui. Querendo ainda estar atrás das pernas da mãe. E querendo entender os porquês. E às vezes querendo tirar a roupa, ou querendo sentar de perna aberta, ou querendo me babar tomando sorvete, ou querendo me lambuzar de chocolate, ou querendo fazer uma amizade despretenciosa, ou querendo me relacionar sem segundas intenções. Porque mesmo sem entender de nada, eu tinha a genuidade de quem só tinha originalidade a oferecer. E muito amor. E muito querer. Sem barreiras. Sem defesas. Apenas as pernas da minha mãe.

O conto de uma vida real

Porque eu tô descendo do salto. Tô desabotoando o terninho. Afrouxando a gravata. Tirando os óculos de inverno. Os casacos de frio. Porque tô colocando minhas havaianas. Meu escritório é na praia. Meu uniforme é um tomara-que-caia. E eu coloco os óculos de sol. Largo aquela metrópole que quase me engole. Troco a imensidão dos prédios tais como monstros para a infinidade do mar como a eternidade. Volto prá minha terra. Sinto o cheiro da brisa. Abandono de vez a terra dos outros. Esqueço a poluição. Deixo de olhar para olhos que nunca me olharam, por mais que me cruzassem e volto prás pessoas que, por mais que não me conheçam, me dão bom dia. Deixo o aluguel mensal prá voltar pro meu edredon com cheirinho de casa de mãe. Deixo os caríssimos e requintados almoços à quilo prá voltar ao bolinho de arroz da vovó. Deixo paqueras fúteis e vazias prá atracar no meu porto seguro. Que é na terra do maior porto da América Latina. Sim, é também onde fica meu maior porto. Esqueço os tropeços das calçadas mal feitas para voltar a me embalar nas ondas do mar. Volto prá olhares, sorrisos, apertos de mão, abraços e votos sinceros. Faço de todo meu saudosismo, minha nova realidade. Novamente. Recomeço em um novo que não me é tão novo assim. Mas nova estou. Após ter ido e voltado. Hoje sou outra. Os lugares, portanto, serão outros. As pessoas provavelmente também. Mas a delícia de abandonar o pesadelo que ora fora sonho e resgatar o sonho que um dia pareceu pesadelo é uma só.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

É tempo de renovar as esperanças!

Sim, frase típica de final de ano. De quem ainda acredita em Papai Noel. Claro! Se não estivéssemos no Brasil, teríamos neve, Papais Noeis com carinhas de originais e até renas pelas ruas. Mas, sim, temos os enfeites, temos o espírito, temos o milagre natalino! Consumismo à parte, é tempo de acreditarmos em nossos sonhos. Não nos materiais, mas naqueles que vão ao fundo de nossas almas. É tempo de crermos que dentro de nós ainda há alguém muito melhor a ser descoberto. É tempo de confiramos na inocência, de resgatarmos a ingenuidade, de ter fé. É tempo de nos conscientizarmos que sim, se formos uma boa garotinha ou um menininho do bem, receberemos os presentes que a vida reserva prá nós. É tempo de, atemporalmente, sabermos que o melhor há de vir. Sempre! Enfim. É tempo de: "Blén, blén, blén! Ho, ho, ho!" e de tudo que o espírito natalino possa nos trazer de bom!

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Passeio confuso pelas ruas da minha vida

Tipo São Paulo na hora do rush em dia de chuva. Ando passeando pelas ruas da minha vida. Perdida, atravessando avenidas e cruzamentos. Um pouco tonta, perante à escuridão cortada por luzes fortes dos faróis. Meu olhar é interrompido pelas gotas finas da garoa que cai. As gotas finas confundem-se com as lágrimas em meu olhar. Vejo as piores paisagens. Piso nas poças d'água. Ando na contra-mão. Não enxergo as placas de direção. Não tenho direção. Oscilo entre minha primeira e minha segunda. Perdi o freio de mão. Mas não consigo sair do lugar. Uma vontade de sair correndo. Mas não consigo sair do lugar. Meus pára-brisas não funcionam. Preciso de uma revisão. Meu combustível está acabando. A bateria precisa ser trocada. E eu continuo perdida nas ruas da minha vida. Sem saber que rumo tomar. Falta-me a esperança. Sinto o frio que corta a madrugada cortando meu coração. E assim sigo, sem saber prá onde ir...

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

O eu em ti (Quero)

E assim eu renasço. Em teus braços, com teu amor. Como se nunca houvesse existido antes. Esqueço o que já me aconteceu. Esqueço rostos, bocas, corpos e vozes. Só quero você. O teu olhar que enxerga a minha alma. As tuas mãos que suspendem minhas ancas. A tua saliva que se une à minha. O teu suor nas minhas entranhas. O teu corpo no meu corpo nú. O teu prazer dentro de mim. Quero só você, como se fosse a primeira vez. Quero apenas, como se tivesse sido o único, sempre. Quero você prá me fazer menina, mulher, mãe. Quero teu olhar ao acordar. Quero tua voz ao me fazer dormir. Quero tuas mãos nos meus cabelos, no meu rosto, entre meus dedos. Quero me dar. Quero me entregar. Esquecer que existo prá mim e existir só prá você. Quero sentir paixão, amor, prazer, tesão. Quero esse amor sem interesses. Quero histórias, lembranças e rugas com você. Quero esse amor que me avassala. Que me tira o ar. Que desmoraliza o tempo. Quero amar, quero cuidar, quero me doar, quero me entregar. À você. Só à você. Quero, pro resto dos meus dias, viver esse sonho que você está transformando em realidade. Quero, prá sempre, ser o que a tua alma clama para te fazer feliz. Quero realizar teus desejos, suprir tuas necessidades, superar tuas expectativas. Quero escrever, fazer e ser a tua história. Quero ser tua, de corpo, alma e coração...

Deixando-me ser borboleta... Deixando-me cortar na primavera para voltar inteira!

Era primavera. Veio à luz em um belo jardim. Seu mundo era seu ninho. E era pouco prá ela. Desejava ultrapassar suas fronteiras, arrebentar as paredes de sua placenta e se libertar. Em sua inocência, sonhava com um mundo assim: florido. Sentira os primeiros raios de sol refletindo em seus olhos. Percebia pequenas asas. E notou que podia voar. Não contente com aquele pequeno ninho, vôou. Em busca de mais raios de sol, ventos frescos, flores perfumadas, novos horizontes. Achava que podia ser mais feliz com o que o mundo oferecera. Muito mais do que ali, na segurança do seu jardim. E, sem estar completamente madura, alçou vôos. Mais altos e mais além do que pudera suportar. Sua estrutura ainda fraca estranhava a força que precisava fazer para resistir àquilo que não previa. Não sabia que o mundo fora de seu casulo era muito mais que ventos frescos, raios de sol e belas flores perfumadas. Enfrentou graves tempestades, rajadas fortes, trovoadas. Muitas delas a abatia, a fazia cair, a tirava as forças. Em uma de suas quedas, deparou-se na beirada da janela de uma casa abandonada. Uma grande mansão, com portas e janelas destruídas pelo tempo, com as flores maltratadas pelo descaso e viu seu reflexo no vidro. Já era moça, tinha lindas asas e realizou seu grande sonho de voar para destinos desconhecidos. Porém traiçoeiros. Viu-se infeliz, mesmo alcançando o que sempre quisera. Lágrimas vieram em seus pequenos olhos. Sua imagem refletida ficou embassada. E assim sentiu-se confusa sem saber que caminho trilhar. Lembrando-se do seu casulo, daquele simples jardim florido que lhe acolhera à vida, ouviu sabiamente uma voz interior dizendo: Volte, borboletinha! Volte para suas raízes... As flores daquele jardim precisam de você. E você não precisa de outras flores, ventos ou raios de sol que não sejam os quais te receberam à vida além daqueles que ainda te esperam de braços abertos. Nesse mesmo instante, abriu-se uma fresta de luz entre as nuvens cinzas e carregadas do fim do verão. Era início de outono e ela decidiu voltar. Vôou todo caminho de volta. Percorreu os mesmos céus que houvera enfrentado. Mas retornou feliz, ao seu jardim. Hoje, sente-se completa na simplicidade das flores, da brisa e dos raios de sol que tanto lhe esperaram... E nelas, ela encontrou a felicidade que tanto buscara!

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

PRÊMIO DARDOS



Sinto-me pendente com meus amigos queridos que sempre vêm prestigiar meu espaço. De certa forma, vocês sempre sabem o que passa dentro de mim, tendo ou não acontecido comigo. Porém, ultimamente, as escritas têm vindo com certa dificuldade. E as dificuldades resultam na ausência.
Mesmo assim... Com a força de vocês que sempre passam por aqui nem que seja apenas para comentar a tal ausência e com o incentivo do meu amor (sim, agora tenho alguém para chamar de meu!) aos pouquinhos, voltarei.

Mesmo assim... Recebi este prêmio da minha querida LEKKA (DE SONHOS E PESADELOS - http://lesouza.blogspot.com/). Amo!

Com o Prêmio Dardos se reconhecem os valores que cada blogueiro mostra cada dia em seu empenho por transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, que de alguma forma demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras.

O Prêmio Dardos tem certas regras:

1. Aceitar exibir a distinta imagem (que está logo acima).
2. Linkar o blog do qual recebeu o prêmio.
3. Escolher quinze 15 blogs para entregar o "Prêmio Dardos. "

Priorizo o prestígio a autorias próprias, embora seja tão diícil escolher apenas 15.
Sendo assim, contemplarei:

Adrielly Soares - http://adri-elly.blogspot.com/
Analua - http://analua-mulherdelua.blogspot.com/
Carlos Martins - http://escrituns.blogspot.com/ / http://intimusvox.blogspot.com/ (agora também em Inglês - BÁRBARO!)
Camila Colossi - http://imensidadx3.blogspot.com/
Carolina Pires - http://fear-sweat-and-revenge.blogspot.com/
Cláudia Vetter - http://riot-act.blogspot.com/ / http://personificando.blogspot.com/
Gi - http://porquaseumsegundo.blogspot.com/
Ígor Andrade - http://fugadointelecto.blogspot.com/
José Tadeu Agneli Filippini - http://carteirodopoente.blogspot.com/
Júlia Sramm - http://notareason.blogspot.com/
Lucas - http://dreadluc.blogspot.com/
Luiz Carlos - http://silogismojuridico.blogspot.com/
Maria Fernanda Pimentel - http://viedefee.blogspot.com/
Ruan Rafael Rosa - http://somethingbotchla.blogspot.com/
Vanessa Pinho - http://mulheretudomaluca.blogspot.com/

Estou de volta...

Obrigada, amigos!

Obrigada, meu amor!

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Na escola da vida eu sou apenas iniciante

Há muitos textos que falam das lições que aprendemos na vida. Esse seria apenas mais um se não fosse o MEU. A minha visão, as minhas lições, os meus conselhos, o meu "Use filtro solar"! Porque agora, após 28 anos de vida, mais de 18 anos de estudos e quase 6 anos de terapia, também tenho minhas conclusões. Estou fechando mais um ciclo e iniciando outro. Mas, dessa vez, em grande estilo, com muitos aprendizados e um coração repleto de felicidade! Enquanto isso...

Aprendi que, na vida, temos apenas o que desejamos. Porém, antes de desejarmos, precisamos saber se o que queremos, é o que verdadeiramente vai nos fazer felizes.

Aprendi que damos valores à coisas sem importância. E quando conquistamos o que não nos importa mas achamos que têm valor, percebemos que só valorizaremos o que tem quando perdermos o que não importa.

Aprendi que, mesmo assim, nunca é tarde prá recomeçar. Resgatar as crenças. Reencontrar a essência.

Aprendi que às vezes devemos deixar o Id falando sozinho. Porque se o ouvirmos sempre, mais cedo ou mais tarde, seremos cobrados pelo nosso Superego e o Ego que vai pagar a conta.

Aprendi que nada, nunca, é do jeito que idealizamos. Que o real, o concreto e o simples é muito mais complexo do que qualquer ilusão.

Aprendi que a felicidade vem do genuíno, do franco, do natural. Não há que se comprar felicidade. Nem que se fazê-la. Muito menos conquistá-la. Há apenas que se permitir vivê-la...

Aprendi que as pessoas não são totalmente boas. E que aquelas que realmente nos amam, nos provocarão sentimentos ainda mais contraditórios. E mesmo assim, continuaremos amando-as.

Aprendi que família foi uma escolha, em algum momento de nossas vidas. Ou até antes delas. Mas, que por alguma razão, está em nosso caminho. E, por mais que reclamemos, sentiremos falta certamente algum dia (esteja ela presente ou não). Por isso, temos que conviver mais e reclamar menos.

Aprendi que saudade dá e dói. Mas que podemos matá-la. Principalmente se a pessoa estiver perto. Um telefonema, um e-mail, uma mensagem. Podemos demonstrá-la de outro jeito qualquer que não seja só através de uma oração.

Aprendi que o amor surge de onde menos esperamos sim. E no momento em que mais estamos desavisados. Porém, sabemos que lá no fundo ele é o que mais desejamos viver. Por isso que chega.

Aprendi que nas pessoas há algo muito mais valioso do que o que elas aparentam, o que elas têm, o que elas exercem, o que elas fazem. Aprendi que há algo chamado essência que não muda, em nenhuma dessas ciscunstâncias. E é isso que nos atrai. E que torna uma pessoa importante em nossa história.

Aprendi que a vida é feita de escolhas. E que cada escolha tem sim sua consequência. E que somos formados por elas.

Por isso, hoje, sou o que sou por causa de todas as escolhas que fiz, durante esses 28 anos. Umas certas. Outras, nem tanto. Mas todas que, por caminhos certos ou tortuosos, me fizeram aprender o que hoje sei e me tornou uma pessoa ainda melhor. E são as mesmas escolhas que me dão a certeza de que continuarei aprendendo e terei, daqui a um ciclo, muito mais coisas prá contar...

O tudo em pouco (ode à simplicidade)

O ontem que a dor deixou
Hoje, por ele, sou o que sou
Agradeço meus tropeços
Agora encontro um recomeço
Pude cair e levantar
Até encontrar a direção para onde olhar
As dúvidas que tive outrora
Trouxeram-me a certeza do agora
Os grãos do meu castelo de areia
Que um forte golpe destruiu
Não corre mais na minha veia
A solidão a que meu coração se uniu
Agora só me resta a certeza
De que um castelo de riquezas
À porta se abriu

domingo, 10 de agosto de 2008

Breve reflexão acerca da data e da saudade...


Anos se passaram. Lembro-me dos últimos instantes. Do último olhar. Das últimas tentativas de expressar seus sentimentos. Da mão que tentava agarrar quase sem forças. Mesmo na dor. Na inconsciência. Na inconsequência de seus atos. Ele tentou demostrar seu mais genuíno amor. No seu leito de morte, ele superou a dor prá demonstrar a saudade que sentiria. Mal sabia ele que a dor da saudade ficaria em nós. Ele que partiu, e nos deixou aqui órfãos de seus carinhos. Tínhamos tudo de ruim para guardar de lembrança. Mas preferimos guardar o que teve de bom. Por pior que tenha sido, ele foi insubstítuível. Não houve figura paterna que o representasse melhor. Ele não me acompanhou adolescente. Ele não presenciou minhas conquistas. Ele não deu colo nas minhas quedas. Ele não está para o beijo, o abraço, o olhar, as conversas. Ele não me acompanhou mulher. Mas esteve sempre aqui dentro. Quanto mais os dias passam, mais a necessidade aumenta. A cada ano, a falta se potencializa. Porém, o tempo traz a certeza de que ainda vamos nos encontrar. Sobra-me então o nó na garganta. A lágrima nos olhos. A vontade do abraço. A saudade do beijo. A firmeza do olhar. A força do apoio. Resta-me ser feliz com as lembranças. Contentar-me com os sonhos. Ter saudade e não poder matá-la. Ou morrer de tanta saudade que a morte deixou.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Serena confiança

Anos e anos. Milhas e milhas. Andando sozinha. Questionando a mim mesma. Sem respostas. Ouvindo meus próprios ecos. Uma busca incessante. Incansável. Inesgotável. À toa. De repente, prá perceber, que o que eu desejava era o mais simples. Que o que me fazia feliz era o mais normal. Que minha complexidade estava na naturalidade de ser. Queria resgatar valores. Reviver sentimentos. Retomar a inocência. Idealizava enquanto o que eu mais queria era encontrar meu cantinho. Mas não conseguia identificar as necessidades. Ia de encontro ao macro. Encontro tal que jamais acontecia. Porque não era a raíz da minha insaciedade. Percorri caminhos difíceis. Enfrentei ventos fortes. Dias áridos. Sol escaldante. Chuvas torrenciais. Destruí castelos de areia para poder reconstruí-los. Driblei bloqueios que apareceram em minha trilha. Dentro de mim. Mas, em nenhum momento, desisti de continuar. Simplesmente, mudei meu rumo. Estava por caminhos errados e tortuosos que me deixaram cicatrizes. Mas hoje, olho dentro de mim e, quando as vejo, lembro que cada uma tem seu significado. E que sem elas jamais atingiria tal nível de amadurecimento e preparo. Quando decidi parar de buscar, encontrei. Agora, mais leve, menos angustiada, percebo a importância da serenidade. Que me traz a confiança necessária para prosseguir. Jamais me contentar. Porém, saber buscar exatamente o que quero. Deixar de lado a insegurança disfarçada em grandes desejos. Edificar-me pelas substâncias das minhas solicitudes genuínas. Visar o precioso significado. E aí sim tornar a felicidade um momento constante e eterno.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

O não-final até o recomeço

Mais uma tentativa fracassada. Mais uma resposta sem pergunta. Mais um looping. E eu sigo assim. Sem ação. Sem esperas. Sem reação. Lamento pelo que não foi vivido. Não me arrependo do que foi experienciado. Mas sigo nos questionamentos do porque não seguiu perpetuado. Trago valores dentro de mim que me condenam. Mas sinto a necessidade de me libertar. Rasgar essa pele e colocar prá fora tudo de ruim que internamente me perturba. Certo e errado. Moral e imoral. Id e Superego. Quero ultrapassar barreiras. Superar obstáculos. Alcançar o cume. Sem tantos empecilhos no caminho para me interromper. Por isso, seguirei inerte. Nada mais me abalará. Ninguém mais perfurará a linha tênue que separa meu mundo do seu mundo. Ficarei aqui dentro, envolta em uma película. Por ser seguro, fecho-me. Para não correr riscos, internalizo-me. E tudo ficará mais brando. Mais calmo. Mais normal. Porém não estarei só. E quando dentro de mim encontrarei você. Que me traz paz. Que me dá tranquilidade. Que me faz ter a certeza de que o caminho não terá dor. Que como um anjo, me pega pela mão e, ao meu lado, segue a trilha. Por mais que ela não esteja traçada. Não é preciso. Minha roda-gigante. Calmo. Brando. Que, mesmo em silêncio, apenas me olhando, me protegendo. A certeza que você existe já me dá a força suficiente para recomeçar. Mudar. Transformar. Como um marco, você trará à minha vida tudo de bom que espera por ela. E eu continuarei lá, internalizada. Ainda envolta. Agora, na sua película. É mais seguro como eu sempre quis...

sábado, 2 de agosto de 2008

A vida é uma peça!

No palco da vida, ainda não decorei minhas falas. Atuo, de acordo com cada cenário. Interpreto veêmente cada cena. Porém, ainda não sei com quem contracear. Sou atriz e platéia. Sou protagonista e figurante. Entro e saio de cena assim, ainda meio perdida com a iluminação e com o som. Coloco de lado o que há de mais intrínseco e saio da coxia com minha veia artística exposta. Sou comédia. Sou drama. Sou ação. Sou aventura. Sou romance. Confundo-me entre mocinha e bandida. Entre donzela e devassa. Entre princesa e bruxa. Encanto a platéia que me aplaude de pé. Faço rir e faço chorar. Mas por trás da cortina só eu sei o que há. Só eu sei quem eu sou. Ou não. Existe uma atriz que atua prá si mesmo. Que faz do seu dia-a-dia essa encenação. E que ainda espera o roteiro e o script prá saber que papel irá interpretar.



quinta-feira, 31 de julho de 2008

Tal como uma flor de lótus...


Fecho-me ao anoitecer. Abro-me florida ao amanhecer. Sou feita das forças da terra. Das linfas da água. Das brisas do ar. Do calor do fogo. Sou de fibra. Sou rainha. Sou tua perfeição. Sou teu desenvolvimento. Sou a cessação da dualidade. Sou a realização do absoluto. Meu lodo é o teu mundo: confuso e sujo. Porém fértil. Que me alimenta dos nutrientes que necessito prá crescer. Minha semente se rasga ao raio do sol. Minha energia me leva à superfície. Venço barreiras para crescer. Quebro a casca. Emerjo imaculada da profundidade lodosa. Atravesso vegetação rasteira. Enfrento águas turvas. Ultrapasso suas camadas. Porém, permaneço enraizada me alimentando do teu mundo. Do lodo. Porque é essa confusão e sujeira que me farão crescer. Contrasto com a natureza que me rodeia. Permaneço alva e sem mácula. Expando minhas verdadeiras qualidades. Transformo a profundidade tenebrosa em puro néctar radiante. Minhas raízes estão na parte sombria deste mundo. Mas minha cabeça permanece erguida na totalidade da luz. Sou a síntese viva do mais profundo e do mais elevado. Do material e do imaterial. Das limitações da individualidade e da universidade ilimitada. Do formado e do sem forma. Meu aroma te impregna. Meu mantra te envolve. Minhas pétalas te entontecem. Tal como uma flor de lótus. Sou pureza. Sou sagrada. Sou ressurreição. Sou o reflexo das tuas dificuldades. Sou a imagem da tua vitória. Sou a lótus dentro de ti.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Às vezes nem eu me sei.

Crise existencial. Bifurcação. Bipolaridade. Dupla personalidade. Perguntas sem respostas. Começos sem fins. Trilhas sem destinos. É assim que me encontro. Em uma crise existencial que me faz encolher, crescer, diminuir, aumentar. Que me instiga a vontade de trancar-me. Que me faz desejar rasgar a roupa e me mostrar. Vivo numa brincadeira de esconde-esconde comigo mesma. Ora sou menina, ora sou mulher. Ora sou santa, ora sou capeta. Há momentos em que meu mundo parece pequeno para tudo que quero. Em outros, me sinto perdida nesse meu mundo gigante sem saber o que querer. É na insconstância do meu constante que vivo. É na incerteza das minhas dúvidas que me abasteço. É nas convicções das minhas certezas que me alimento. Que se transmutam. Que se transformam. Que se transgridem. E me fazem sentir quem sou, quem não sou, quem gostaria de ser. Há momentos que pulso tão profundo que sinto meu sangue correr pelas minhas veias. Em outros, encontro-me tão relaxada que me sinto flutuar. É uma mistura de sentimentos que me despertam o ímpeto de correr desvairadamente em busca do algo e que me faz repousar a espera de alguma coisa. Deixando-me confusa. Sem me descobrir. Sem me desvendar. Sem me revelar. Sem me deixar me saber...

* (Aos pouquinhos vou me encontrando...)

terça-feira, 29 de julho de 2008

Aos amigos virtuais, com carinho...


Ando numa fase escassa de escritas, embora cheia de sentimentos. E, ultimamente, ando escrevendo apenas sobre o que de angustiante há dentro de mim. Mesmo assim, não estou sozinha. E é a companhia de vocês que, de alguma forma, valida minha existência. Me faz sentir que há alguém aí do outro lado que vem aqui, não apenas para apreciar poemas cheios de rimas, mas sim presenciar momentos, mesmo que não muito bons. A presença de cada um aqui é muito importante pois exprime o verdadeiro significado da amizade: a doação sem interesses. Vocês não olham nos meus olhos, e sim no meu coração. Vocês podem não ver as lágrimas, mas as sentem sempre com a palavra certa para consolá-las. Vocês conseguem escutar meus sorrisos e ver minhas expressões. E vocês são amigos que chamo constantemente diante desta telinha, sabendo que do outro lado, existe um coração com muito sentimento. São vocês que fazem a minha máquina fria esquentar amigavelmente através de sua reciprocidade de sentimentos. Portanto, agradeço cada comentário, que concorde ou discorde com minhas opiniões, cada conselho, cada palavra de carinho, cada gesto de conforto. Sinto-me cercada de pessoas especiais, mesmo que virtualmente. Agradeço a vocês que, de alguma forma, vêm validar minha existência. Desculpo-me por, nesse momento, não agir com a reciprocidade merecida. Mas saibam que a cada comentário, meu coraçãozinho renova um pedacinho de vida. E, assim que ele estiver totalmente renovado (o que não falta muito) voltarei a apreciar seus cantinhos, seus continhos, seus momentos.

Obrigada, meu amigos virtuais:
adriana
adrielly soares
analua
anna oh!
bem resolvida
brunin
cadinho rocco
camila colussi
camilinha
carolina pires
carlos martins
carteirodopoente
claudia i. vetter
deva_neios
dona laura
equilibradores (Hanni, Jura e Saca)
fee
fernando rozano
francine esqueda
iara
igor andrade
instantes e momentos
isadora cecatto
jade
james emanuel
julia
lekka
luiz carlos
luc's
maldito
mau camus
moni
myia
o profeta
ricardo valente
ruan
vanessa pinho

Intense me???

Até que ponto vale à pena ser intensa? Penso tanto, planejo tanto, sonho tanto, me questiono tanto que fico tonta. E, por mais que eu pense planeje, sonhe, me questione, nem tudo sai exatamente da maneira que eu gostaria. Então, penso o quanto é importante, às vezes, puxarmos o freio de mão. E depois que engatada a primeira, andar em velocidade reduzida. Parar de pesar, de comparar, de projetar. Simplesmente parar e deixar a vida me levar. São muitos os caminhos mas, sem querer, certamente escolheremos o certo, por mais que não nos pareça. Portanto, aqui estou. Parada. Diferente de bloqueada. Apenas deixando o barco, a onda, a música me conduzirem... Nem sempre podemos assumir a direção dos fatos que acontecem em nosso percurso. Acidentes, desvios, capotagens são inevitáveis. Mas nos servem para voltar à pista sem medo da derrota. E sem a preocupação da vitória. Simplesmente, com o anseio de chegarmos inteiros. E assim, retomando a vida, levantando dos tombos, cicatrizando as feridas. Agora, de uma maneira diferente. Mais adulta, mais madura. Porém, talvez, menos intensa.

domingo, 27 de julho de 2008

Quando a vida lhe dá uma rasteira...

Você está lá: linda, morena, em seu maior salto, sobretudo, óculos de sol, desflando entre as ruas e avenidas da vida. Quando, de repente, tropeça e cai. Levanta-se, tenta rir, disfarçando para parecer que está tudo bem. Mas lá dentro não está. Os óculos escondem olhos marejados de lágrimas. De raiva. De dúvidas. De tristeza. É assim quando tudo parece estar bem. Quando os dias estão fluindo. Quando as conquistas estão nas suas mãos. E, de repente, com um vento mais forte, elas somem. É como se todos que passassem por você dessem risada de sua situação. Porém, quem está lhe apontando está exatamente dentro de você. E começam os questionamentos. Por que as coisas não permanecem fluindo como estavam? Por que não consigo alcançar a vida estável que sempre desejei? Onde estou errando? Será que no tamanho do salto? Na velocidade das passadas? Ou na linha do meu olhar? Difícil entender quando você pensa estar trilhando o caminho certo. Mais ainda compreender os motivos prá vidar te dar essas rasteiras. Castigo. Lições. Valores. Talvez existam coisas que você precisa enxergar. Ou, além de enxergá-las, mudar seu ponto de vista sobre elas. Há determinados momentos que a vida te obriga a descer do salto e dar alguns passos prá trás. Assim, você entenderá perfeitamente o que as cicatrizes desse tombo significarão em seu caminho.

sábado, 26 de julho de 2008

Depois da tempestade...

É dia. Verão. Sol. Calor. Brisa morna. Céu azul. De repente, a escuridão. Surgem nuvens negras. Estrondos altos. Raios cortam o céu. Ventos fortes. Tempestade de areia. Furacão. Maremoto. Chuva fina. Pingos grossos. Granizo. Os grãos me embaçam os olhos. As nuvens me escurecem a visão. Não há caminhos. Não há mais luz. Há apenas os destroços atingindo quem passa. Há apenas destroços dentro de mim. Luto contra o tempo, contra o vento, contra a tempestade. Prá saber que, no dia seguinte, tudo ainda continua lá. O sol parece brilhar mais forte depois de superar as nuvens negras. As flores estão mais vivas depois da água que alimentou suas raízes. Os pássaros cantam felizes depois de alguns momentos no ninho tentando se protegerem. O chão mais brilhante refletindo os raios solares que voltam. Porque eles nunca desaparecem. Jamais se vão de vez. Sempre estão lá, mesmo que por trás de nuvens carregadas. Prá garantir que na vida nada é definitivo. Nada é por acaso. E tudo acontece prá nos fortalecer. Prá enxergarmos o que vem depois do que parece ruim. Prá percebermos o que continua lá depois que a tempestade passa. E prá nos fazermo notar que somos mais fortes que uma mera tempestade.

* Agradeço aos amigos que passaram por aqui e me deram forças prá que ao menos essas linhas existissem. Estava me sentindo em falta com vocês e, mesmo depois dessa fase de bloqueios e tempestades, estou tentando me reerguer prá permanecer mostrando um pouquinho do que existe aqui dentro de mim. Obrigada pelo carinho!

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Bloqueios

Que na vida nem tudo é do jeito que gostaríamos que fosse, isso eu já sei. Sobre idealização, conheço teoria e prática. Mas ainda insisto em não me satisfazer com os obstáculos que aparecem no meu dia-a-dia. Stress. Preocupações. Dúvidas. Angústias. Inseguranças. Por mais que eu seja confiante e otimista, em alguns momentos esses sentimentos me pegam. E pegam de jeito. Me batem, me jogam no chão, me torturam, me violentam. Pior: me paralisam. Bloqueiam-me de um jeito tal qual que me deixam cega, sem reação, burra, sem saber como agir. Situações que nos surpreendem, por mais que signifiquem um desafio, aprendizado, experiência ou seja lá o nome poético que queiramos dar prá não encará-las apenas como DIFICULDADES, ainda me morfinam. E me fazem ficar tonta. Sem saber que caminho seguir. Sem saber prá onde ir. Contas. Trabalho. Amizades. Família. Isso nem sempre nos traz só alegrias. Afinal, nem tudo é somente bom. Nem tudo é simbiótico. Até mesmo nesse blog existe meu lado ruim. E o ruim da minha vida. Mas confesso que ver o lado ruim das coisas ou das pessoas nem sempre me satisfaz. E eu nem sempre sei lidar com tal. Portanto, hoje estou me sentindo assim. Bloqueada. Paralisada. Estagnada. Anestesiada. Morfinada. E todos os outros "adas" que possam definir essa minha indefinição. Espero poder voltar amanhã com algo melhor de mim.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Eu, livro

Existe uma capa aqui por fora. É dura, escrita com letras douradas a data de publicação apenas. Ainda sem título. Dentro, há folhas de papel reciclado. Escritas que contam cada parágrafo da minha vida. Separadas por capítulos. Nesses, parágrafos, linhas desenhadas com letras alegres de uma criança que teve uma linda infância. Letras melancólicas de uma adolescência de perdas. Letras vibrantes das conquistas do início de uma vida adulta. Ja fui travessão, já abri aspas, já deixei dois pontos esperando o que tinha por vir. Já questionei com uma interrogação, já interroguei com três pontos e já vaguei nas reticências. Prá respirar, parei no ponto e vírgula. O agudo prá acentuar a alegria. O circunflexo prá abafar a tristeza. Já narrei, já descrevi, já resenhei, já rascunhei, já citei. Mas do que vivi até o último ponto, nada ficou em branco. Restam apenas agora, muitas folhas ainda a serem preenchidas até o ponto final. Na orelha, uma declaração ainda não sei de quem que não ousou escrever sobre essa pessoa. Ou ainda não encontrei ninguém que tenha a coragem de registrar meu ritmo bipolar intenso frenético. Na contra-capa, um briefing ainda inacabado. A capa em branco, pois será aquilo que você vê em mim. Ao me ler, por favor, não me rabisque! Não faça aquelas anotações que deixam qualquer livro novo com cara de acabado. Não use marca-texto porque eles mancham e nem sempre as manchas deixadas são as desejadas em destaque. Não faça comentários à caneta. Use o lápis. Porque, de um capítulo a outro posso te fazer mudar de idéia e você pode apagar e corrigir. Não use caneta preta que é muito fúnebre. Não use caneta azul que é muito comum. Não use caneta vermelha que agride. Use apenas lápis. E não me escreva com muita força porque pode marcar as páginas debaixo. Folheie-me com delicadeza. Leia-me com atenção. Guarde-me com carinho. Na sua melhor estante. Em cima da escrivaninha do seu escritório. Na sua cabeceira. Hoje, sou apenas uma obra inacabada. Mas, um dia, serei um best seller!


I'm not used to play games... But I have to!

Inevitável. Não há como se entregar no primeiro. Segundo. Ou terceiro encontro. Nem ainda na primeira. Segunda. Ou terceira semana. Melhor se preservar. Fingir que não tá nem aí. Fazer tipinho. Se fazer de difícil. De repente, você conhece aquele que, aparentemente é o homem da sua vida! Tem todos os requisitos. É aprovado nas entrevistas. Passa no teste técnico. Tudo sob controle nos psicológicos. Mas você não pode informá-lo que foi admitido. Não se deve ligar. Dizer que está com saudade, nem pensar! Espera ele te convidar prá sair de novo. Motel na primeira noite? Tire isso já da cabeça, menina! Porque mulher que age assim é tachada de fácil. Mulher que age assim com um deve agir assim com todos. Mulher que é assim, é superficial. Ou está desesperada. E o que se faz com o que está aí dentro??? O que fazer com aquela vontade de mandar um torpedinho dizendo que adorou a conversa, que os beijos se casaram, que tá com saudade dos carinhos??? O que fazer com a idéia de levá-lo a um lugar super legal prá se divertirem juntos e se conhecerem um pouco mais??? DOBRA TUDO E BOTA NO BOLSO! Porque aqui não se pode expressar a verdade. Porque aqui, ser intensa é ser banal. Porque aqui não se pode demonstrar as vontades. Porque aqui ser sincera não é normal! Meu desejo era escancarar. Falar tudo que penso. Mostrar tudo que sinto. Botar prá fora o que tenho por dentro. Ligar quando tenho vontade. Beijar quem eu bem entender. Transar com que me despertar o desejo. Mas não posso. Porque essa vida é um jogo. Não gosto. Não curto. Não quero. Mas, prá estar dentro, eu tenho que jogá-lo. Caso contrário, ficaria apenas na arquibancada, às vezes frustrada com o resultado sem poder fazer nada prá mudá-lo. E, estando no campo, eu posso sim fazer as minhas jogadas! E não há técnico, não há bandeirinha, não há juiz que possa me impedir.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Tô indo pro shopping comprar sapatos...

Tô cansada da hipocrisia nos relacionamentos.
Politicagem.
Falsidade.
Superficialidade.
Oportunismo.
Tô indo pro shopping comprar sapatos...
Tô cansada da ambição.
Concorrência.
Pilantragem.
Competitividade.
Consumismo.
Tô indo pro shopping comprar sapatos...
Tô cansada da banalidade.
De crianças jogadas pela janela.
De homens arrastados nos carros.
Crueldade.
Impunidade.
Tô indo pro shopping comprar sapatos...
Tô cansada das guerras.
Da fome.
Da miséria.
Falta de humanidade.
Incapacidade.
Tô indo pro shopping comprar sapatos...
Tô cansada da justiça divina que às vezes é injusta.
Deixa quem não precisa.
Leva quem não precisava...
Saudade.
Tô indo pro shopping comprar sapatos...
Enquanto sonho com um mundo melhor.
Tô indo pro shopping comprar sapatos prá proteger meus pés quando eles voltarem ao chão!

Eduardo e Mônica: reais só na ficção?

Ela: sábado à noite, encontro com as amigas, barzinho badalado. Faz unha, cabelo, maquiagem, escolhe uma roupinha descolada e sai. Desencanada. A única preocupação era se divertir!
Ele: sábado à noite, sem companhia, sem muita grana. Se arruma, pega a moto e vai até um barzinho badalado, onde tem entrada VIP prá curtir uma musiquinha light sozinho.
Música boa, ambiente bacana, pessoas descoladas, lugar animado.
Os dois se divertem, sem a mínima pretensão de nada. Apenas de curtir a noite, a companhia dos amigos ou suas próprias companhias.
De repente, sem querer, começa a troca de olhares. O primeiro, foi acidental. O segundo, totalmente proposital. O terceiro seguido de um sorriso. O quarto, deu início à conversa...
Papo típico de quem está se conhecendo... Você vem sempre aqui? Conhece a banda? Faz o que da vida? Rola uma sintonia. A conversa flui. Ambos riem muito. Continuam se divertindo, agora na companhia um do outro. E, como já é de se esperar, rola a vontade do beijo. Que é adiada até o fim da noite, já quando não se tinha quase mais assunto. Já quando não se tinha quase mais ninguém na casa. Porque se deram tão bem que até esqueceram da banda que estava no palco...
Rola a química. O beijo, a pegada, a pele, os abraços, o cheiro, os carinhos. Tudo combina. Os corações disparam. As expectativas são criadas. Inevitável: mais uma histórinha de baladinha na vida de cada um. Trocam telefones, mas... Será que alguém ligaria?
Pois é, ele ligou no dia seguinte. Ela festeja, finalmente um homem que liga no dia seguinte. E festeja também sua maneira de tratá-la durante a noite: não fumou na sua frente porque ela não gostava, lhe pagou uma bebida, não tentou beijá-la até que ela desse o primeiro sinal, não jogou indiretas vulgares dando a entender algo mais depois do beijo, pediu seu telefone e disse que ligaria, acompanhou-a até a porta de casa por já estar tarde e, pasmem: falou em filhos e casamento! Ele, festeja: ela o tratou bem quando puxou conversa, não quis beijar logo no primeiro momento, teve assuntos com conteídos para conversarem mesmo na balada, ela parecia direita pelo seu discurso e seus comportamentos. Marcaram de se ver no fim do dia.
É, encontraram-se sim no dia seguinte. E conversaram mais. Agora uma conversa mais descontraída. De quem já tinha um pouquinho ao menos de intimidade. E de quem queria descobrir mais.
Ela: meio patricinha, gosta de se vestir bem, curte coisas e programas caros e de boa qualidade, pensa em relacionamento mas não sabe ainda se está na hora de se prender de verdade a alguém, formada com pós graduação, executiva de uma multinacional, curte dance, techno e eletrônico. Seu sonho ainda é destacar-se em sua área de atuação, ser reconhecida por isso e investir em sua carreira, com cursos de especialização. Sofisticada, moderninha, atual.
Ele: estilo largadão, preocupa-se com a aparência mas nem tanto, curte programas lights e lugares bons onde não se gaste muito dinheiro, pensa em casar e ter filhos, quer encontrar uma pessoa bacana para namorar e construir a família com que tanto sonha, nem terminou o segundo grau, não pretende fazer faculdade, tem um emprego apenas para seu sustento, não se preocupa tanto com carreira, curte pagode, MPB e samba rock. Seu sonho era ser jogador de futebol, mas devido a um acidente durante os treinos, não poderá mais realizá-lo. Tradicional, "demodê", low profile.
Complementavam-se astrologicamente: Este é o encontro de dois opostos no zodíaco: de um lado, ela, com sua personalidade quase etérea e seu dom para fazer com que a vida se torne um infinito de possibilidades. De outro, ele, completamente apegado à realidade, com os dois pés no chão, fincados bem firme na terra. Seus universos são completamente diferentes, e podem até se tornar difíceis de serem integrados. Mas quando isso ocorre, o relacionamento que nasce dessa união é bastante duradouro, pois um saberá se apoiar nas qualidades do outro para chegar onde deseja.
Aparentemente diferentes, como na música. Mas uma coisa tinham em comum: os dois eram de bom coração. Não desejavam mal e só queriam ser felizes.
Depois de tanta conversa, cada um foi prá sua casa pensando nas consequências que essas diferenças poderiam fazer em suas vidas, se decidissem ficar juntos e tentar. Por outro lado, nenhum conseguia esquecer o beijo, o toque, o cheiro, o olhar um do outro. Sensações que há muito não sentiam voltavam a se repetir: carinho, cuidado, atenção, vontade, desejo. Seus pensamentos estavam ligados. E não se desligariam assim, com tanta facilidade...
Dizem que os opostos se atraem. Mas ninguém garante que eles se mantém. Talvez, nem se completem.
"E quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração? E quem irá dizer que não existe razão?"

Renovada!

Fim de tarde, a estrada me aguarda. Volto às raízes, trago de volta as lembranças. Matar a saudade. Da família. Dos amigos. Dos lugares conhecidos. Sentir o cheiro de mar. A brisa do litoral. Andar de rasteirinha. Curtir MPB. Show ao ar livre. Mais amigos. Mais família. Menos saudade. Estou de volta, renovada. E já querendo voltar...

* Fim de semana na cidade natal

sexta-feira, 18 de julho de 2008

PAIXÃO: Sentimento pelo outro ou a busca de si mesmo? - Levantamento científico

“A paixão é a paixão por si próprio. O encontro eufórico e alvoroçado da paixão é efeito do encontro consigo mesmo em dupla via. Os amantes são iguais.”

Alberto Goldin

Segundo o vértice psicanalítico, as escolhas feitas nos relacionamentos remetem sempre o indivíduo a fases do desenvolvimento infantil. Assim sendo, a busca do reconhecimento em todos os níveis, desde a vida profissional, até a vida pessoal, traz consigo resquícios de vivências narcísicas e também, tanto de fracasso como de sucesso, são sempre reverências do narcisismo constitutivo da personalidade.
Núcleos narcisistas têm sido muito incentivados no mundo atual. As pessoas, por imposição da cultura contemporânea, têm se fechado muito em seus mundos ou dentro de si mesmas. Tal fuga tende a gerar um enclausuramento no narcisismo. Não sendo possível tal enclausuramento, a tendência do modo de relacionamento das pessoas vem a ser as relações de objetos narcísicas. Daí parte-se para a investigação da paixão.
Como no mito de Narciso, o indivíduo acredita que ele e o mundo são partes indissociáveis e que o mundo é capaz de suprir e realizar todos os seus desejos. Narciso sente-se completo consigo mesmo e apenas ao ver a sua imagem no rio pode perceber que há uma divisão e uma incompletude. Essa percepção resultou na sua morte.
Porém, todas as pessoas possuem em sua personalidade uma porção narcisista, como conceituado psicanaliticamente.
Considerando tais conceitos, pode-se fazer uma relação entre os indivíduos narcisistas e os sujeitos apaixonados. Como levantado anteriormente, a paixão é um estado involuntário, e possui várias características em comum com o narcisismo.
O narcisista, é considerado aquele que quer tudo para si para viver a plenitude. Tem como objeto de desejo um objeto móvel, porém o mais próximo de seu ego ou de seu ego ideal. Nos momentos de dificuldade, ele recorre a si mesmo. Se a sua relação com o objeto primário se deu de forma satisfatória, o indivíduo não tem um preenchimento narcísico e ele o vai buscar pelo resto da vida. É passível apenas de viver ligações objetais narcísicas, nas quais precisa do outro de forma integral e vê o outro como uma forma idealizada de fusão, o qual é responsável por suprir todas as suas necessidades, expectativas e desejos.
O apaixonado age de maneira similar. Deposita no outro todas as suas expectativas, querendo tomá-lo como parte de si ou até mesmo destruí-lo, caso perceba que não tem tal controle desejado. O apaixonado irá buscar no outro ele mesmo, seu ego (um objeto móvel) que, idealizadamente, está introjetado no outro. E por fazer parte dele, precisa controlá-lo, dominá-lo onipotentemente. Nessas situações surgirão os sentimentos de inveja, ciúme, posse, controle e obsessão que, para o apaixonado, faz parte de seu sentimento. Há uma interdependência ou até mesmo uma dependência total. Espera-se do outro tudo e crê que ele seja o outro e o outro seja parte dele: busca um estado de completude. Se sofre a ameaça de que o outro possa abandoná-lo, passa por estados de depressão, de pensamento destrutivo, de desespero e até mesmo de sensação de morte. O sujeito vive a ilusão de fusão com aquele objeto e crê que caso essa relação seja interrompida, pode vir até mesmo a morrer, por não suportar a dor de perder a si mesmo.
Assim caracteriza-se o ser apaixonado. No outro, ele procura encontrar sua continência, suas realizações, seus desejos supridos. A perfeição. Algo que ele tenha sido, é ou gostaria de ser. Dessa forma, quando apaixonado, o indivíduo procura encontrar no outro uma parte de si mesmo: um movimento totalmente narcisista.

* NOTA: Esse post é parte do meu Trabalho de Conclusão de Curso em Psicologia

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Não!

Eu não serei o que você quer.
Jamais serei o que deseja.
Muito menos o que idealiza.
Não vou me adaptar ao seu jeito.
Não vou aceitar suas opiniões.
Nem acatar seus insultos.
Sou o que sou.
Assim.
Se me quiseres, assim.
Se quiseres, venha assim.
Venha todo.
Inteiro.
Imenso.
Denso.
Intenso.
Assim, terás a mim.
Se não, nunca mais.
Não perderei seu tempo.
Nem o meu.
Sem meios-termos.
Porque eu não sou meio.
Se não queres me ver como sou.
Eu continuarei apenas sendo...
Continuarei assim.
Mas, toda.
Inteira.
Imensa.
Densa.
Assim, intensa!


Uma vontade não sei de quê...

Acordo pensativa. Angustiada. Ansiosa. Não sei porquê. Procuro algo que tô com vontade. Vou no banheiro. Abro o armário. No quarto. Abro o guarda-roupas. Reviro gavetas. Olho debaixo da cama. Pela janela. Vou na cozinha. Reviro armários. Embalagens. Potes. Panelas. Abro a geladeira. Forno. Freezer. Na sala, olho nas estantes. Reviro CD's. DVD's. Debaixo das almofadas. Saio de casa. Olho nos corredores. Elevador. Garagem. Olho em volta. Na rua, olho nos olhos das pessoas. No trânsito, invado os carros. Shopping. Investigo andar por andar. Livraria, quem sabe é algum livro. Ou DVD. Ou CD. Revistaria. Loja de roupas. De sapatos. De perfumes. De bolsas. De lingerie. De cosméticos. De departamentos. Restaurantes. Lanchonetes. Cafés. Farmácias. Supermercado. Bebidas. Cervejas. Vinhos. Sucos. Refrigerantes. Light. Produtos Naturais. Biscoitos. Bomboniere. Carnes. Congelados. Frios. Laticínios. Higiene e Perfumaria. Leite e Iogurte. Limpeza. Massa. Mercearia. Doces. Pet Shop. Mudo a estratégia. Bar. Olho em mesas. Cadeiras. Balcões. Pratos e copos. Mais pessoas. Sem sucesso, mudo novamente. Balada. Garçons. DJ. Banda. Mais pessoas. Volto prá casa. Ainda pensativa. Ainda ansiosa. Ainda angustiada. Meu olhar percorre sala, quarto, cozinha. Banheiro. Páro na frente do espelho. Ao ver minha imagem, tudo passa. Percebo que achei o que tanto procurava. Agora, só me resta me encontrar. Depois, encontrar você!


quarta-feira, 16 de julho de 2008

A dor e a delícia de viver em Sampa!

Ah, São Paulo! Sempre sonhei em morar nessa cidade... Desde estagiária, me imaginava trabalhando de terninho em um daqueles prédios luxuosos e pegando elevador com vários executivos gatos de terno e gravata. E aqui estou. No coração do Brasil. Do jeitinho que eu sempre quis.
Mas nem tudo são flores...
Acordo atrasada, com aquele puta frio que faz nessa terra, aquela preguiça do caralho de quem tem que levantar e enfrentar um dia todo de trabalho e com coragem saio da cama. Cumpro o ritual diário (porém, num ritmo mais acelerado): banheiro - xixi, cozinha - café, quarto - roupas, banheiro - maquiagem. Faço tudo isso acompanhando o Bom dia São Paulo prá ver a previsão do tempo. Aqui é foda: tu tem que se vestir que nem cebola porque nunca sabe como vai estar o tempo na hora do almoço. Então, saio de casa armada da cabeça aos pés: óculos de sol com lente degradê próprio para dias frios, iPod pink carregado com músicas da Alanis e meu livro da Tati Bernardi na bolsa.
Tenho carro. Mas não uso para ir para o trabalho por "N" motivos: no carro tu se estressa dirigindo no trânsito foda, tu gasta grana de gasosa e ainda leva o mesmo tempo (ou mais) que se leva indo de ônibus. No ônibus, tu vai sentadinha, relaxada, ouvindo música, lendo livro ou até mesmo dormindo. Já me peguei acordando de boca aberta. Já até sonhei! Sem contar que no único dia que fui de carro, saí com o google maps pendurado no quebra-sol (porque se tu se perde aqui em Sampa tu tá fudido) e ainda ralei a saia da roda traseira direita na coluna do estacionamento do escritório, na ida. Na volta, me perdi (mesmo com o google maps) e fui parar no meio de uma favela punk, onde estava rolando uma briga punk. Pensei: "Fudeu, daqui a pouco levo uma bala perdida na cabeça!". Consegui escapar por uma das ruazinhas que cercavam a favela e me perdi mais ainda. Mas, tudo bem: peguei outra rua, uma avenida, mais uma rua, outra avenida, outra avenida e a ruazinha que eu precisava encontrar prá achar a avenida que me levaria à rua de casa.
Retomando...
Ao deixar o prédio, já enfrento meu primeiro desafio. Até o ponto onde tomo minha condução, são duas quadras. Detalhe: uma puta subida, ladeirão mesmo, que me faz sentir como se estivesse no Pelourinho. Porém, no Pelourinho eu estaria de havaianas e aqui eu tô com um puta salto (você já viu alguém de 1,56m não usar salto?). Já os buracos me dão uma sensação meio lunar (tá ligado a cratera da lua, toda esburacada?) o que me obriga a andar pela rua e levar fininha dos carros e caminhões que estão passando. Já perdi as contas de quantas vezes os sapatos foram vivitsr o sapateiro para troca de saltos e de bicos. Sem contar os cocôs dos seres caninos espalhados por todos os cantos da calçada (em Moema também tinham, mas lá eram cocôs com aroma de ração de scargot - aqui os cachorros cagam com cheiro de resto de comida de lixo mesmo!). No ponto, alienada à vida, com óculos escuros e o iPod no talo - tão alto que não dá prá ouvir qualquer buzina!, esperei o ônibus do jeito que eu gosto: vazio e aquele modelo que tem almofadinha na cabeça prá eu poder me encostar e dormir meu sono profundo. Tenho muitas opções, já que pego contra-fluxo. Por isso me dou a esse luxo.
Embarco na minha aventura e, pro meu azar e surpresa, esse estava cheio. Respirei, andei até o fundo do ônibus, me agarrei num "cano" que me parecia mais seguro e ali fiquei. De lá eu não sairia até que algum corno descesse e esvaziasse um lugar prá eu me abustracar. Estava me sentindo no Playcenter, naquele brinquedo Samba, saca? O ônibus me fazia dar uns pulinhos e tirar o pé do chão. Perfeito show do Netinho. Alguns pontos depois, um assento esvaziou e eu pude me sentar e curtir tranquilamente minha viagem. É quase sempre assim tranquilo. Exceto quando do seu lado senta alguma pessoa obesa que te espreme contra a parede do veículo, ou algum que deve ter um pinto tão grande que sai pela meia de tão aberta que deixa suas pernas, ou algum inconveniente que, mesmo você com a porra do iPod na orelha, cisma de puxar papo contigo. Mesmo você fingndo que não ouve, ele te cutuca e tu é obrigado a tirar o foninho prá ver o que o mala quer. Isso em plena sete da matina...
Peguei no sono aos gritos da Alanis quando de repente senti um movimento exagerado por perto e abri os olhos para ver o que estava acontecendo. Vi que todos levantaram e pensei: "Engraçado, todo mundo vai descer no mesmo ponto!". Intrigada, tirei um dos fones do meu ouvido e escutei alguém dizendo que o ônibus havia quebrado e que teríamos que esperar o próximo. Puta que o pariu, logo agora que meu soninho estava tão gostoso! Lá vamos nós. Descemos e pegamos o próximo, que por sorte não demorou. Subi, sentei e continuei minha soneca até o ponto de desmbarque. Incrível a eficiência do meu relógio biológico, que me acorda há exatos três pontos antes de eu descer. Ao apertar o botãozinho de parada, lembrei que tinha que enfrentar mais duas quadras de caminhada. Mas não são duas quadras do litoral ou do interior. São duas quaaaaaaaaaaaaaaadras de São Paulo. Corajosamente, cheguei no escritório. Lembrei que eu não estava na região luxuosa (lê-se Berrini ou Paulista) nem no prédio com elevador luxuoso que eu tanto sonhara (no escritório tem dos lances de escada que acabam com o sopro que tenho no coração) - e esqueçam os homens maravilhosos de terno e gravata (os ternos até existem, mas os homens não são tão gatos assim). Cheguei na minha sala, sã e salva, pronta para mais um dia de trabalho (será?!).
Passadas as oito horas, chega o m0mento da minha jornada da volta. Mais duas quadras camelando. O pior nem é andar. Como saio naquele horário que não é nem tarde nem noite, mas já tá escurecendo, essas quadras acabam se tornando um martírio. Primeiro porque todo mundo que passa acha que tu é puta: mexem, falam besteiras, chamam de gostosa. Só faltam parar e perguntar o preço do programa. Aí eu me pergunto porque uma puta andaria de terninho ou porque uma pessoa de terninho poderia parecer uma puta. Segundo, porque todos que passam perto parece que vão te assaltar, devido a velocidade que andam e a proximidade que te esbarram. As pessoas surgem do nada e passam muito rápido e muito perto de ti. Isso já é o suficiente prá eu imaginar algum filho da puta agarrando minha bolsa e saindo correndo (eu de salto, obviamente, jamais alcançaria!) levando meus documentos, dinheiro, celulares, carteira, iPod pink e livro da Tati Bernardi.
Chegando no ponto, faço o mesmo ritual: esperar o ônibus mais vazio e com encostinho de cabeça. Ele passa (quando não dá a volta pelo outro lado dos ônibus que já estão parados!), eu subo e me aconchego. Ligo meu iPod, abro meu livro e vou assim me distraindo pelo caminho.
Engraçado que pegar ônibus à noite em São Paulo me remete novamente ao Playcenter, porém naquele período de Noites do Terror, saca? Parece um trem fantasma! Só da cara de agasalho, gorro ou capuz do agasalho na cabeça e te olhando com cara de mau e estripador. E só da menininha funkeira, com excesso de gordura superior e inferior e que, com suas roupas compradas na sessão infantil das lojas de departamento que parcelam tudo em 574 vezes, deixam tais banhas à mostra - como se todos fossem obrigados a ver, sentam-se ao seu lado com aquele cheiro de Neutrox e com o cecê de quem de manhã passou Rexona for woman falsificado.
Até que... Opa! O ônibus pára de novo. Puta que o pariu, o da volta também quebra! Lá vão todos os passageiros feito uma boiada descer para pegar o próximo. O próximo não está tão vazio e, depois de um quase começo de briga prá achar lugar, consigo me acomodar naquele banco comunitário: o banco do fundão. "Acomodar" entre aspas, porque à minha direita tem um obeso que provavelmente perdeu a noção corporal e ocupa quase dois lugares na condução (esse deveria estar sentado naquelas cadeiras especiais ou deveriam inventá-las, caso ainda não existam) e à minha esquerda um senhor com síndrome de frango, com as asas abertas em cima de mim, quase com o braço no meu colo. Assim, sentindo-me uma sardinha em lata, continuo minha viagem controlando meus risos ao ler "Melu Minai, o Mestre" de Tati Bernardi. Acho bacana sentar no fundão porque tu fica bem em cima das rodas e, com os salavancos que o motorista dá - que mais parece que ele está carregando um monte de jaca do que de gente! - você faz umas sessões de drenagem linfática.
Tudo parecia tranquilo quando de repente uma voz grossa consegue interromper minha concentração na leitura e ser mais forte que os gritos nas músicas da Alanis:
"Boa noite, senhoras! Boa noite, senhores! Venho aqui lhes pedir um minuto de sua atenção. Estou desempregado, sou casado, minha mulher está grávida e eu tenho 7 filhos. O primeiro é diabético, o segundo está com cólera, o terceiro com hepatite, o quarto pegou sarampo, o quinto está com caxumba, o sexto está com malária, o sétimo foi picado pelo mosquito da dengue e o oitavo vai nascer com alguma coisa porque minha esposa não pára de fumar maconha. E eu, ao invés de roubar, venho aqui, senhores, pedir humildemente que me ajudem adquirindo um dos meus produtos. Eu trago aqui para os senhores balas, doces, chicletes e amendoim. Tenho halls de moranço com abacaxi, lançamento, por apenas um real. Tenho paçoquinha, cada uma trinta centavos e quatro por um real. Tenho Buballoo azul que explode na boca por vinte e cinco centavos cada. E tenho ainda amendoim torradinho, fresquinho por cinquenta centavos o pacote."
Terminando seu discurso, o homem descarrega uma amostra de cada de sua mercadoria no colo de cada passageiro, banco a banco e depois passa e recolhe o dinheiro ou o produto de volta. Eu, unindo a gula à vontade de comer, fiquei com as paçoquinhas. Mas, se eu fizer isso todos os dias, irei à falência e engordarei três quilos por mês. Não, nada contra, nenhum preconceito ou discriminação por quem faz esse tipo de comércio. Mas o cara tinha uma dicção tão boa, uma desenvoltura apropriada e uma apresentação tão razoável que poderia estar participando de um processo seletivo em alguma empresa! Só não me venha pedir dinheiro. Mesmo com o discurso de ser deficiente, ter o vírus do HIV ou estar com criança pequena no colo. Primeiro porque odeio gente que usa criança prá sensibilizar, segundo porque todo e qualquer ser humano assintomático do vírus HIV pode trabalhar e se sintomático, pode recorrer aos postos de saúde públicos (o Brasil está avançadíssimo no tratamento da AIDS) para conseguir o coquetel de medicamentos. E terceiro porque as empresas andam desesperadas atrás de portadores de deficiência para cumprir a cota imposta pelo Ministério do Trabalho. Então, o comerciante despede-se: "Boa noite a todos. Deus abençõe aqueles que ajudaram e os que não puderam ajudar também. Tenham uma boa viagem e bom descanso".
Como eu poderia ter uma boa viagem com tanto contratempo atrapalhando meu sossego??? Enfim, perto de chegar o ponto de desembarque, levanto, linda, morena, poderosa e corajosa e sigo em direção à porta. Mais uma vez, aperto o botãozinho que sinaliza meu desespero em sair correndo daquele meio de transporte e me penduro no "cano" superior. Imaginem um ser humano de 1,56m (com mais aproximadamente 4cm e salto) pendurada no "cano" do teto do ônibus. A cada salavanco, tinha a sensação que meu braço seria decaptado.
Desço mais aliviada. Porém, a saga continua... Mais duas quadras de caminhada. Agora, de descida. Mais ladeira, mais buracos, mais cocôs. Desviando, sigo pelo meio da rua. À noite, a região onde moro fica um pouco perigosa (aliás, que região em São Paulo não é a qualquer hora?!) e tu tem que ter olhos na frente e atrás. Embora eu tenha um olho atrás, ele não enxerga. Então não me ajuda muito. A sorte é que na minha rua tem uns seguranças que trabalham num puteiro aqui perto. Eles sempre me vigiam quando passo. Agora, não sei se me vigiam prá me proteger ou se ficam ligados na hora que entro, na hora que saio e que roupa eu estou a cada dia da semana para ter informações prá passar a uma quadrilha e programarem um sequestro relâmpago. Finalmente, chego em casa sã e salva.
Ao passar pelo portão (que é vigiado e tem travas eletrônicas), cumprimento o porteiro com um "bom dia" (sendo que eram quase sete da noite) e o cara me responde rindo com um "boa noite", provavelmente pensando que sou louca e perdi a noção do tempo. Sete andares prá cima, abro a porta do meu castelo e aqui estou. Agora sim, podendo curtir minha noite de frio europeu em plena metrópole. Do jeito que eu sempre sonhei...

Por favor...

Não me obrigue a nada.
Não me peça explicações.
Não exija que eu saiba interpretar da maneira correta.
Não funciono só de uma maneira.
Sou controvérsia.
Sou contradição.
Sou porém.
Sou ponto e vírgula.
Sou o avesso do avesso.
Sou razão e emoção.
Sou amor e ódio.
Sou bem e mal.
Sou certo e errado.
Sou azedinho doce.
Sou côncavo e convexo.
Sou anjo e demônio.
Sou remédio e veneno.
Sou água e fogo.
Sou sol e chuva.
Sou menta e chocolate.
Sou rosa e espinho.
Sou grito e silêncio.
Sou cheio e vazio.
Sou Id e Ego.
Sou Yin e Yang.
Sou ângulo e vértice.
Sou azar e sorte.
Sou vida e morte.
Sou luz e escuridão.
Sou sim e não.
Sou bondade e maldade.
Sou inocência e malícia.
Sou Santos e Corinthians.
Sou o oposto de mim mesma.
Sou o oposto que atrai você.
Por favor, não peça que me escreva.
Não me descreva.
Não tenho manual.
Não tenho bula.
Mas tenho contra-indicações.
Não tenho instruções.
Sou metade do que pareço, menos do que dizem e nada do que pensam.
Sou instável, inconstante, incompreensível, inimaginável, indecifrável, inexplicável, incomparável.
Enfim, indescritível.

terça-feira, 15 de julho de 2008

A linha tênue entre a razão e a emoção

Existe uma encruzilhada entre a razão e emoção. E ela está lá. Sem saber prá onde ir. Sem saber que caminho seguir. Muito menos que trilha escolher...
Em seu dia emoção, ela saiu decidida. Colocou seu jeans justinho que até prendia a respiração, seu decote mais fundo mostrando quase seus mamilos e seu salto mais alto e mais fino. Lingerie de oncinha pequenininha. Perfume da noite. Chapinha no cabelo. Preto nos olhos. Boca molhada. Corpo curvado, pedindo prá ser devorada. Seus poros exalavam sedução. Seu suor cheirava a sexo. E era o que ela queria: uma noite e nada mais. Sexo selvagem com direito a muitos orgasmos múltiplos e um charutinho depois da festa.
Não demorou muito. Ela pisou na balada e arrasou!
Sabe aquele que é cobiçado por todas e fica com poucas? Isso, o moreno, alto, dono de uma revendedora de carros importados que anda em carrão e vai prá balada de bonézinho e baby look? Pois é, o próprio a abordou. Parece que fez sua leitura corporal. Começaram com um primeiro drink e muita conversa. No segundo, muita gargalhada. No terceiro em diante, muitos beijos e lambidas e mordiscadas. A balada estava ficando explícita demais pro tesão que os dois estavam sentindo. E era exatamente o que ela queria. Saiu, poderosa, ainda de mãos dadas com o bonitão e esnobando todas depois que ele pagou sua conta e que ela sentou sua bunda empinada na Ferrari vermelha dele. Foram direto pro motel mais próximo e luxuoso da região. E assim foi: uma no carro, uma na escada, uma na mesinha do café, uma na cama. Outra na cama. Outra na cama. Outra na cama. Já estava amanhecendo quando decidiram dormir.
Quando acordou, inesperadamente, ela deu de cara com o que menos desejava encontrar: a razão! Puta que o pariu, o que ela estava fazendo ali, aquela hora??? Parece que a emoção virou abóbora e pegou essa aventureira do sexo de surpresa!
Atormentada ainda por uma sombrinha de dor de cabeça das bebidas da noite anterior, tirou o braço forte daquele moreno que ela mal sabia quem era de cima de seu corpo e caminhou nua até o chuveiro. Sentia dores. Lembrou-se que o sexo havia sido bom na noite anterior. Lembrou-se das tantas gozadas dos tantos jeitos. Lembrou-se das tantas posições ao sentir seu corpo dolorido. Deixou a água bem quente prá limpar todo sêmem que ainda tinha em sua pele. Esfregou aquele sabonete-pequenininho-para-qualquer-tipo-de-pele contra seu corpo com força, para lavar a culpa. Usou o mini-shampoo-para-qualquer-tipo-de-cabelo para arrancar da sua cabeça a ressaca - da bebida e da moral.
Voltou para o quarto enrolada na toalha como se seus fios fossem protegê-la de todas as críticas que ouvia até ela perceber que as críticas estavam dentro de si. Saiu correndo em busca de suas roupas que estavam espalhadas junto às dele. Roupas as quais ela nem sabia direito a quem pertencia, que tamanho eram, de que marca seriam. Achou. Conseguiu se recompor. E não pensou duas vezes: foi embora prá casa de táxi.
Chegou. Ainda de cabelo molhado, deitou sem imaginar que isso só pioraria sua dor de cabeça. E que deitar só a faria pensar no que tinha feito. Ela não foi prá casa sozinha. Ali estavam as duas, frente a frente, se encarando, no momento de se enfrentarem a sós: ela e a razão novamente.
Brigaram, discutiram, se estapearam, se questionaram, se puniram. Mas chegaram a uma conclusão. Ela queria sim, exatamente tudo o que havia acontecido naquela noite. Mas ela queria mais...
Ela queria, depois da última gozada, poder dizer "eu te amo" e dormir de conchinha. Ela queria poder acordar hoje e, deitada no seu peito peludo e quentinho, dizer o quanto a noite havia sido maravilhosa. Queria se sentar na beira da cama enquanto admirava e era admirada por aquele homem que estava ao seu lado depois daquela noite fantástica de sexo com amor. Ela queria curtir um banho de espuma com ele e depois tomarem uma chuveirada. Queria sair do chuveiro com ele enrolando-a na toalha e acariciando seus cabelos. Ela queria poder tomar café ao seu lado, sair do motel e dar uma voltinha no shopping. Mais tarde, ela queria almoçar com ele e pegar uma sessãozinha da tarde no cinema com direito à muita pipoca e refrigerante. Queria voltar prá casa e assistir Fantástico ao seu lado. E fazer amorzinho na cama pura de novo, antes de dormir.
E nessa crise ela tem vivido, Um conflito interno. Uma luta constante. Diária. Que contradiz a intensidade na qual gosta de viver. Que muda de personagem sempre que resolve se enfrentar. Em todos os momentos ela se vê nessa encruzilhada. E ainda continua sem saber qual caminho deve seguir.
E ele não ligou no dia seguinte...

Por que eu sinto tanto sono???

Impressionante! Ele vem, me aplaca, me derruba e é difícil controlar. O corpo fica mole, os olhos pesados, bate aquela lezera... Mas não é um sono comum. É um sono que cisma em aparecer nas horas mais inconvenientes: se estou no ônibus lendo um livro, se estou no carro dirigindo, se estou vendo aquele filme por mais interessante que seja, se estou conversando com aquela amiga que só sabe falar da sua própria vida, se estou em uma reunião importantíssima marcada para às nove da manhã, se estou entrevistando o candidato para diretoria comercial às quatro da tarde, se estou acordando de madrugada para trabalhar e aperto o "soneca" do meu celular mais de 7 vezes até perceber que estou atrasada, se estou acordando no início da tarde num fim de semana, se passo o dia inteiro jogada na cama, se estou às duas da matina na balada ainda no zero à zero, se estou na porta de casa conversando com o namorado dentro do carro, se estou até altas horas na frente do computador. Enfim, ele não pede licença. Simplesmente chega e fica.
E por que eu sinto tanto sono?
Sinto sono prá esquecer que estou no ônibus, sinto sono prá me distrair do trânsito de São Paulo, sinto sono prá esquecer da vida da princesa que protagoniza aquela comédia romântica, sinto sono prá fugir daqueles babacas engravatados que cismam de marcar reunião tão cedo, sinto sono prá não escutar a realidade do candidato à diretoria que vai ganhar dez vezes o que eu ganho, sinto sono porque quero fugir da realidade de ter que trabalhar oito horas por dia e só ter um salário por mês, sinto sono prá não perceber que é um puta domingo lindo de sol e eu dormi até tão tarde, sinto sono porque percebo que mais um fim de semana está acabando, sinto sono porque olho ao meu redor na balada e vejo o bando de caras babacas que querem se mostrar o que não são - assim como eu, sinto sono prá não ter que ouvir a conversa do meu namorado babaca fazendo juras de amor eterno já que eu sei que não é prá sempre, sinto sono porque me canso de ver que na internet cada um é o que gostaria de ser e eu ainda acredito.
Ou será que sinto sono como um mecanismo de defesa para fugir de coisas que ecoam dentro de mim? Ou prá tentar liberar meu superego prá viver a vida que meu ID quer e meu Ego não deixa? Ou durmo prá reprimir coisas que conscientemente me perturbam?
O pior de sentir sono, é não poder dormir na hora que eu quero. Então, por favor, alguém desliga essa porra desse despertador do mundo prá eu poder dormir mais um pouquinho?!

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Eu me amo! (esclarecendo post anterior)



* Melhor do que dizer "Eu te amo" é dizer:

Eu me amo...
Amo quem sou, amo minha essência, amo meus valores.
Amo minhas raízes, amo minha educação, amo meus modos.
Amo o sentido que dou prá vida.
Amo a fidelidade com que trato meus relacionamentos.
Amo o jeito que ajo profissionalmente.
Amo o respeito que tenho pelas pessoas.
Amo a paixão que tenho por cachorros.
Amo minha boca, quando ela dá aquele sorriso escancarado de felicidade, quando ela dá aquele sorriso metálico sem jeito e quando ela faz aquele biquinho de manha.
Amo meus olhos.
Amo a sinceridade que eles passam.
Amo a transparência como eles refletem minha alma.
Amo meus olhos com maquiagem preta.
Amo o conjunto harmonioso que faz meu rosto, quando estou alegre, triste, brava, chateada.
Amo o jeito que meu nariz fica vermelho quando choro.
Amo quando as lágrimas deixam meus olhos iluminados quando me emociono.
Amo meus peitos pequenos e minha bunda grande.
Amo a barriguinha que alguns meses de deprêzinha me proporcionaram.
Amo minhas coxas grossas, meu tornozelo espesso e meus pés número 36.
Amo a minha sombra na calçada, que revela meu rebolado ao andar e o comprimento dos meus cabelos.
Amo a delicadeza com que falo com as pessoas quando preciso dar algum conselho ou dizer algo que sei que elas não gostarão de ouvir.
Amo o jeito rude com que falo com as pessoas quando quero que elas saibam que estou magoada com elas.
Amo minha maneira de acreditar na vida.
Amo minha leveza ao andar sobre salto agulha.
Amo minha firmeza ao andar sobre os mesmos saltos.
Amo meu jeito independente de ser, de trabalhar, de conversar, de fazer amizades, de me virar.
Amo minha dependência emocional, de carinho, de cafuné, de palavras otimistas e de elogios.
Amo a maneira que me visto bem quando quero arrasar.
Amo o jeito que fico desleixada quando meu único objetivo é ficar o dia todo em casa comendo e vendo Sex and The City.
Amo minha generosidade.
Amo meu egoísmo.
Amo meu ciúminho.
Amo o charminho que faço quando quero.
Amo a sensação que tenho quando olho prá tráz e vejo que alcancei quase tudo exatamente do jeitinho que eu queria.
Amo notar que falta apenas 5%.
Amo ter feito cursos.
Amo quando me confundo ainda ao falar Espanhol.
Amo minha fluência e sotaque no idioma Inglês, sem mesmo nunca ter viajado para fora do Brasil.
Amo ter feito faculdade sem poder e ter superado esta luta ano a ano.
Amo ter feito MBA subsidiado pela empresa que trabalhava.
Amo meu jeito batalhador, meu jeito sonhador, meu jeito de achar que tudo sempre vai dar certo e que o mundo é cheia de boas intenções.
Amo também meus delírios persecutórios, quando acho que todo o mundo está contra mim.
Amo a fé que tenho em algo maior que eu que certamente me guia e me leva para o melhor caminho, por mais que ele seja o mais doloroso.
Amo o jeito que tenho de me entregar intensamente à uma paixão.
Amo o medo que tenho ao ver que estou me entregando intensamente à uma paixão.
Amo tudo que sinto.
Amo a maneira que consigo escrever expressando o que sinto.
Amo o caminho que trilhei até então.
"Às vezes me odeio por quase um segundo, depois me amo mais..."
Enfim, eu me amo!

Os dilemas sobre o sexo...

Hoje a discussão esquentou e, inevitavelmente, o assunto foi abordado: ceder ou não ceder, eis a questão. No blos dos "meninos" (como chamo carinhosamente esses MELHORES AMIGOS que certamente passarão a fazer parte da minha vida, não sei ao certo como) surgiu a discussão acerca do tema.
Dar ou não dar? De primeira ou não? Qual a relação com o amor? Existe sexo por sexo feito também por nós, mulheres? Sexo é uma forma de conquista? Ou um artifício? Nossa, quantos muitos questionamentos para tão poucas respostas. Os pontos de exclamação permanecem, perpetuam e se fortalecem a cada comentário postado.
Na minha mera e humilde concepção, não há uma regra. Porém, não se deve haver julgamentos. Gosto de sexo sim, quietinho ou selvagem. Dou, no carro ou na cama. Ah, em cima da mesa, da pia, ou da máquina de lavar. Não importa se para o cara que eu conheci na última balada e que me levou direto para o motel ou para o drive-in, ou se para o cara que namoro há anos e que sonho ser o pai dos meus filhos.
Sexo, ou melhor, ser sexy não deixa de ser uma forma de conquista sim. Porém, talvez seja bacana o outro (ou a outra) perceber que por trás de todo o tesão que tá pegando na hora, tem uma pessoa bacana, íntegra, com valores, objetivos de vida e moral. Nós, mulheres, adquirimos essa conquista de transar pelo simples prazer de ter prazer. Ainda bem! Embora emocionalmente, nem todas saibamos lidar bem com isso. Sorte das que sabem. Não são obrigadas a acordar com aquela ressaca moral no dia seguinte. Azar ou aprendizado para as que ainda não sabem. Quando se está com a auto-estima bem resolvida, lida-se bem com o sexo por si só. Quando não, também. Só, talvez, seja importante não misturarmos as estações e termos consciência de nossas condições.
Porém... Hoje, mais velha (nem tanto!), tenho uma outra concepção do sexo. Que ele é bom, aliás, ÓTIMO, essa nunca vai mudar! Mas que ele é bem melhor acompanhado de um companheirismo, de um carinho, e, se possível, de uma paixão arrebatadora, daquelas que te deixam sem ar... Ah, disso eu não tenho dúvidas! Transar hoje, prá mim, sem o mínimo de carinho é como ir no McDonald's e não pedir o número, sabe?! Só a batata ou só o refri ou só o sanduíche não tem a mínima graça.
Não descarto a possibilidade, não julgo, não condeno, nem atiro a primeira pedra e nem digo que jamais fiz ou faria novamente o sexo pelo sexo. Mas...
É indescritível a sensação da mão na nuca ou no meio das pernas, do peso contra o teu corpo, da respiração ofegante, do suor ligando os dois, da língua faminta em busca de algo. E tudo isso fica bem melhor se, ao final de tudo, puder haver um olho-no-olho e um "eu te amo" acompanhado de um cafuné e um aconchego no peito.
Ah, continuo intensa sim! Porém, agora, de outros modos...


Será que eu nunca mais vou ser feliz assim?!

Tô num momento muito chato da minha vida. Crise existencial. Sabe daquelas que você não pára de se questionar? Minha cabeça pensa tanto que até fico tonta. E chata prá sair, prá conversar, prá ver os amigos. Assim, quem me acharia interessante? Sempre questionando a tudo e a todos. Questionando o porquê do céu azul. Saca, criancinha de 6 anos naquela fase? Pois é. Mas com o bônus de eu ter trabalho, contas prá pagar, casa prá limpar, carro prá abastacer.

ÓBVIO! Eu jamais deveria estar reclamando de tudo isso. Sou uma profissional dedicada, amo o que faço, tenho um salário bacana, estável financeiramente, carro do ano, um currículo invejável (com Inglês, Espanhol e MBA na FGV), bastante amigos (ao menos tem mais de 300 no meu orkut), escrevo bem, falo bem, tenho uma boa apresentação, um corpinho razoável (confesso que deveria cuidar mais desse quesito) mas olhos maravilhosos (modéstia à parte e segundo todos dizem - sem excessão).

Do que eu estaria reclamando então???

Ah, claro... A tal da falta! De que? É, disso mesmo que você está pensando. Não só disso, mas do que acompanha isso. Ter alguém, dividir, compartilhar, somar, subtrair. Mas alguém prá chamar de meu (por mais que eu saiba que isso só é bonito quando abordado poeticamente, já que ninguém pertence a ninguém). Alguém prá ouvir minhas lamentações, dar risada das minhas distrações, me colocar no colinho, fazer cafuné, enfrentar filas, ir no cinema, fazer cócegas, ouvir o ronco, dar remédinho, tomar banho junto, fazer compras... Ah, essas coisas básicas que todo ser humano sente falta.

Dizem que devemos esperar que, quando menos esperarmos, encontramos a pessoa certa. Mas como fazer de conta que não existe falta se é um buraco enorme aqui dentro que nos paralisa e nos torna seres impensantes?

Será que eu nunca mais vou ser feliz assim?!

domingo, 13 de julho de 2008

The safe place

Terminando domingo. Musiquinha do Fantástico. Dia embaixo do edredon. TV, DVD, TV, DVD. Cozinha, banheiro, cozinha, banheiro. Tudo tão quentinho, tão quietinho, tão seguro. Não, por favor, não me tirem daqui! Não permitam que chegue a segunda-feira novamente. E que eu tenha que enfrentar todos aqueles monstros novamente. Os monstros que existem dentro de mim.

O drama do não-pretendente

Ele te olha. Puxa um papo interessante. Bem humorado. Conhecem-se no ambiente profissional. Exatamente do jeito que está descrito em qualquer bula do relacionamento ideal. Trabalha. Tem carro e moto. O signo é interessante. Idade compatível. Gosta de viagens. E o mais importante: está disponível!
No feriado, ele manda um torpedo convidando para um programa especial, um almoço em uma lanchonete da moda, um passeio em um dos parques mais famosos da cidade e um jantar em um restaurante japonês. No final de semana, convite prá balada a dois e mais jantar especial. Porém...
Você rejeita a todos os convites. Mal responde os torpedos e, quando vê que a ligação é dele, não atende. Ué, o que há de errado? Há tanto você anda buscando o homem da sua vida, aquele que vá te proporcionar momentos de felicidade, amor e carinho, aquele que vá te fazer sentir um arrepio que pega da base da lombar até a ponta da nuca e...
Ops! Aí está o problema. E ele não lhe provoca tudo isso. Por mais que pareça a pessoa certa no momento certo... É, aparências enganam. E o que você faz?
Adiantaria forçar um relacionamento? Ou... "Dê ao menos uma oportunidade de conhecê-lo, quem sabe não desperta algo aí dentro?". Ou... Seria apenas mais um encontro fracassado com a sensação de "O que eu estou fazendo aqui?" no primeiro momento que se visse sentada ao seu lado, no carro.
Assim, segue a vida. Você tenta ser, delicadamente, sincera. Talvez, perca mais uma oportunidade que a vida possa estar te dando de ser feliz. Ou talvez, apenas esteja evitando mais uma vez enxergar urubu com penas de pavão, sabendo que lá na frente isso não traria bons resultados...
E assim se vai mais um não-pretendente!

Mesmo que as almas não tivessem agendado o encontro ainda, ela resolveu sair para encontrar os corpos!

Agora ela está em frente ao computador, dormiu de rímel e acordou de sombra, ainda com o pijama amassado, o cabelo com aquele cheiro insuportável de cigarro e o eterno companheiro pós balada que ela não via há longo tempo: o vazio!
Claro! Apesar da fila de duas horas, a balada foi boa, novo lugar, novas pessoas, ótimo som misturando pop e rock, nacionais e internacionais, do jeito que ela gosta. 75% de homens frequentavam o point. Homens aparentemente interessantes, mais velhos, provavelmente já decididos e com objetivos de vida. Mas... Ela esqueceu de apenas um detalhe: TODOS, sem exceção (?) eram HOMENS DE BALADA!
Enfim... Como diria um velho ditado: "Está no inferno, abrace o capeta!". E foi o que ela fez. Abraçou o primeiro capeta moreno de olhos claros que apareceu na sua frente. Depois de uma breve conversa de menos de 5 minutos, daquelas que você mal sabe a idade, o trabalho e sequer o nome do pretendente, após cantadas ridículas do tipo: "Encontrei a mulher da minha vida, nossos filhos nasceriam lindos com olhos claros e você era tudo que eu procurava", ela abraçou o capeta e... Argh! Que beijo horrível! Enfim, foi pouco (o capeta deveria estar tentando outra no andar de cima, devido à sumidinhas que dava entre os poucos minutos que conversaram) e ele partiu. Não sem pegar o número de seu telefone e lhe prometer uma sessão de cinema no domingo, com direito a muitos beijos. Esse ela torceu prá que não ligasse mesmo!
Enfim, a balada continua... Os corpos se encontraram, mas a alma não. Mais uma dose de vodca com energético para distraí-la até o fim da noite. Até o momento de ir embora, chegar em casa e dormir (sem mesmo tirar a maquiagem ou o cheiro de cigarro insuportável do cabelo). Amanhã seria um outro dia. Sem cinema, sem cara de balada e sem beijo ruim!
Bom domingo!!!

sábado, 12 de julho de 2008

Os encontros importantes já foram combinados pelas almas antes mesmo que os corpos se vissem

... e ela acreditava muito nessa frase. Passou a levá-la como lema para toda sua vida. Mas aí ela errou. Não saía de casa, não se comunicava com o mundo lá fora. De que adiantaria essa atitude? Estaria ela esperando que alguém a adicionasse no orkut com uma daquelas cantadas idiotas, ou que encontrasse o homem da sua vida em uma sala de bate-papo com aqueles papinhos medíocres sobre sexo ou que algum de seus contatos do msn visse sua foto e revelasse uma paixão arrebatadora reprimida há anos??? Ela estava levando esse lema muito a sério.
Passa o dia todo em casa, acompanhada de um bom DVD de comédia romântica, sonhando que em algum desses tropeços da vida ele apareceria. Ou então, acompanhada de coisas que lhe fizessem mal, muito mal, como algum tipo de punição: leite condensado, barras de chocolate, pipoca com manteiga e muita, muita cerveja. Onde isso a levaria? Certamente a alguns quilinhos a mais. Mas não ao amor da sua vida.
E chega a noite. Ela faz a unha com seu tom de vermelho preferido, toma um demorado banho quente, seca seu cabelo, passa seu mais cheiroso creme da Victoria Secrets, capricha na maquiagem destacando seus lindos olhos azuis. Prá que? Prá continuar em casa. Na companhia de seus DVD's, de seu masoquismo engordativo, prá passar demaquilante e encarar mais uma noite de sono.
Esse medo a impede de arriscar. Acredita que algum corpo, cuja alma já tivesse agendado seu encontro, venha à sua procura. Mesmo que seja o entregador de pizza, esfiha ou comida chinesa.
Até amanhã!

Não falo de dormir, e sim de acordar...

Não demorei prá dormir como alguns de meus colegas blogueiros. Depois de umas cervejas, o sono vem mais fácil. Os sonhos também. O superego se dilui no álcool e facilita qualquer movimento onírico. Alguns que já nem me lembro mais. Reprimidos, talvez. Não sei por quem, já que o superego estava bêbado!
Mas falo de acordar. Acordo tarde (passado do meio-dia), com uma sombrinha de dor de cabeça por causa das umas cervejas de ontem. É, meu fígado já não é mais o mesmo.
A primeira coisa que faço é ligar o computador. Até mesmo antes de fazer xixi, pois ele estaria carregando enquanto isso. Sem escovar os dentes, pentear os cabelos, tomar banho e tomar café, sento aqui e já me ponho a escrever. Esse vício que anda me dominando nesses últimos dias está se tornando incontrolável. Existiria um EA - Escritores Anônimos? 12 passos seriam pouco!
Esse vício acaba me dominando pela adrenalina que me provoca, pela serotonina que me traz ao perceber a fascinante arte de ao menos tentar me descrever aqui. Prá poucos, alguns ou nenhum. Mas, acima de tudo, prá mim mesma. Como é boa a sensação de tentar se decifrar! Por mais que, a cada palavra, tudo fique mais confuso do que estava!
Agora sim. Vou tomar banho, pentear os cabelos e tomar café. Afinal, tem um dia ainda me esperando... Talvez, de mais escritas!

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Por que ainda me lembro de você?

Ah, já faz tempo. Cronologicamente, pouco. Mas, tenho feito meus dias mais intensos de alguma maneira para parecer que faz mais. Não ía suportar viver com o aperto das tuas lembranças. Muito menos com ás mágoas que você deixou.
Prá contradizer todos os meus planos de ação prá te esquecer, hoje fui pega de surpresa. Bastou ler o texto "Linha Cruzada", ouvindo "Big Girls Don't Cry" bem alto prá eu contrariar a música...
Meus olhos se encheram de lágrimas do ódio que eu sentia por achar que ainda amava você. Digo achar porque ainda não sei se amo você ou se amo ter alguém como você ao meu lado. É por isso que vivo procurando nos outros algo que me lembre você. Não na totalidade, porque a totalidade eu descartei, eu joguei fora, eu dispensei e expulsei da minha vida. Mas que me traga alguns traços de você de volta.
Acho que amo você porque me lembro do seu olhar, das suas palavras de carinho, das suas juras eternas de amor, de todos os seus sonhos onde eu estava presente, dos passeios, dos cafunés, do jeito que você sempre dava de encostar teu pé no meu todas as noites, da dedicação com que você preparava meus almoços de domingo, da paciência que você tinha quando eu estava de TPM, do quanto você me levava prá lá e prá cá sempre que eu precisasse, da água do chuveiro que você esquentava antes de eu entrar, da toalha que você enrolava no meu corpo quando eu saía do banho, do sexo sincero, verdadeiro e intenso que fazíamos, das fantasias que realizávamos e da sensação de completude que eu tinha em alguns momentos que estava ao seu lado.
Agora, me confundo ao achar que amo ter alguém ao meu lado que tenha seus traços. Mas tenho certeza que eu JAMAIS teria alguém como você na sua totalidade porque eu odiava quando brigávamos e você fazia questão de me inferiorizar, eu odiava as vezes que você me mandou ir embora e eu não fui, eu odiava sempre que você dizia que ia sair e me deixar sozinha depois que discutíamos, eu odiava quando sua inveja por eu falar Inglês era nítida, eu odiava quando percebia que você queria consertar em mim os seus próprios erros, eu odiava quando você falava o Português errado, eu odiava como você fazia questão de realizar suas fantasias justamente nos dias que eu não estava na vibe, eu odiava quando você reclamava que eu havia engordado, eu odiava os dias que vivemos juntos e você fingiu que estava vivendo sozinho, odiava a maneira que você me fez pegar meus sonhos, picar em pedacinhos e atirar pela janela.
Dia desses fiz um teste: tentei me lembrar das nossas brincadeiras de casal que fazíamos ao acordar, e nada me veio à memória. Nem mesmo sua voz. Logo em seguida, tentei me lembrar de momentos em que você tivesse me feito algum mal. E lembrei de quando você entrava e saía, sem mesmo notar que eu estava lá. Entre várias outras lembranças...
Pronto. A música acabou e eu estou lendo um outro texto. Passou!

"Você só escreve isso quando está com depressão?"


Poucas pessoas conhecidas sabem da existência desse blog. Pouquíssimas. Na realidade, duas ou três. Aqui, revela um lado meu que nem sempre é bom ser revelado. Um lado B, um lado negro, um lado sadô-masô que nem todos compreenderiam. Hoje, empolgada, comentei com minha amiga-irmã a respeito e passei o endereço para ouvir suas críticas, mesmo com um pouco de vergonha que ainda me sobra de quando pequenininha, na frente de todo mundo, sendo eleita a Mini Miss da minha escola. Esperava uma crítica negativa, que não veio. Também, críticas positivas, que vieram como enxurrada. Ela gostou. Que alívio! Daí eu senti o orgulho, meu ego inflou como no mesmo dia que fui eleita Mini Miss da minha escola, após passar a vergonha. Mas, prá minha surpresa, me fez uma pergunta interessante e que me fez refletir: "Você só escreve isso quando está com depressão?". Nossa! Depois dessa pergunta, muitas vieram à tona e me fizeram questionar a mim mesma. Talvez escrever quando se está mal seja mais fácil. As palavras fluem, o sentimento vem à flor da pele, o lado sujo transborda e não se mede o que se externaliza. Saem escrachos, esculachos, palavrões, asneiras, besteiras, sujeiras. Tudo daqui de dentro. Daquele meu lado que eu não gosto que ninguém veja. Porque é fácil as pessoas te acharem forte, madura, assumida, resolvida, resistente. É difícil que elas vejam seu lado fraco, infantil, medíocre, invejoso e infeliz. Mais ainda, que o aceitem!
Por outro lado, que graça teria um blog escrito de amenidades? Borboletas, flores, arco-íris, águas dançantes, sapinhos na lagoa, príncipes encantados... Ah, isso a gente vê em qualquer lugar! É mais fácil, é mais cômodo. Como se as pessoas fossem felizes nesse contexto. Tem que ter o lado mal da força, o lado dark, o punk prá pesar. E contrabalancear com o lado soft. Esse blog não é prá ser poético. Mas, de alguma forma que eu ainda não sei explicar, acaba o sendo. Será que o cotidiano é assim, poético?
PS.: Nem sei se tenho de fato depressão. Só porque tomo sertralina 50mg???

Fim de semana

Fim de semana, decidi. Na segunda vou dizer que me recolhi. Antes de ver que há vida lá fora, preciso checar se há vida aqui dentro.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

A tal metáfora do amor...

Quando nasci, nem sequer imaginava do que se tratava. Porém, provavelmente, me senti atraída pelo médico que realizou meu parto. Na pré-escola, eram os amiguinhos que disputavam prá fazer par comigo nas danças de datas comemorativas. No colégio, aqueles meninos-homens se transformando, aquelas vozes grossas, aqueles pêlos que começavam a me incomodar. Ainda, os professores, cheios de inteligência, charme e maturidade despertando o amor platônico. Na faculdade, os verdadeiros amores.

Menina: "Pai, com quantos anos vou poder namorar?"
Pai: "Só depois dos 18, minha filha".
Mal sabia ele que na pré-escola já dava presente de Dia dos Namorados - um carrinho de plástico que vinha no doce. Mais tarde, os bilhetes percorriam a sala de aula e a biblioteca de estudos era local de namoricos e amassões. Na faculdade, quantas e quantas aulas perdidas prá ficar ao lado daquele que, naquele momento, era o homem da minha vida! Tive tantos únicos e últimos que até perdi as contas!

E não estamos falando de muitos anos atrás... Afinal, tenho apenas 28! A memória mais fresca está relacionada às aulas do MBA e às saídas da sala para atender ao celular ou às interrupções nas aulas para responder algum torpedinho.

Desde sempre, talvez desde o médico, pensava: "Quando estiver nos 30, tudo isso já estará resolvido. Minhas dúvidas amorosas, sanadas. Minhas inseguranças, dominadas. E ELE sim estará ao meu lado".

Hoje, vos escrevo aos 28 anos, caros amigos leitores e companheiros... E onde estará ELE? Quando estava na pré-escola, achava que na faculdade as questões do coração já estariam resolvidas. Estaria eu completamente equivocada. Desde o médico...


Come on... Fill my blanks!


Venha, estou cheia de lacunas. Há espaços entre minhas mãos, meus cabelos, meus dedos do pé, minhas pernas, meu dentes. Há espaço na minha mente, em meus neurônios, entre meus pensamentos, devaneios e fantasias. Venha preencher a lacuna que se tornou minha vida. Eu tiro todo o vazio prá você poder penetrar em minhas lacunas e preencher o que resta.

Porém, não se assuste. No começo, serei resistente. Tentarei te arrancar à unha, à força, à fórceps. Te empurrarei com as pernas, te forcarei contra a parede, te sufocarei debaixo d'água. Mas, por favor, não desista. Tenha em mente, como meta e objetivo, fazer parte de mim. Venha certo de que fará seu papel sem recuar. Não deixe que minhas lacunas continuem assim, sem sentido, sem rima, sem prosa, sem verso. Venha, preencha minhas lacunas!


Plenitude


Hoje acordei cheia. Sufocada. Repleta. De peito, alma e coração preenchidos. Tão preenchidos que não cabe mais nada. Nada além do vazio que me toma conta. É uma areia movediça, que quanto mais piso, mais me afundo. É um buraco escuro, para o qual corro prá dentro e vou perdendo as frestas de luz. É uma cegueira recente que me faz apalpar, tatear e não saber identificar. É um corpo sem pernas que espera que a vida empurre a cadeira de rodas e que é impotente para se levantar e seguir contra ela. É a corrida do sonho, que você se esforça sem conseguir sair do lugar. Tem tudo e tanto por fora e pouco e nada por dentro. Muito de pouco. E tanto de nada. E gera angústia. Não dor. Porque o veneno não dói. Ele só mata. O vazio é assim. Ele não te traz consequências físicas, só que te faz perder o rumo. Ele não te xinga diretamente, só que te faz sentir a pior das espécies. Ele não te insulta, só que coloca a tua auto-estima no chão. E então começa a batalha, que parece não ter fim. Ou parece se findar quando algo, que não seja o vazio, passa a fazer parte desse contexto. Até o momento que esse algo se vai, dando lugar ao vazio novamente. Que parece voltar maior, pior, com mais força. E nesse tira e põe, nesse vai e vem, nesse escravo de jó, eu permaneço cheia. Mesmo que seja de um vazio que me torne plena.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Exposta


Às vezes me sinto exposta como se estivesse do avesso. Sinto como se minha vida fosse uma mucosa. Algo que absorve tudo o que chega perto, seja de bom ou de ruim. Na carência, me abro, me dedico, me entrego. Depois, me recolho. Sinto essa necessidade. Talvez de mostrar o que tenho por dentro sim, mas não dessa maneira. Não na horizontal, por baixo ou por cima. E sim na vertical, de igual prá igual. Necessito que me encontrem sim, mas sem eu precisar me mostrar tanto. Aí me encolho. Me deixo em casa, no sofá, na companhia de DVD's e programas medíocres de TV. Imaginando como seria se eu tivesse saído, colocado a cara prá vida, me arriscado mais. "Apenas curta", eu ouço sempre como conselho. Não consigo. Quando me relaciono, me envolvo. Deixo minha mucosa à mostra. E, prá não correr riscos de ser infectada, me recolho.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Novidade!


Passa das três da manhã e eu não consigo dormir. Inaugurei hoje meu blog e veja só o tanto que já escrevi... Inspiradíssima em Tati Bernardi, não parei desde que sentei em frente ao computador, há umas cinco horas atrás. Viro, remexo, fuço o site prá achar novidades pro meu blog. Olho um, olho outro, comento para que as pessoas venham olhar o meu também. Esse agora é meu espaço. Parece que tenho um quartinho só meu com chave que só entra quem eu quiser. De conhecido, é claro! Porque desconhecidos, vou deiar entrar todos! Vou me aproveitar dessa frieza que é a Internet prá vomitar todas as minhas mágoas, descarregar todas as minhas dores e dividir minhas felicidades. Adrenalina pura. Que vou tentar baixar agora, ao desligar o computador. Mas durmo com a certeza de que amanhã a primeira coisa que farei será ligá-lo para ver as novidades!


Transparência

Sou pessoa apaixonada. Pela vida, pelos acontecimentos e pelas pessoas. Meu desejo era ser transparente. Era poder dizer quando gosto e quando não gosto, quando quero e quando não quero. Era poder confessar um erro, desmascarar um sentimento, revelar uma culpa. Era ser direta, objetiva, clara, cristalina. Queria poder correr atrás, me entregar de corpo, me entregar de alma e entregar meu coração. Queria poder ser mãe, ser santa, ser puta, ser mulher. Queria poder ser eu mesma e revelar tudo que tenho aqui dentro: de melhor, de pior, de mais puro, de mais sádico, de mais sacana. Queria poder chorar sem ter que me controlar, queria poder gargalhar sem disfarçar. Queria poder abraçar, beijar trepar com quem, quando e onde, em qualquer lugar. Queria poder ser eu mesma, viva, intensa, verdadeira, sincera. Queria olhar olho no olho, sentir lábios junto aos meus, roçar na pele e sussurrar baixinho um eu te amo, sem medo de me machucar. Queria poder sonhar com o apartamento na metrópole, o chalézinho do campo e a casinha da praia. Queria poder pensar em filhos, no pré-natal, no nascimento, no primeiro dia de escola, nas apresentações de Dia das Mães, na correria do dia-a-dia com as crianças, no aniversário de 15 anos, nas primeiras viagens, nas formaturas, nos casamentos, nos netos e nos bisnetos. Queria não ter limites, não ter realidades, não ter chão para me obrigarem a colocar meus pés.
Mas, acima de tudo, queria alguém prá me querer exatamente desse jeito...


Os efeitos de uma noite


É incrível. É mágico. Fascinante. Quando os olhares se cruzam, o sorriso aparece e o arrepio percorre da base da lombar até o topo da nuca. É recíproco. Se olham durante toda a festa. Se comem com os olhos. Se despem na imaginação. Momentos depois, uma aproximação, um bom papo e boas risadas. Não foi a primeira vez. Eles se beijam novamente. Relembram aquele beijo lento, macio, carinhoso de algumas semanas atrás. Revivem as mãos que percorrem seus corpos e sentem esses mesmos corpos se excitando cada vez mais. Estão em local público, há pessoas em volta. Tentam se controlar e contam os minutos para o final da festa.
Finalmente, ele chega: o final. Saem da multidão e se resguardam em um lugar só dos dois. Tornam realidade aquilo que estava em suas imaginações. Se tocam, se beijam. Se tocam mais intensamente. Se beijam mais intensamente. Peça por peça vai se jogando de seus corpos. As peles se encostam como uma espécie de combustão, de curto circuito. As bocas percorrem os corpos como se já se conhecessem. E páram onde têm que parar. E permanecem até mais um estouro.
De repente, estão juntos, tão juntos que se tornam um só. Ele dentro dela. Ela envolvendo ele com mãos, pernas e afins. É um jogo de prazer. Um tesão incontrolável. Uma. Duas. Três. Dormem. Mais uma. Outra. Dormem. Acordam, dão bom dia. Mais uma. Que noite!
E que dia. Terminou. Tomam café. Despedem-se. Até... Não se sabe quando.
Triste isso para apenas uma noite, né?! Se foi tão bom assim, porque não repetir? Por que não fazer virar uma constante? Não teria havido atração suficiente? Ou interesse suficiente?
Assim, reprime-se as expectativas. Assim, finge-se que nada aconteceu. Assim, joga-se fora os sentimentos. E nesse jogo de defesas, a vida continua...

O que eu quero...

Quero transar com beijo na boca profundo, olhos nos olhos, eu te amo e muita sacanagem. Quero cineminha com encosto de ombro cheiroso, casar de branco, ser carregada no colo, filhos, casinha no campo com cerquinha branca, cachorro e caseiro bacana. Quero ouvir U2 numa noite chuvosa e ter de um lado um livrinho na cabeceira da cama e do outro o homem que amo. Quero sambão com churrasco e as famílias reunidas. Quero ter certeza, ali no fundo da alma dele, de que ele me ama. Quero que ele saia correndo quando meu peito amargurado precisar de riso. Que ele esqueça, de vez em quando, seu lado egoísta, e lembre do meu. Que a gente brigue de ciúmes, porque ciúmes faz parte da paixão, e que faça as pazes rapidamente, porque paz faz parte do amor. Quero ser lembrada em horários malucos, todos os horários, pra sempre. Quero ser criança, mulher, homem, et, megera, maluca e, ainda assim, olhada com total reconhecimento de território. Quero sexo na escada e alguns hematomas e depois descanso numa cama nossa e pura. Quero foto brega na sala, com duas crianças enfeitando nossa moldura. Quero o sobrenome dele, o suor dele, a alma dele. Que ele me ame como a minha mãe, que seja mais forte que o meu pai, que seja a família que escolhi pra sempre. Quero que ele passe a mão na minha cabeça quando eu for sincera em minhas desculpas e que ele me ignore quando eu tentar enrolá-lo em minhas maldades. Quero que ele me torne uma pessoa melhor, que faça sexo como ninguém, que invente novas posições, que me faça comer peixe apimentado sem medo, respeite meus enjôos de sensibilidade, minhas esquisitices depressivas e morra de rir com meu senso de humor arrogante. Que seja lindo de uma beleza que me encha de tesão e que tenha um beijo que não desgaste com a rotina. Que a sua remela seja sequinha e não gosmenta e que o tempo leve um pouco de seu cabelo. Que suas escatologias não passem de piada e se materializem bem longe de mim. Tem que gostar de crianças, de cachorrinhos, e tem que odiar ver pessoas procurando comida no lixo. Tem que dançar charmoso, ser irônico, ser calmo porém macho. Tem que ser meio artista, mas também ter que saber cuidar dos meus problemas burocráticos. Tem que amar tudo o que eu escrevo e me olhar com aquela cara de "essa mulher é única".

OPEN POSITION

Cargo: Titular do coração da requisitante

Função: Mantê-la suspirando de paixão, tesão e amor. Se possível, para o resto de sua vida.

Requisitos: Sexo masculino, faixa etária entre 30 e 35 anos, preferivelmente decidido profissionalmente, com objetivos de vida compatíveis aos da requisitante e disponível no mercado

O candidato em questão precisa encontrar-se em um estado apaixonado, ou ao menos disposto a experimentá-lo, pois essas são as intenções da requisitante. Precisa ser sincero, fiel, tratá-la com carinho e respeito. Precisa estar disposto a agradá-la sempre que necessário, aturar suas crises de TPM e de consumismo, disposto a fazer loucuras, ser bem humorado, ter risada gostosa, olhar o lado bom da vida. Alguém que goste de fazer novas amizades e cultivar as antigas, que goste de viajar e de ficar debaixo do edredom em dias frios, comendo pipioca e assistindo filme. Que passeie na praia, no campo, na avenida, no shopping center. Que goste de sua mãe, tia, irmãos e do seu cachorro. Que a ache linda, mesmo no momento em que estiver acordando. Que continue a achando linda mesmo com uns quilinhos a mais. E que a ache a mulher mais linda do mundo quando ela estiver grávida dos filhos dele. Ah, esse detalhe é muito importante: o candidato tem que ter como objetivo de vida também construir uma linda família, se possível ter um casal de filhos.

Processo seletivo: o processo será realizado internamente, sem divulgação da vaga, com excessão daqueles que demonstrarem interesse em preenchê-la. A primeira etapa seria uma entrevista, seguida de um teste prático.

Benefícios: TODOS. Variados momentos, variadas aventuras, variadas posições. Companheirismo, romantismo, sacanagem, carência, carinho e afins.

Deveres: NENHUM. Quando se está ao lado de quem ama de verdade, nada é obrigação...

O que o vazio é capaz de causar...

Cá estou. Escrevendo mais uma vez. Com um sentimento indefinível, indecifrável, inexplicável. Ele não dói, não causa reações, não demonstra sintomas, não deixa sequelas. Ao mesmo tempo, ele derruba, afunda, massacra, pisoteia. Ele é mudo, ele é surdo, ele é cego. Me deixa dormente, cansada, acabada. Me faz esperar, ter esperanças e criar expectativas. Me faz pensar, imaginar, idealizar. Ele é ruim, mal, nocivo, prejudicial. Persecutório. Aparece assim, sem avisar, quando menos espero. Sempre quando estou bem. Ou quando estou melhor. Ele chega, puxa meus cabelos, soca meu estômago, me estapeia. Me deixa tonta, zonza, perdida, incapaz. Ele me envolve, me abraça, me enlaça e não me larga mais. Ele é o vazio que me assombra, me amedronta e me assusta. O vazio que me faz ter medo de senti-lo prá sempre...

Com os relacionamentos anteriores, aprendi...

Tente, até suas últimas forças. Assim, você não se arrependerá de não ter apostado. Saia com a cabeça erguida e com a consciência limpa. Aprenda o que não quer prá sua vida. Valorize-se, acima de tudo. Ame-se. E não permita, em nenhum momento, que alguém faça o contrário. Escolha, pois é disso que a vida é feita. E se responsabilize sempre pelas suas, por mais que no momento elas pareçam errôneas. Lembre-se que no final, o saldo é sempre positivo. Que o verdadeiro amor só acontece uma vez na vida e, se é verdadeiro, ele não acaba.

FORA DO PADRÃO

Se existisse um carimbo com essas escritas, estamparia na minha testa! Saio por aí, nas noites, nas madrugadas e cada vez mais me conscientizo que sou fora do padrão. Não sou loira, alta, de chapinha, magrinha e com silicone. Não sou filhinha de mamãe, de papai e nem nasci em berço de ouro.
Mas sou MULHER. Com todas as suas letras maiúsculas. Vivo intensamente, luto com unhas e dentes, sofro com minha alma, falo com sinceridade, ajo com lealdade, trabalho com dignidade, amo com o corpo, alma e coração.
Tenho conteúdo, celulite, aparelho, pontas duplas, pêlos pubianos, unhas quebradas, pneus indesejados, risada alta, mal hálito quando acordo. Mas, tenho fibra, tenho garra, tenho carinho, tenho romance, tenho drama, tenho sensibilidade, tenho verdade.
Tenho tanto amor dentro de mim que quase não cabe, transborda. Mas, ao olhar em volta, vejo que as pessoas que me cercam procuram apenas o que não tenho. E não enxergam o que está aqui.
Uma pena... Perdem ótimas oportunidades de serem felizes. E de me fazerem feliz também!

Minha forma de amar virou um fluxograma!

Ainda estou tentando me encontrar. Saio de um relacionamento no qual apostei todas as minhas fichas, toda a minha energia, toda a minha paciência, toda minha serenidade, toda minha energia sexual. Estou tentando recuperá-las...
PORÉM... Nas experiências que já estou vivenciando nesses dois meses de "solitudine", penso que preciso criar estratégias para me relacionar. E percebi que minha forma de amar virou um fluxograma!
Primeira questão: manter-me fechada ou me abrir para as possibilidades? Se...
Manter-me fechada - não corro o risco de me machucar, me frustrar ou me decepcionar. Mas também não me arrisco.
Abrir-me para as possibilidades - corro todos os riscos: de dar, gozar, me apaixonar, sentir, querer, desejar, sonhar, querer. Ter todas essas sensações gostosas que temos quando nos entregamos. Mas sofrer todas as consequências caso alguma dessas sensações não passem de meras sensações...
Segunda questão: no caso de me abrir para as possibilidades, como devo me comportar? Entregar-me de cabeça ou fingir que não é comigo?
Se me entrego de cabeça, posso assustar o macho e fazê-lo fugir.
Se finjo que não é comigo, o macho pode achar que o desinteresse é real e torná-lo recíproco.
Por causa dessas questões, me paraliso. Não ajo, não tento, não inicio. Assim, não saio da primeira caixinha do fluxograma...

Buscas...

Minha vida se resume numa busca. Talvez como a vida da maioria das pessoas. Uma busca incessante pelo melhor emprego, pela realização na profissão, por um salário bacana que pague minhas contas e meus luxos. Por uma família cada vez mais harmonizada, por um bom almoço de domingo, por um relacionamento sem tantas brigas como na adolescência. Busca por conhecimento, por diplomas, certificados. Busca por amizades sinceras, duradouras, amigas de balada, amigas de confissões, amigos homens. Quase tudo já consegui encontrar. Ou ao menos ACHO que encontrei. Não há garantias.
Mas há algo que busco e não me canso de buscar, mesmo que já me sinta cansada. O tal do grande amor... Afe! Devo ser a 1.876.523ª pessoa a escrever sobre esse assunto. Talvez a realidade de muitos que habitam esse planeta. Busco no trabalho, na esquina, na padaria, no ônibus, no ponto do ônibus, no trânsito, no semáforo, no internet, no orkut, nas salas de bate-papo, nas rodas de amigos, na mesa de um bar, na pista de uma discoteca, no balcão de uma lanchonete, nos corredores do shopping, nas calçadas, nas esquinas, no prédio, na vizinhança, no salão, na clínica de estética, no consultório médico, no consultório odontológico. Busco, dentro de mim!
Ai, cansei...

Algo assim...

Hoje resolvi criar. Sempre quis escrever, cantar, dançar. Em contrapartida, achava que nunca levava jeito prá nenhuma dessas coisas. Porém, minha veia dramática, minha tendência à depressão e minha imaginação fértil sempre me fizeram acreditar que um dia poderia.
Aqui começo a tentar escrever. Uma quase Tati Bernardi, Martha Medeiros, Arnaldo Jabor, Fernando Pessoa. Pretensão pura.
De vez em quando estarei aqui. Escrevendo, mesmo que seja prá ninguém ler. Criando, mesmo que o objetivo seja apenas desabafar. Mas dividirei aqui, com esse teclado, com esse monitor e com esse mouse algumas idéias, angústias e reflexões que se passam aqui dentro e, dificilmente, são externalizadas. Se são, nem sempre são compreendidas.
Enfim, sucesso prá mim!